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ES faz levantamento inédito sobre Pancs

Incaper lista as Plantas Alimentícias Não-Convencionais mais comuns de norte a sul do Estado para fomentar agricultura familiar e gastronomia

Por Leandro Fidelis
5/02/2020 9h51
Atualizado em 2/03/2020 9h39

*Foto Reprodução O Globo

Um grupo do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) iniciou um levantamento inédito sobre o uso das Plantas Alimentícias Não-Convencionais (conhecidas pela sigla Pancs) no Espírito Santo. A ideia é aproximar a agricultura familiar e a alta gastronomia para um novo ambiente de negócios no Estado.

Ainda neste semestre está previsto um evento promocional reunindo os principais chefs de cozinha da Grande Vitória. As reuniões de trabalho começaram há três semanas com a participação do engenheiro agrônomo Enio Bergoli, da bióloga Fabiana Ruas, do pesquisador da Embrapa Pedro Galveias e da chef Marja Akina (Restaurante Cosmô).

O grupo iniciou excursões de norte a sul do Estado em busca de documentar hábitos alimentares extintos ou ainda presentes nas comunidades tendo como base as Pancs. Já foram visitadas localidades como Barra do Jucu (Vila Velha), Aracruz, São Mateus e sul capixaba.

Reunião com produtores da comunidade Nativo, zona rural de São Mateus. (*Foto: Divulgação)

Com experiência de 20 anos, Fabiana afirma que existem muitas plantas com potencial para a gastronomia. Só para citar algumas, são exemplos o tomate silvestre, o peixinho da horta, a castanha da sapucaia e o araçá-boi. A bióloga está montando um mostruário para testes iniciais.

“Estou articulando uma rede de produtores e fornecedores para este projeto que estamos construindo. Pancs são aquelas plantas do mato que usávamos antigamente na roça e que agora estamos tentando resgatar e dar uma cara mais contemporânea, aliando nutrição e sabor”, diz Fabiana Ruas.

Segundo o agrônomo Enio Bergoli, a alimentação mundial se baseia em 300 espécies de vegetais, contra milhares de Pancs ainda não exploradas nutricionalmente. Ele informa que, em 1984, um pesquisador alemão levantou que 90% do alimento mundial era proveniente de apenas 20 espécies vegetais.

Grupo de trabalho em uma das primeiras reuniões.

Ainda de acordo com Bergoli, no Espírito Santo muitas Pancs estão em biomas de Mata Atlântica ou são oriundas de manejo sustentável em sistemas agroecológicos de produção orgânica e não têm custo de produção.

“As Pancs vão gerar oportunidades no segmento da gastronomia aliada ao turismo e os agricultores de base familiar poderão se beneficiar. Temos que nos atentar também à priorização da alimentação saudável para gerar novos negócios. Este mercado já está bastante evoluído em São Paulo e precisamos de uma ação mais organizada entre setor público e privado para oportunizar os capixabas”, afirma.

Além de saborosas em diversas possibilidades de consumo, as Plantas Alimentícias Não-Convencionais são nutritivas e fazem bem à saúde. “Muitas plantas listadas com ajuda dos produtores eu já trabalhava na Pastoral da Saúde por meio de oficinais de chá e xarope. O objetivo é fomentar a alimentação saudável, mas de um jeito mais saboroso e criativo. Por isso a importância dos chefs, que pegam a planta do mato e imprimem sabor diferenciado”, finaliza Fabiana.

Algumas Pancs mais comuns no Espírito Santo:

- Tomate silvestre (foi a base da moqueca no passado)
- Castanha da Sapucaia
- Fruta-pão
- Araçá-boi
- Ora-pro-nóbis
- Peixinho da Horta

O que são Pancs?

Plantas Alimentícias Não Convencionais são plantas com potencial alimentício e desenvolvimento espontâneo, porém não são consumidas em larga escala ou são utilizadas apenas em determinada região. Um exemplo é a Vitória-régia, que é uma planta que contém um fruto alimentício, mas poucas pessoas sabem disso.


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