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13.04.2018


Brasil pode ser beneficiado com os entraves entre China e EUA, mas há riscos

O impacto das imposições tarifárias da China a produtos importados dos Estados Unidos, além do tempo que essa medida se estender, poderá no longo prazo beneficiar as exportações brasileiras para o mercado chinês

 

 

O impacto das imposições tarifárias da China a alguns produtos importados dos Estados Unidos, como a soja, por exemplo, e o tempo que essa medida se estender, poderá, no longo prazo, beneficiar as exportações brasileiras para o mercado chinês. Essa é a avaliação do vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco.

 

Segundo ele, no entanto, há limites para o Brasil ampliar suas vendas de soja à China, uma vez que o país não tem condições de atender toda demanda adicional chinesa. “Considerando que o Brasil vai colher 119 milhões de toneladas (estimativa da consultoria AgRural, divulgada em 9 de abril) na safra 2017/2018 e que processará 43 milhões de toneladas, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), não sobrará muita soja para exportação”, explica Sirimarco.

 

O executivo acredita que o anúncio do governo chinês abre espaço para o Brasil exportar 4 milhões de toneladas a mais de soja neste ano. “As estimativas iniciais eram de que o País exportaria 70 milhões de toneladas de soja em grão, o que já é um volume recorde. Mas a decisão chinesa pode elevar os embarques para 74 milhões de toneladas sem afetar a demanda doméstica”, acredita.

 

Para ele, outro fator que deve limitar as exportações de soja em grão para a China é que a produção de farelo de soja no Brasil está mais rentável, atualmente, em função da quebra da safra da Argentina.

 

Para o vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco, é muito cedo para se fazer uma avaliação dos desdobramentos da crise, mas tudo indica que as partes (EUA e China) iniciem em breve um processo de negociação. Foto: divulgação


 

A China já vinha reduzindo as importações de soja americana nos últimos meses em retaliação ao governo de Donald Trump. “Segundo o serviço alfandegário da China, o país importou 5,4 milhões de toneladas de soja em fevereiro, 2% menos que no mesmo mês de 2017”, informa o vice-presidente da SNA.

 

Nesse período, as compras do Brasil, no entanto, aumentaram 154,1% na mesma comparação, para 1,7 milhão de toneladas. Já as dos EUA, recuaram 24,4%, para 3,6 milhões de toneladas.

 

ETANOL

 

Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), ainda é necessário entender qual o real impacto das imposições tarifárias chinesas contra os Estados Unidos e por quanto tempo a medida deverá permanecer.

 

“No entanto, uma guerra comercial dessa natureza, envolvendo grandes economias globais, tende a gerar somente perdedores. No curto prazo, o resultado é uma desorganização do comércio mundial”, afirma o diretor executivo da entidade, Eduardo Leão.

 

De acordo com o diretor executivo da Unica, Eduardo Leão, uma guerra comercial entre dois grandes expoentes da economia global, tende a gerar somente perdedores. Foto: divulgação


 

Leão acredita que o País não consegue se beneficiar desse entrave entre as duas nações na questão do etanol, pois a maior parte de sua produção desse combustível tem sido utilizada para o abastecimento doméstico, além do que deixa sem destino parte dos atuais elevados excedentes exportáveis americanos, gerando pressão de exportação em terceiros mercados. “Os chineses também não se beneficiam da medida, visto que os preços domésticos tendem a subir, passando a depender exclusivamente dos estoques públicos de milho para o abastecimento interno”, acrescenta.

 

Ele espera ainda que, no médio e longo prazo, medidas como essa possam escalar o nível de protecionismo global, inclusive em outros potenciais mercados, gerando perdas a produtores e consumidores.

 

A China anunciou recentemente um programa de mistura de 10% de etanol na sua gasolina a partir de 2020, o que deverá gerar uma demanda de 15 milhões de toneladas anuais do biocombustível. “Será necessária a importação de etanol de outros países, mas, para que isto ocorra, é fundamental que as regras sejam claras para que os países potencialmente ofertantes, como Brasil e EUA, se programem adequadamente. Nesse sentido, regras voláteis e protecionistas seguramente não ajudam nesse processo”, observa Leão.

 

IMPACTOS

Para avaliar os impactos da medida imposta pelos chineses para o mercado internacional, Sirimarco diz que vários fatores devem ser considerados. “A internacionalização das empresas é um deles. Elas atuam praticamente em todos os países e vão fazer um remanejamento das mercadorias”, avalia.

 

Os setores da economia brasileira que têm produtos na lista de sobretaxas impostas pelos chineses aos americanos ainda avaliam a situação. “Um ponto a ser considerado é a grande capacidade de exportação dos americanos. O Brasil ganha mercado, mas não conseguirá substituir os EUA”, estima Sirimarco.

 

EXPECTATIVAS

Na opinião do vice-presidente da SNA, os acontecimentos ainda são muito precoces e inconclusivos para se fazer alguma análise definitiva sobre a possibilidade de gerarem uma mudança radical de cenário. “É muito cedo para se fazer uma avaliação dos desdobramentos da crise. Tudo indica que a tendência é que as partes (EUA e China) iniciem em breve um processo de negociação”, prevê o executivo.

 

fonte:  SNA.AGR

 

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