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Agricultura familiar


Único espumante capixaba enfrenta barreira de preços

Produção artesanal em Santa Teresa, de 12 mil litros por ano, se mantém com mão de obra familiar

Por Redação SafraES
16/01/2020 13h11
Atualizado em 17/01/2020 11h11

*Fotos: Leandro Fidelis/Arquivo Safra ES

É na terra dos vinhos, Santa Teresa, que se encontra o primeiro e único espumante capixaba: o Sperandio, da Casa dos Espumantes. A produção, que era de 10 a 12 mil garrafas em 2016, saltou para 14 a 15 mil neste ano, em torno de 12 mil litros. Apesar da evolução na qualidade e nos negócios, os produtores ainda enfrentam a concorrência do produto importado, que sai mais em conta no mercado.

Antes de iniciar no ramo da bebida, a propriedade da família Sperandio, de origem italiana, era destinada ao cultivo de pêssego, ameixa e uva para venda in natura. Até que um dia, a safra foi muito grande e Sergio Sperandio decidiu fazer um pouco de vinho.

“Estávamos fazendo um teste com uma uva negra sem semente, e deu uma supersafra. Como sobrou, decidi fazer um pouco de vinho, preparei as garrafas e, ao abri-las, percebi que todas as cortiças tinham sido empurradas. Ele fermentou, novamente, na garrafa. O espumante surgiu daí, eu pensei que tivesse estragado o vinho”, conta Sergio.

Um colega de Sergio provou e aprovou a novidade, o que era o início de um espumante. A partir daí foi feita uma série de experiências. “Umas garrafas davam certo, outras não, foi difícil chegar até a forma que é hoje. Ninguém te ensina o passo a passo. O que mais funcionou foi o dia a dia e a prática. Chegamos a pensar até em parar a produção, pois de 1.000 garrafas, 80 estouravam”.

Hoje, o processo utilizado na produção do Espumante Sperandio é o “Método Champenoise” (*Saiba mais abaixo), desenvolvido na França. É um método clássico utilizado na produção do Champagne, na região francesa de mesmo nome. O método é próprio para a produção artesanal.

A produção do espumante é feita praticamente toda com as seis variedades de uvas cultivadas na propriedade da família. A safra ocorre entre janeiro e fevereiro. Sergio conta com a parceria da mulher, Cássia Salviato Sperandio e do filho Pablo Salviato Sperandio.

Manter o preço do litro, em torno de R$ 30 e R$ 35, é ainda um desafio para os Sperandio, que vendem no próprio quintal. “A concorrência fica bem complicada para o produto artesanal. As grandes redes de supermercados compram o produto importado em quantidade, e o preço cai para o consumidor”, avalia Sergio.

Para o agricultor, se não fosse o uso de 80% de mão de obra familiar, o produto encareceria devido ao custo de produção. “Quando a produção aperta, a gente contrata terceirizados para ajudar na poda e na colheita, mas fora isso eu e minha família damos conta”.

Segundo Sperandio, a escassez de chuva dos últimos três anos contribuiu para a melhoria dos cultivos e na qualidade das uvas. A partir de 2020, a família vai testar a produção do espumante pro-seco. Há planos também para os próximos dois anos de testar novas variedades da fruta.

O produtor diz ser cedo falar na expansão de novos mercados para o primeiro espumante capixaba, mas não descarta a possibilidade de ampliar a produção. “Não é possível falar em novos mercados cultivando apenas seis variedades e produzindo média de 15 mil garrafas”, diz.

Método Champenoise

O método Champenoise, também conhecido como tradicional ou clássico, consiste na segunda fermentação de um vinho base, dentro da própria garrafa. Durante dois meses, as leveduras transformam açúcar em álcool, e consequentemente liberam gás carbônico, dando origem a “perlage” do espumante. Após, o espumante passa por um processo de autólise e envelhecimento que pode durar meses ou até anos, sendo finalizado com a remoção das impurezas. Reconhecido pela sua qualidade, esse método é mais delicado e artesanal, resultando espumantes com “perlage” fina, evolução nos aromas e complexidade gustativa.

*Esta matéria faz parte do Anuário do Agronegócio Capixaba, disponível aqui na íntegra!


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