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‘Marias Cevada’ agregam arte cervejeira à hospitalidade nas montanhas

Filhas de proprietários de pousadas conhecidas em Venda Nova do Imigrante investem em profissionalização para tocar cervejarias artesanais

Por Leandro Fidelis
13/01/2021 8h00
Atualizado em 8/02/2021 15h11

*Fotos: Leandro Fidelis

O ambiente empreendedor do agroturismo de Venda Nova do Imigrante, na região serrana capixaba, estimulou duas jovens da cidade a se dedicarem à fabricação de cervejas artesanais no quintal das pousadas das famílias. As sommeliers de cerveja Eliza Bottacine Dalvi (23), filha dos proprietários da Pousada e Restaurante Bela Aurora, e Larissa Grecco (27), da Pousada Grecco, se profissionalizaram e criaram cervejarias próprias para agregar à oferta turística nas montanhas do Espírito Santo.

Em turmas diferentes, a dupla frequentou o mesmo curso da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), de Blumenau (SC), ministrado em Vitória, que concede certificação nacional e internacional por conta da parceria com uma instituição alemã. Segundo Eliza, o primeiro choque de realidade foi no primeiro dia de aula. “Éramos somente quatro mulheres entre 42 alunos”, conta a também técnica em agroindústria e em conclusão do curso de Ciências de Alimentos pelo Ifes- campus Venda Nova.

Ainda no ensino médio, a sommelier já fazia práticas de bebida e teve o primeiro contato com a produção de cerveja. Mais interessada no assunto, passou a provar diferentes rótulos por meio de um clube de assinatura e foi adquirindo ainda mais conhecimento na faculdade, além de cursos no Estado e pela internet. “A ideia era fazer como hobby receitas prontas para os amigos e familiares provarem. Daí vi que podia conciliar com o restaurante a aproveitar o ‘boom’ das cervejas artesanais. Pensei: tem um mercado aí!’, conta Eliza.

A jovem investiu em equipamentos para produção caseira e há três anos lançou a “Aurora Cervejaria”. Atualmente, produz 120 litros por mês da bebida, nos estilos Apa, Ipa e Witbier, e também outras frutadas, entre elas uma de bergamota para o inverno. A cerveja engarrafada só está disponível para consumo no restaurante da pousada, uma vez que o registro ainda não saiu. “A região tem muito potencial para ser Rota Cervejeira. Será muito positivo para nós”.

Neste mês, Eliza Dalvi deu início à construção da sede da “Aurora Cervejaria”. Prevista para ficar pronta ainda no próximo ano, a obra de aproximadamente 500m² terá capacidade para produzir 2.500 litros de cerveja artesanal e um bar anexo, que vai servir a bebida e petiscos aos finais de semana. O empreendimento vai embelezar ainda mais o cenário verde do outro lado do lago onde os turistas passeiam de pedalinho.

“O mercado ainda é estritamente masculino, mas a gente chegando com essa capacidade podemos mostrar que mulher também entende e faz cerveja boa. As pessoas estão valorizando mais a mulher em espaços que antes não eram tão femininos. Nossos amigos adoram trocar ideias, porque temos perspectivas diferentes. Nunca sofri preconceito e acho que isso só tem a melhorar”.

Ela largou o Direito para tocar a 2ª cervejaria registrada da cidade

A bacharel em direito Larissa Grecco ia concluir o estágio na área, na capital, quando decidiu voltar para casa e ingressar no universo cervejeiro. Além do curso de sommelier pela escola catarinense, comprou treinamentos on-line, testou receitas e teve o apoio dos pais para construir a Cervejaria Grecco no mesmo terreno dos chalés da família, no Km 03 da Estrada dos Produtores, no distrito de Alto Caxixe.

Com apoio do marido, Vitor Caliman (28), também aluno da ESCM, Larissa tocou a construção do empreendimento. A pandemia da Covid-19 atrasou as obras, e o espaço só foi aberto ao público em julho. Em novembro, a Cervejaria Grecco conseguiu o registro do Ministério da Agricultura (Mapa) e passou a ser a segunda do município apta à comercialização.

O local é ambientando em meio ao verde da localidade, sobre um imenso deck de madeira, onde os visitantes podem apreciar a paisagem e degustar oito estilos de cerveja, entre elas tradicionais como a Pale Ale. A bebida sai direto das biqueiras na forma de chopp e ainda não é engarrafada. De acordo com a sommelier de cerveja, 80% da clientela são hóspedes dos chalés e turistas em visita à região.

O bar emprega quatro pessoas e só abre aos sábados e domingos durante o dia. A fábrica fica separada, na parte de trás da casa da família, onde são produzidos 3.000 litros de cerveja por mês. O dia de produção é puxado, relata Larissa. “A gente trabalha em torno de quatorze ou dezoito horas, mas já chegamos a ficar vinte e quatro horas na produção”.

A jovem e o marido têm planos para vendas externas da cerveja Grecco agora que a cervejaria está legalizada junto ao Mapa. “Espero que o mercado de cervejas artesanais cresça bastante, porque atendemos um leque gigante de clientes”, finaliza.

“Às vezes, os rapazes estranham uma mulher no meio da cerveja e fazem brincadeiras sem perceber nossa presença. Acredito o trabalho feminino no ramo tem muito a crescer e o cenário vai mudar”.

*O termo “Maria Cevada” do título desta reportagem é uma referência ao blog de cerveja artesanal criado pela jornalista Amanda Henriques e pelo publicitário Anderson Senne.

*LEIA TAMBÉM: Mais mulheres do ES atuam na produção artesanal de cerveja


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