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08.11.2018


Sustentabilidade com resultados em Irupi

Propriedade em Irupi é referência em gestão ambiental com alta produção de café

 

 

*Texto e fotos Leandro Fidelis

 

O orgulho do cafeicultor Cleiton Oliveira de Melo (39), de Irupi, no sul do Estado, não é apenas ver o armazém lotado de sacas de arábica após o fim da colheita. Em cinco sítios vizinhos na localidade de Burro Frouxo, a 6,5 km do centro da cidade, na região do Caparaó, ele consegue conciliar alta produção de café com respeito ao meio ambiente.

 

Com apenas 12 anos de atividade, o produtor conseguiu mudar de vida e empreender com a cafeicultura. Cleiton promoveu uma quebra de paradigmas em uma das regiões maiores produtoras de arábica do Estado com projetos autodidatas a partir de um novo olhar para o dia a dia da produção.

 

Além de reflorestar pequenas áreas próximas ao armazém com árvores frutíferas e instalar cômodos adequados para o recolhimento de embalagens de defensivos, o cafeicultor reaproveita água da despolpa dos grãos e a fumaça do secador (plano a ser colocado em prática em breve, saiba mais abaixo) e que é considerado o primeiro com fumaça canalizada do Estado.

 

Por conta disso, os sítios se tornaram modelos em boas práticas ambientais em nível estadual. As propriedades foram escolhidas pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) como destaque em gestão ambiental com alta produção de café.

 

“O Idaf veio conferir se estamos cumprindo as normativas ambientais e detectou que estamos além das exigências. Coisas que os produtores não se preocupavam e que estão vindo buscar informações para fazer o mesmo nas suas propriedades”, diz Cleiton.

 

Redução de custos

Adquiridos ao longo dos últimos 12 anos, os sítios que compõem a propriedades somam mais de 70 hectares, com produção que ultrapassa 3.000 sacas de arábica por ano, sendo média de 60 por hectare. Quinze colonos vivem nos cinco sítios em contrato de parceria e um engenheiro agrônomo presta serviços particulares ao proprietário.

 

Com as tecnologias implementadas, houve significativa redução de mão de obra (apenas dois funcionários se revezam no despolpador e no secador) e ganho de produtividade.

 

“Não uso a força do ser humano, e sim, sua inteligência para ajudar na gestão da propriedade”, afirma Cleiton.

 

Segundo o cafeicultor, na época da colheita, são três funcionários, administrando mil sacas de café cada um. “Utilizo mão de obra de três pessoas, contra 15 de alguns colegas, e invisto em máquinas que funcionam. O que eu faço é conta. Estou sempre de olho na produtividade das lavouras. Pela minha matemática, se percebo prejuízo, chego ao ponto de arrancar os pés e plantar novos”, revela.

 

Superação

A lógica própria de Cleiton de Melo nos negócios encontra eco num passado não muito farto. Filho mais novo de uma boia fria e um pedreiro, o cafeicultor já vendeu verdura em carrinho de mão, foi frentista por muitos anos até investir em uma firma de autopeças em Irupi. Além da cafeicultura, mais recentemente ingressou no mercado imobiliário da cidade e de Volta Redonda (RJ).

 

Atualmente, os pais atuam na produção de café juntamente com Cleiton, e o único irmão será o próximo a entrar no time para levar adiante o sonho do menino pobre de vencer na vida e ajudar a família. “Até os quatorze anos eu não sabia o que era ter uma bicicleta”, conta o cafeicultor.

 

Ele espera manter o equilíbrio sustentável da propriedade Burro Frouxo e a alta produtividade para garantir a faculdade das duas filhas, uma de sete e outra de 13 anos, e também deixar um legado para a agricultura do lugar onde nasceu.

 

“A natureza não é minha, é do planeta, por onde passamos e deixamos. Quero ter renda com café, mas trabalhar bem, gerar boas condições para o meio ambiente e também para os meus trabalhadores. É questão de mentalidade”, finaliza Cleiton.

 

 

Fumaça filtrada e direto para tanque do despolpador

O projeto mais ousado de Cleiton de Melo vai resolver dois problemas ambientais na propriedade Burro Frouxo a partir de 2019: o da fumaça e o da água residual. Com a canalização da fumaça do secador, o filtro à base de água está com os dias contados.

 

Atualmente, o secador de café opera com fornalhas onde ocorre o processo de queima e requeima. Sem chaminés diretas, toda a fumaça é transferida para uma turbina, passando depois por exaustão para o filtro. Lá, de acordo com o cafeicultor, a fumaça é filtrada, eliminando-se a fuligem, e depois afogada na água e liberada.

 

A diferença com o novo sistema é que, em vez de a fumaça ser lançada no ar, vai para debaixo da terra, onde será tratada e depois se somará aos resíduos do tanque do despolpador. Cleiton acredita que, no tanque com bactérias anaeróbicas, o gás gerado pelo secador vai oxigenar mais a água e gerar mais vida. “Aquecendo a água com a fumaça menos agressiva vai acelerar o processo de evaporação no tanque”, explica.

 

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