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16.05.2018


Lavanda capixaba

 

 

foto: LEANDRO FIDELIS


 

A médica Leice Ortega, de Vitória, mantém uma charmosa casa de passeio há mais de dez anos em São Paulinho de Aracê (Domingos Martins). Desde a aquisição do imóvel, Leice sempre manteve um jardim ao redor. Mas por ocasião do tratamento de uma doença, ela ficou quase um ano sem pisar no local. Ao retornar, teve uma surpresa: de todas as flores que plantou, só a lavanda sobreviveu.

 

Foi a deixa para a médica iniciar um novo projeto de vida. Em janeiro do ano passado, ela plantou mil mudas da flor no terreno, e hoje a casa de montanha abriga o primeiro lavandário do Espírito Santo, o “Lavandário Pedra Azul”, que conta com uma vista de encher os olhos para o símbolo das montanhas capixabas.

 

O cultivo, totalmente orgânico, transformou a paisagem e estimulou novos investimentos. A terra está sendo preparada para receber 5.000 novas plantas, e até o próximo inverno, o cenário deverá estar ainda mais encantador e perfumado.

 

Localizada a 1.050m de altitude, a propriedade fica na altura do marco 8 do “Caminho das Flores”, rota turística na rodovia que liga a BR-262 a Vargem Alta, na região serrana do Estado. O local chegou a ser alugado para turistas, mas hoje está no foco de um projeto mais amplo da médica, conciliando com sua agenda profissional na região. “Quero produzir mel, xarope, sabonetes, sais de banho, artesanato e até sorvete de lavanda”, diz Leice.

 

A médica conta que sempre estuda e se aprofunda sobre o tema. Chegou a ir duas vezes para Provence, na França, onde estão os mais famosos campos de lavanda do mundo. Lá, Leice descobriu as inúmeras possibilidades de uso da planta e uma vantagem em relação aos cultivos europeus. “Quando chega o inverno, os cultivos de lavanda franceses não florescem, enquanto aqui temos flores o ano todo”.

 

No Brasil, os lavandários mais conhecidos encontram-se em Cunha (SP) e Gramado (RS). A lavanda é uma espécie comumente cultivada em altitudes acima de 1.000m e conhecida pela rusticidade. Não à toa é considerada símbolo da resiliência. “Ela é dura na queda, consegue viver em situações extremas, e ao mesmo tempo é tão delicada”, avalia.

 

A planta também não requer cuidados especiais, dispensa irrigação, e é uma excelente repelente de insetos, com exceção das abelhas, sempre presentes no plantio.

 

Bem-estar

 

Muito além do cultivo, Leice Ortega quer promover um conceito em torno do lavandário e torná-lo socialmente útil. “Quero propagar o bem-estar na comunidade. A terra pode, sim, produzir beleza. Beleza não é supérfluo, ela nos alimenta também e pode produzir riqueza. Espero que as pessoas que moram na região compreendam isso”, afirma a médica.

 

Para dar corpo a esse projeto e filosofia de vida, Leice pretende contratar apenas mulheres nos cuidados do lavandário. Não é uma questão de gênero, apenas uma forma de tornar mais leve a labuta diária das agricultoras e envolvê-las também na produção de artesanato e derivados da planta. “Cuidar de lavanda não é um trabalho pesado como as culturas agrícolas do entorno. Sempre quis plantar alguma coisa bonita, que me alegrasse, por isso a ideia das flores”.

 

E os planos da médica fã de lavanda não param por aí. O Lavandário Pedra Azul vai ganhar uma capela e um mirante e promete ser espaço para encontros. O objetivo é promover vivências aos finais de semana e irradiar ainda mais os benefícios da planta lilás de perfume inconfundível.

 

 

foto: LEANDRO FIDELIS


 

 

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