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Safra urbana: os alimentos que nascem na metrópole

Com cerca de 2 milhões de habitantes, a região metropolitana do Espírito Santo não é formada apenas por consumidores de alimentos. Confira primeira parte da reportagem especial!

Por Leandro Fidelis
10/06/2021 16h00
Atualizado em 18/06/2021 10h43

Do alto das lavouras de banana orgânica, o produtor Rafael Ribeiro (Cariacica) tem a visão da capital do Estado. (*Foto: Leandro Fidelis/Conexão Safra)

Olhando assim a Ilha de Vitória com tantas opções de praias, edifícios residenciais, shoppings e outros prédios comerciais, fica difícil imaginar que perto desse movimento tão cosmopolita existe zona rural com destaque até continental. Não é exagero. Sem a pujança da agropecuária do interior do Estado, a região metropolitana do Espírito Santo- com cerca de 2 milhões de habitantes- não é formada apenas por consumidores de alimentos. Segundo dados de 2020 do Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Proater), do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), 2.786 estabelecimentos comandados por produtores da Grande Vitória também levam comida à mesa dos capixabas.

Criada em 1995 pela Lei Complementar Estadual nº 58/95, a Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) é composta por sete municípios (Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória), com área de 2.331 km² e população rural de 28.697 pessoas. Entre 2008 e 2018, a capital capixaba passou a integrar o grupo de 15 metrópoles brasileiras, revelou pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Do território total, englobando os sete municípios, 835,72 km² (quase 36%) são áreas onde agricultores familiares ou não exercem atividades ligadas ao agronegócio. São exemplos: bananicultura, olericultura, horticultura, citricultura, cana-de-açúcar, pecuária leiteira e fruticultura diversificada, inclusive orgânica.

Ao cruzar as movimentadas vias da região mais populosa do Espírito Santo (49,25% dos habitantes do Estado, segundo o IBGE em 2019), parece impossível conhecer a relevância da Grande Vitória em algumas atividades agropecuárias. Enquanto Cariacica conta com a maior área de produção da banana orgânica da América Latina, Guarapari será o primeiro município capixaba de clima quente a colher uva este ano. Por sua vez, Viana quer se tornar a “Capital dos Orgânicos no Espírito Santo”, como veremos nos próximos dias nesta série de reportagens especiais.

De acordo com o Proater, a Grande Vitória conta com 1.937 estabelecimentos de agricultura familiar, 71 organizações rurais, entre associações e cooperativas, além de 182 agroindústrias familiares (Confira gráfico abaixo). Vale destacar ainda a representatividade dos municípios metropolitanos no agro capixaba. Dados relativos a 2019 e divulgados no nosso “Anuário 2020” mostram Fundão líder na produção de mel (12,11%) e Guarapari como segundo município na produção de látex, com 13,93%. No mesmo ranking, Serra aparece em terceiro lugar (10,56%) na cultura da seringueira.

O coordenador do Centro Regional de Desenvolvimento Rural (CRDR) Metropolitano do Incaper, Luiz Carlos Bricalli, destaca o diferencial do movimento agro da Grande Vitória.

“A região metropolitana é onde está localizada a Ceasa, o principal entreposto de distribuição dos produtos agropecuários que irão abastecer a extensa rede de supermercados. Ao mesmo tempo, inúmeras feiras livres acontecem todos os dias, proporcionando a oferta de alimentos frescos e de qualidade para os consumidores. Os próprios municípios metropolitanos fornecem uma produção diversificada, com destaque para as agroindústrias artesanais de derivados de leite, polpa de frutas e panificação”, diz.

*Divulgação

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha, acredita numa aproximação entre o urbano e o rural na troca de experiências e na geração de oportunidades.

“Há uma necessidade imperiosa dos setores urbano e agro se aproximarem e se conhecerem mais. Existe um nicho amplo que pode ser colocado em prática. Por exemplo, as prefeituras podem fazer comodato com lotes para aliviar imposto e concessão para hortas comunitárias e intensificar um trabalho com detentos para que possam produzir alimentos, como já fizemos com auxílio do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) em Viana”.

E para Rocha, não é preciso morar no interior das grandes cidades para viver um pouco do agro, uma experiência potencializada pelos urbanos na quarentena desta pandemia.

“Para quem mora em apartamento é possível desenvolver produções de hortaliças e plantas ornamentais em vasos e também hidropônicos. Já em pequenas áreas há também a oportunidade de criar animais de pequeno porte, claro que utilizando produção sustentável para ensejar o consumidor uma noção exata de segurança alimentar. O que para muitos nessa pandemia virou terapia, pode se transformar em lucro”, finaliza o presidente da Faes.

*Fonte: Proater Metropolitano (2020-2023)- Incaper


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