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09.04.2018


Criador de galos índios gigantes é referência nacional

Em Afonso Cláudio, na região serrana, capixaba aprimora raça ornamental e conquista mercado Brasil afora

 

 

 

Quando o capixaba Reginaldo Liitke (40), o popular “Regi”, abandonou o ramo da construção civil, há oito anos, não esperava fazer tanto sucesso numa área que começou como hobby. Pela internet, ele se apaixonou pelos galos índios gigantes e viu que era lucrativo. Logo iniciou a criação pioneira dessa ave no Estado, em Afonso Cláudio, na região serrana, e hoje é referência em todo o Brasil.

 

Liitke rodou milhares de quilômetros para adquirir os primeiros exemplares nas cidades de Franca (SP), Araguari (MG), Brasília e Rio de Janeiro. Em um sítio na localidade de Vargedo, a 6 km da sede de Afonso Cláudio, o plantel conta com aproximadamente 400 aves.

 

Segundo o criador, o galo índio gigante é fruto do cruzamento entre o galo combatente (popularmente conhecido como “galo de briga”) e a galinha caipira. Os primeiros testes com o híbrido ocorreram há cerca de 40 anos no Estado de Goiás. Hoje, a raça é supervalorizada no mercado de aves ornamentais, com um espécime chegando a custar mais de R$ 10 mil.

 

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Regi enumera as vantagens do animal. “Trata-se de uma raça rústica, não pega praticamente doença nenhuma, gosta de ficar solta e apresenta crescimento muito rápido e beleza fora do normal. Até pouco tempo, era destinada ao comércio da carne, mas atualmente o interesse é mais ornamentação”, diz o criador.

 

A criação de galos índios gigantes ocupa um terreno com 6 mil m², dividido entre o pasto e o galpão. Os cuidados com parasitas são constantes. De acordo com Liitke, no pasto as aves encontram nutrientes necessários para o seu desenvolvimento, e a alimentação é reforçada com milho e ração. “O espaço utilizado é mínimo, dá até para criar no fundo do quintal”, afirma.

 

Os galos índios gigantes também são uma raça de desenvolvimento precoce. Só para se ter ideia, já aos quatro meses de idade os frangos machos atingem de 3,200 kg a 3,400 kg, enquanto as fêmeas, de 2,800 kg a 3 kg. “Já na criação do galo caipira comum você leva oito meses para ter frango com peso entre 1,800 kg e 2 kg. A carne fica até mais saborosa e macia devido à precocidade”.

 

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Medidas superiores

O tamanho dos galos índios gigantes chama atenção. Com genética aprimorada, já existe ave na fase adulta catalogada com 1,26 m, medindo-se da ponta da unha até a ponta do bico. O recorde do capixaba foi um animal com 1,21m, de oito meses, vendido a R$ 11 mil.

 

Além das medidas superiores, são necessárias características distintas para o índio gigante alcançar alto valor de mercado. Segundo Reginaldo Liitke, as melhores aves têm crista e cauda baixos e canela “amarelinha e sem manchas”.

 

E para o criatório de galos índios gigantes ser considerado de primeira linha, “quase atingindo a perfeição”, ainda são desejáveis outros requisitos. O macho tem que passar de 1,05m e a fêmea, de 0,90cm. “Não adianta pegar um galo gigante no terreiro e dizer que é índio gigante”, observa o criador.

 

Cada dúzia de ovos custa, em média, R$ 250 a R$ 300, dependendo do reprodutor, e cada pintinho, em torno de R$ 35. Muitos clientes adquirem as aves para recria e renovação do plantel, buscando sempre o aperfeiçoamento genético.

 

Littke diz que não esperava o sucesso do novo negócio e está surpreso com a repercussão. “Este mês, um cliente do Pará rodou mais de 3.000 km para vir aqui conhecer a criação. Já vieram também compradores de Goiás, São Paulo, Rio e Rondônia e mandei ave até para Portugal. A raça está bem divulgada e é muito bom ter tanta gente conhecendo o trabalho da gente”, conclui o capixaba.

 

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Os criadores capixabas sempre procuram Regi para trocar experiências. Uma vez por ano, eles se reúnem em encontros e, ainda participam de grupos de WhatsApp e Facebook.

 

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