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Brasil é o país que mais utiliza pesticidas na agricultura

Só neste primeiro semestre, governo federal liberou o uso de 239 substâncias consideradas nocivas à saúde. Espírito Santo responde por 10% dos casos de intoxicação

Por Assessoria de imprensa Ales
15/07/2019 18h56
Atualizado em 15/07/2019 18h59

Wagner Miranda Barbosa: ES responde por 10% dos casos de intoxicação. (*Foto: Tati Beling)

O Brasil lidera o ranking mundial de utilização de agrotóxicos, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP). Só nos primeiros seis meses deste ano, o governo federal liberou o uso de 239 novas substâncias na agricultura. O cenário preocupa ambientalistas e consumidores e foi tema de sessão especial realizada nesta sexta-feira (12), por iniciativa da deputada Iriny Lopes (PT).

Com o tema “Os impactos do agrotóxico na água e na saúde”, a parlamentar apresentou dados alarmantes. As notificações de intoxicação por agrotóxico dobraram no Brasil desde 2009, passando de 7 mil para 14 mil casos, segundo o Ministério da Saúde - “dado que, provavelmente, é subnotificado”, pontuou a deputada.

De acordo com o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Wagner Miranda Barbosa, todo ano, 25 milhões de pessoas no mundo são envenenadas com agrotóxicos e 20 mil pessoas morrem devido a esse tipo de intoxicação. No Brasil, o Espírito Santo responde por 10% dos casos de envenenamento por agrotóxicos. E, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para cada caso de intoxicação notificado, 50 outros não são informados ao sistema de saúde.

Toneladas

Na safra de 2010/11, os brasileiros consumiram 936 mil toneladas de agrotóxicos, segundo dados apresentados pela deputada Iriny Lopes. Cada dólar gasto com pesticidas gera um gasto de US$1,28 para o sistema de saúde. Para a parlamentar, os agricultores familiares, pela falta de acesso à informação e à tecnologia, estão mais expostos à utilização dessas substâncias.

Iriny Lopes é autora de um projeto de lei (PL 272/2019) que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos no Estado.

De acordo com a deputada, a prática é muito comum, por exemplo, nas áreas de plantação de eucalipto da Suzano (antiga Fibria/Aracruz Celulose) e acaba atingindo os agricultores familiares, quilombolas e trabalhadores sem terra dessas regiões.

Segundo o professor Wagner Barbosa, além da intoxicação aguda, o consumo de agrotóxicos tem relação com o desenvolvimento de cânceres (linfomas, leucemia, câncer de testículo, mama, próstata, sarcomas, cólon); atraso no desenvolvimento motor, comportamental, intelectual, reprodutivo, hormonal e imunológico; aborto; infertilidade; dentre vários outros efeitos colaterais.

Recorte

O professor realizou seus estudos para a tese de doutorado em Biotecnologia utilizando como recorte os produtores de café da região do Caparaó capixaba. Seus estudos concluíram que essa população está mais sujeita ao mal de Parkinson, depressão e suicídio, e esse quadro está relacionado ao uso de agrotóxicos.

“A prevalência de depressão nos trabalhadores é muito maior que a média do Estado, do Sudeste e do Brasil”, destacou o pesquisador.

Seu estudo analisou, principalmente, a modificação de um gene relacionado à função cerebral e cognição e identificou que 40% de sua amostra tem esse gene bloqueado, o que leva a uma maior dificuldade de aprendizado. “Esse bloqueio vai afetar a pessoa até a 3ª geração. Ou seja, o produtor exposto ao agrotóxico pode comprometer o desenvolvimento até do seu neto”, alertou.

Pequenos agricultores

Para o representante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Leomar Honorato Lirio, o próprio Estado é um impulsionador do uso de agrotóxicos quando vincula a liberação de crédito agrícola à utilização desse tipo de insumo. Segundo ele, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), ao exigir que os produtores apresentem, por exemplo, as notas fiscais que comprovem a utilização do crédito rural, acaba incentivando a compra de produtos químicos.

“Para acessar o crédito, você precisa informar em que você vai gastar o valor que você está adquirindo no banco. Não posso comprar um produto ou uma ferramenta produzida pelo meu vizinho, porque tem de ter a nota fiscal de uma empresa”, exemplificou.

Sugestões

Uma das sugestões dadas pelo professor Wagner Barbosa e pela deputada Iriny Lopes para amenizar o uso exacerbado de agrotóxicos no Brasil é a eliminação da isenção fiscal para esses produtos, que contam, segundo a deputada, com a redução de 60% na base de cálculo do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e com a isenção total do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A parlamentar falou ainda sobre a importância de se incentivar a criação de bancos de sementes crioulas, que são aquelas produzidas pelos próprios agricultores familiares e com suas características nutricionais preservadas ao longo do tempo.

Iriny Lopes ainda destacou a necessidade de maior interlocução com o governo estadual e com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) para a elaboração de políticas públicas voltadas para a população do campo e para a segurança alimentar e nutricional como um todo.


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