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SEBRAE AGOSTO 2020

Agricultura


Sabor da banana de Linhares conquista mercados

Por Rosimeri Ronquetti
29/07/2020 20h00
Atualizado em 1/08/2020 18h44

*Foto: Leandro Fidelis/Arquivo Safra ES

Há mais de duas décadas, quando pouco se falava em diversificação de culturas no meio rural, o então produtor de mamão e café Fabrício Carraretto Barreto decidiu plantar cinco hectares de banana prata por influência de um amigo e nunca mais parou.

Justamente por se tratar de uma cultura nova na região, Fabrício conta que o retorno compensou os desafios de implantação. “Fomos pioneiros na região, o que nos permitiu muita facilidade comercial. Facilidade essa que compensou os erros do aprendizado e dificuldades do pioneirismo. Tudo tinha que ser pesquisado, mesmo com uma boa consultoria, era difícil, pela falta de conhecimento do comportamento da cultura em nossas condições de clima e solo”, destaca Carraretto.

Precursores na produção de banana irrigada no Espirito Santo, os cinco hectares se transformaram em 215, distribuídos em duas fazendas, uma na comunidade do Farias e outra na Lagoa das Palmas, que juntas produzem em média 830 toneladas por mês das espécies prata e nanica.

Fabrício Carraretto Barreto decidiu plantar cinco hectares de banana prata por influência de um amigo e nunca mais parou. (*Foto: Bruno Giuriato)

Os números das fazendas, somados aos demais produtores de Linhares, fazem do município o terceiro colocado no ranking estadual. Em 2018, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, divulgados pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, Incaper, foram 38,651 toneladas em uma área de 1.859 hectares. O extensionista do Incaper Alciro Lamão Lazzarini diz que Linhares reúne vários quesitos para produção de banana e um deles é a abundância de água.

“Linhares talvez seja um grande produtor de banana por excelência. Tem topografia adequada, plana, o que permite vários tipos de espaçamento no plantio, apresenta bom índice de fertilidade e um clima seco, menos propenso a doenças. Além disso, o que seria um desafio para a produção de banana no município, a irrigação, Linhares tem abundância de água, ou seja, reúne uma série de quesitos para ser um grande produtor da fruta”, pontua Lazzarini.

Toda a produção das fazendas de Fabrício é comercializada no Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Segundo Alciro, a absorção da banana de Linhares pelos grandes centros é uma outra característica positiva das frutas produzidas no município. “A banana produzida em Linhares apresenta características superiores às produzidas no sul do Estado, por exemplo, onde temos vários cultivares de banana prata, e os produtores não têm um padrão. Em Linhares trabalha-se com uma ou duas variedades apenas de banana, boa de mercado, padrão excelente para atender os grandes centros consumidores, como Rio e São Paulo. Isso faz com que tenham um mercado mais consolidado”.

O extensionista do Incaper Alciro Lamão Lazzarini diz que Linhares reúne vários quesitos para produção de banana e um deles é a abundância de água. (*Foto: Divulgação)



Tecnologia

Para garantir a qualidade, as mudas de banana plantadas são reproduzidas em laboratório a partir de matrizes selecionadas naturalmente no próprio pomar. Para cada rizoma enviado para Santa Catarina, retornam 14 meses depois, em média 300 embriões, já desenvolvidos. “Sem tecnologia na produção não existe rentabilidade. Desde o material genético ao manejo nutricional, fitossanitário e irrigação, tudo passa pela tecnologia”, destaca Fabrício Carraretto.


Alciro explica que, no caso da banana, a tecnologia está presente quando se fala em variedades, mudas resistentes a pragas, irrigação, fertirrigação e, no caso da produção de Linhares, no pós-colheita. “A produção em Linhares é grande, e o trabalho acontece de forma empresarial, com estrutura mais adequada de embalagem. As bananas passam por lavadores, são armazenadas em câmaras frias e embaladas em caixas próprias, tudo isso é tecnologia”.

Valorização de pessoas

Ao todo são gerados nas duas fazendas e no processamento da produção 250 empregos diretos. As pessoas envolvidas recebem atenção especial durante todo trabalho na lavoura e no pós-colheita. Carraretto explica que existe uma busca constante por parte da empresa para manter os colaboradores no campo.

“O trabalho manual rural, nos dias atuais, não está em primeiro lugar na escala de desejos da grande maioria das pessoas. Assim, uma relação justa entre empresa e colaborador é primordial. Além de cumprir as normas, nos empenhamos em cuidar das pessoas, sua saúde, segurança e qualidade de vida”.

A alimentação é toda feita na empresa – café da manhã, almoço, lanche da tarde e reposição eletrolítica para os trabalhadores do campo. Em 2019, a empresa foi case de sucesso no Espirito Santo com o Selo Social da Secretaria Estadual de Saúde (Sejus) por manter 45 detentos do sistema prisional no seu quadro de trabalho.



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