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Anuário do Agro Capixaba


Citros capixaba tenta se reerguer depois da seca

A laranja, a tangerina e o limão sofreram com a seca e se preparam para enfrentar um novo desafio: o greening

Por Fernanda Zandonadi
18/03/2020 11h45
Atualizado em 19/03/2020 13h01

(Foto: *Divulgação Incaper)

A citricultura no Espírito Santo, que envolve a produção de limão, laranja e tangerina, sofreu muito com a seca de 2014 e 2015. Tanto que a produção das três culturas teve uma queda grande em 2015 e 2016, principalmente.

“Se fizermos a leitura do clima e o impacto na citricultura, podemos falar que a cultura que mais sofreu foi o limão. Os pomares foram muito castigados. A tangerina também sentiu bastante a seca, mas por ser produzida em municípios mais altos e frescos, o impacto não foi tão negativo. Já a laranja também teve queda, mas muitos pomares são irrigados, o que reduziu o impacto da falta de água”, explica o pesquisador do Incaper, Flávio de Lima Alves.

A pressão externa também afeta bastante a produção capixaba. Grandes produtores, como São Paulo e Sergipe, enviam suas frutas para o Espírito Santo e abocanham uma fatia considerável do mercado interno. “Apesar disso, vemos que a maior parte dos municípios capixabas tem pomares com essas frutas e tentam ganhar mercado com elas”, ressalta Alves.

A forma de cultivo também é um empecilho para o crescimento dos citros no Estado. Nosso Estado é um grande produtor de café. E as duas culturas têm muitas pragas em comum. Na prática, quando o café é colhido, alguns vetores de doenças migram para as plantações de laranja, tangerina e limão, caso da mosca da fruta.

“O cafeeiro tem um fruto doce, que atrai a mosca e outras pragas. Acabou a colheira, essas moscas migram para as outras plantações. E essa mosca da fruta é uma praga mundial”, revela Alves.

Outra praga que já tirou o sono de muitos produtores é a pinta preta, que desencadeou uma crise no setor entre os anos de 2001 e 2008. “Perdemos quase mil hectares por erradicação do Idaf. Ainda estamos tentando recuperar essa área. Tivemos que acabar com alguns pequenos pomares”.

A doença que preocupa atualmente é uma bactéria batizada de Candidatus Liberibacter asiaticus, causadora do greening, uma das pragas de citros mais temidas, por ser de difícil controle e rápida disseminação. A bactéria obstrui os vasos condutores de seiva, dificultando a nutrição da planta. Não há ocorrência de greening no Espírito Santo, e a manutenção desse status é extremamente importante para preservar a citricultura capixaba. E o Estado está em alerta pela proximidade desta doença, que já foi detectada em São Paulo e Paraná, e recentemente chegou ao Sul de Minas Gerais.

“Essa doença foi encontrada onde há um núcleo de produção de cítricos. A preocupação é se essa praga pode chegar ao Espírito Santo por meio de mudas de outros Estados. Por isso esse alerta e o monitoramento”, explica Alves.

Bons exemplos, boas colheitas

(Foto; Leandro Fidelis)

Se a citricultura capixaba passa por um momento delicado e de alerta, ainda cultiva bons exemplos, como o que ocorre no Caparaó, onde se trabalha com novas variedades de laranja, mais resistentes, segundo Flávio de Lima Alves.

(Foto: *Divulgação)

“A finalidade do projeto é utilizar as cultivares em ações de diversificação agrícola nas pequenas propriedades rurais, em dez municípios do Caparaó. Para isso, o uso de combinações de porta-enxertos e variedades-copa de citros adaptadas às diferentes regiões do Estado do Espírito Santo, poderão reduzir os riscos de ataques de pragas e doenças, bem como agregar características desejáveis, como escalonamento da colheita, aumento da produtividade e melhor qualidade dos frutos para atender às exigências do mercado, seja de mesa ou para a indústria”, revela.

Esta matéria faz parte do Anuário do Agronegócio Capixaba, disponível AQUI na íntegra!


 

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