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27.05.2017


Cooperativismo solidário

Conheça as histórias de pessoas que mudaram suas vidas graças ao trabalho solidário das quatro maiores cooperativas de Cachoeiro de Itapemirim

 

 

 

Por: Elisangela Teixeira

 

 

No dicionário Aurélio, cooperativismo está assim definido: “Sistema que preconiza o princípio cooperativo como meio de progresso e distribuição de riqueza”. Por si só, o movimento cooperativista tem uma prerrogativa baseada no pensamento coletivo, porém a maioria das cooperativas vai além dos limites de seus muros e desenvolve trabalhos com as comunidades nas quais estão inseridas, promovendo desenvolvimento social e econômico.

 

É o sétimo principio do cooperativismo, Interesse pela Comunidade, sendo colocando em prática e colaborando para o crescimento sustentável da sociedade. “O Cooperativismo é o único modelo econômico-social que deu e dá certo em todo o mundo. Somos socialmente responsáveis e prezamos por tudo que nos traz um diferencial”, diz o presidente OCB/Sescoop-ES, Esthério Sebastião Colnago.

 

“O cooperativismo no futuro tem tudo para ser a solução de todos os problemas das comunidades. Empresas e clientes buscam hoje no mercado aqueles fornecedores que possuem responsabilidades social e ambiental, e o cooperativismo tem isso em seu DNA”, completa.

 

É pensando neste bem comum que as cooperativas de Cachoeiro de Itapemirim, Sul do Espírito Santo, vêm dando apoio a dezenas de projetos sociais e colaborando para mudança na vida de centenas de pessoas. Gente que conseguiu vencer doenças sérias, como câncer e depressão, jovens que saíram de situações de risco social ao se envolvem com aulas de futebol, música, informática e artesanato e hoje encontraram novos caminhos na vida.

 

Foi em busca destas histórias que visitamos projetos sociais apoiados pelas quatro maiores cooperativas de Cachoeiro: Selita, Unimed, Sicoob Sul e Sicoob Credirochas. O objetivo foi saber na prática como essa colaboração que sai do “perímetro” da cooperativa pode mudar vidas. Sob a ótica destas pessoas que tiveram suas vidas modificadas de alguma forma por este trabalho, conhecemos relatos emocionantes que mostram que com boa vontade pode-se fazer mais, muito mais, pelo próximo.

 

 

 

Os 7 princípios cooperativistas

 

Os sete princípios do cooperativismo são as linhas orientadoras por meio das quais as cooperativas levam os seus valores à prática. Foram aprovados e utilizados na época em que foi fundada a primeira cooperativa do mundo, na Inglaterra, em 1844.

 

1º - Adesão livre e voluntária

2º - Gestão democrática

3º – Participação econômica

4º – Autonomia e independência

5º – Educação, formação e informação

6º – Intercooperação

7º – Interesse pela comunidade

 

 

“O sétimo princípio do Cooperativismo é o interesse pela comunidade. E se formos entender a fundo, o nascimento de uma cooperativa já se dá através do interesse de pessoas físicas que possuem um mesmo objetivo, sem fins lucrativos, que podem atender a interesses econômicos, sociais e culturais comuns. E exatamente pelo fato de terem uma gestão cooperativa, onde todos são donos e tem por dever opinar e participar das decisões, que essa cooperação ultrapassa os limites da cooperativa e se estende para a comunidade como um todo”.

Esthério Sebastião Colnago – Presidente OCB/Sescoop-ES

 


 


 

 

 

Ela foi diagnosticada e curada de um câncer de mama

 

foto: Elisangela Teixeira/ Wallace Hull

 

A dona de casa Alvina Varela, de 60 anos, moradora do bairro São Francisco de Assis, em Cachoeiro de Itapemirim, participou de uma palestra do Projeto Prevenir, promovido pelo Sicoob Sul e foi neste dia que ela recebeu uma das notícias mais impactantes de sua vida. Entre as centenas de mulheres que assistiram à palestra ela foi indicada a fazer os exames de mamografia e ultrassom. O resultado para câncer de mama foi positivo. E o pior: era um tumor maligno. “Algum tempo antes eu descobri um nódulo, mas não dei atenção, até porque a gente sempre acha que nunca vai acontecer com a gente. Quando fiz os exames depois da palestra e descobri a doença, meu mundo caiu. Tive indicação de urgência para cirurgia”, conta.

 

A partir daí, ela teve que ir muitas vezes a Vitória, pois nesta época, o projeto Prevenir tinha parceria com o Hospital Santa Rita (atualmente quem atende as pacientes em Cachoeiro é o Hospital Evangélico – HECI, por meio do Sistema Único de Saúde - SUS).  

 

“O Sicoob Sul fez tudo, me levou para os exames, para a cirurgia e para a quimioterapia. Se eu não tivesse o apoio da cooperativa, não sei o que teria sido de mim. Talvez até conseguisse, mas não com tanta boa vontade. Tudo o que precisei eu obtive pelo Sicoob, me senti acolhida e amparada e isso me ajudou a superar o câncer. Sou muito agradecida por tudo que fizeram por mim”, assinalou D. Alvina, que hoje está livre da doença, fazendo consultas a cada seis meses para garantir a saúde em dia.

 

Sobre o Projeto Prevenir: Realizado pelo Sicoob desde 2013 promove palestras preventivas nas áreas de atuação da cooperativa, oferecendo instrução, prevenção e detecção precoce e o tratamento do câncer de mama. Além de proporcionar informações importantes para as mulheres, a equipe seleciona pacientes para realização gratuita de mamografias. Desde 2014, o Sicoob Sul firmou parceria com o Heci. De acordo com Diretora Operacional do Sicoob Sul, Ediene Messias, só em 2016, 414 mulheres assistiram à palestra, 91delas fizeram exames de mamografia e 10 passaram pelo ultrassom. “Neste ano nenhuma delas foi identificada com câncer”, comemora.

 


 

 

 

 

De aluna a voluntária

 

foto: Elisangela Teixeira/ Wallace Hull

 

A artesã Mariana Rosa, de 34 anos, mora no bairro Novo Parque, em Cachoeiro e é mãe de cinco filhos. Casada, é o marido que dá sustentação a casa, mas ela não fica parada. Ainda jovem fez curso de artesanato no mesmo local onde hoje funciona o Grupo Unido, organização que oferece aulas para crianças em adultos e tem apoio da cooperativa Unimed Sul Capixaba. “Naquela época os cursos ainda eram ofertados pela prefeitura, mas aprendi a fazer bonecas de pano, pintura em tecido, biscuit, bordado em sandálias e muitos outros tipos de artes manuais”, conta Mariana.

 

Depois do fechamento da antiga oficina, o Grupo Unido, fundado pela voluntária Maurília Rezende, iniciou suas atividades no local e assim, Mariana teve a chance de retribuir o que havia recebido. “As coordenadoras do Grupo sabiam que eu realizava o trabalho com artesanato e me convidaram, não pude recusar a chance de colocar em prática o que aprendi com tanto carinho”. O resultado deste retorno é que Mariana se aperfeiçoou e hoje dá cursos profissionalmente em lojas do segmento na cidade e ajuda o esposo a complementar a renda.

 

“Sinto-me muito bem colaborando e vendo de perto tantas pessoas sendo ajudadas. Temos alunas que sofriam de depressão e encontraram um novo sentido na vida. Outras que tinham dificuldades financeiras e hoje estão trabalhando por conta própria. São tantas histórias tão bonitas e saber que faço parte delas, nem que sejam um pouco, é muito gratificante, por isso o apoio que recebemos é tão importante, pois promove mudanças profundas na vida de muita gente”, finaliza a artesã.

 

Sobre os projetos apoiados pela Unimed: Hoje a maior cooperativa de saúde da região Sul apoia outros três projetos sociais no município. O PISC - Projeto de Integração Social Comunitária, de Marataizes, o projeto “Bom de Bola”, de Castelo, e o projeto de Preservação da Biodiversidade da RPPN Mata da Serra, em Vargem Alta. Para o Vice-presidente da Unimed Sul Capixaba, Gil Gonçalves Azeredo, contribuir para o crescimento dos projetos sociais na região em que a Unimed Sul Capixaba atua é trabalhar para o desenvolvimento sustentado das comunidades. “Faz parte do nosso planejamento estratégico e traduz a nossa vocação de cuidar de pessoas”.

O Grupo Unido, que hoje é presidido por Maria Elisa Pesca, atende em média 40 pessoas por mês entre adultos e crianças com aulas de karatê, ginástica rítmica e cursos de artesanato. Formado por pessoas que desejavam fazer o bem, cada um deu sua contribuição com o que sabia fazer, daí o nome da organização. Mesmo com a ajuda mensal da cooperativa, enfrenta sérias dificuldades e corre o risco de fechar. “Estamos com pouquíssimos voluntários e sem recursos suficientes para pagar os professores. O que nos mantém hoje é a ajuda que recebemos da Unimed e graças a Deus que a cooperativa ainda olha por nós”, diz Elisa.

 


 

 

 

 

Talento do futebol a favor do bem comum

 

foto: Elisangela Teixeira/ Wallace Hull 

 

Aos 22 anos Maycon Paulino da Silva, é considerado um craque da bola no bairro Alto Eucalipto, onde mora. A vontade de jogar vem desde a adolescência e aos 16 anos entrou nas aulas do projeto Frei João , localizado no mesmo bairro e que conta com apoio da cooperativa Selita. De lá pra cá, participou de várias disputas e ganhou medalhas e troféus como jogador. Mesmo enfrentando dificuldades no dia a dia do próprio bairro, ele não desistiu e hoje é professor na mesma escolinha que o formou.

 

“É importante dar continuidade, pois as crianças do bairro precisam muito desta ajuda. Aqui, além das aulas eles recebem orientação para a vida, seja sobre a importância dos estudos, não se entregar a vida errada. Aqui eu conquistei respeito no bairro e ninguém mexe com a gente mais, porque sabem que estamos tentando encaminhar os meninos para uma vida melhor”, conta.

 

Por falar em melhorar, Maycon que terminou o ensino médio, agora sonha em fazer faculdade de Educação Física. “Meus planos são para começar ano que vem, mas antes preciso voltar a trabalhar para ajudar em casa”, comenta.

 

Sobre o projeto Frei João: O bairro Alto Eucalipto fica no entorno da sede da cooperativa Selita e é considerado um dos mais perigosos de Cachoeiro de Itapemirim, em função do tráfico de drogas. Apesar da situação de risco, muita gente boa não deixa a “peteca cair” e se empenha em busca de melhorias. Assim é o projeto Frei João, que atende mais de 250 crianças e adolescentes com aulas de futebol e balé. Iniciado há cinco anos dentro da Pastoral da Criança, ele ganhou projeção e conquistou o respeito de toda comunidade. Todos os professores são voluntários e eles contam com doações e apoios em geral para realização das aulas. “A Selita nos procurou e ofereceu ajuda. Sempre que precisamos ela ajuda financeiramente ou com transporte, ou doando os uniformes. Este ano só conseguimos participar dos torneios de futebol com a meninada porque obtivemos essa ajuda da cooperativa”, informou o coordenador do projeto Alexsandro Rodrigues. “Fomos abraçados pela Selita e temos a certeza de continuar contando com o apoio dela”, completou.

Rubens Moreira, presidente da Selita diz que uma das maiores virtudes do cooperativismo é não olhar apenas e unicamente para seus sócios. “É preciso que ela contribua para o desenvolvimento de toda área onde ela atua. As cooperativas são uma sociedade de pessoas e não de capital”, assinala.


 


 

 

 

 

A conquista do primeiro emprego

 

foto: Elisangela Teixeira/ Wallace Hull

 

Renata Mayra Silva Buzatto, de 17 anos, moradora do bairro Village da Luz, em Cachoeiro, como ela mesma diz, conseguiu subir um degrau na vida ao conquistar uma vaga como menor aprendiz no Sicoob Credirochas. Mas a oportunidade só foi obtida depois de fazer cursar as aulas de informática e se destacar no Projeto Villagindo, que é apadrinhado pela cooperativa de crédito.

 

“Entrei no projeto em 2014, influenciada pelas minhas irmãs e foi simplesmente ótimo. Eles têm excelentes profissionais, pessoas de bom coração, caráter, e que me ajudaram muito neste subir de degraus. Eles oferecem muitos cursos e não tem como não fazer nada lá, pois tem aulas para todos. Só não cresce se não quiser. Foi por meio da aula de informática que consegui a vaga no Credirochas. E isso deve continuar, pois eles ajudam muito as pessoas, principalmente os jovens do nosso bairro”, relata a determinada jovem.

 

De acordo com uma das coordenadoras do projeto, Deise Camilette, assim como Renata muitos outros jovens obtiveram sucesso no trabalho após participarem do projeto. “Temos crianças que chegaram aqui em situações de extremo risco , social órfãos de pai e mãe, que cresceram aqui e hoje estão trabalhando e criando suas próprias famílias. Somos muito gratos ao que recebemos do Sicoob Credirochas, pois existência conseguimos encaminhar muitos adolescentes e jovens para uma vida digna e correta”.

 

Sobre o Projeto Villagindo: Situado em um bairro de alto risco social, há 19 anos o projeto beneficia crianças de seis a 17 anos em Cachoeiro, ensinando a pescar, como diz a coordenadora Deise Camilette. Atualmente atende mais de 200 crianças, porém em anos anteriores chegou a ter mais 400 matriculadas em cursos de dança, ginástica rítmica, esportes em geral, reforço escolar, musicalização, artesanato e artes manuais, entre outros. O principal objetivo é tirar das ruas os menores no contra turno escolar e ensinar novas formas de encarar a vida, proporcionando formação e integração dos menores à sociedade. “A maioria das famílias não teria condições de colocar os filhos em atividades como estas, pois trabalham fora e precisam lutar para sobreviver diariamente. Aqui elas encontram um novo objetivo na vida e isso só é possível, porque temos pessoas preocupadas em cooperar, sejam os voluntários ou colaborações como a do Sicoob Credirochas, que mensalmente nos enviar recursos financeiros para manter o projeto de pé e funcionando. Agradecer é o mínimo que podemos fazer à cooperativa”.

 

 

 

 

 

 

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