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Nosso mamão ganha o mundo

O mamão capixaba supera a seca e mantém seu fruto de qualidade

Por Fernanda Zandonadi
11/03/2020 16h25
Atualizado em 23/03/2020 19h38

(Fotos: *Wilton Júnior/Arquivo Safra ES)

A seca que assolou o Espírito Santo entre 2013 e 2016 teve um peso importante na produtividade do mamão. Se em 2014 a produção alcançou quase 400 mil toneladas de frutos, em 2016, ápice da crise hídrica, foram colhidos 251 mil toneladas, mesmo sem grande mudança na área plantada.


“Além da pouca chuva, em algumas cidades as bombas foram lacradas pelos responsáveis pela liberação da água, o que dificultou a irrigação. A água ficou direcionada para o consumo humano e animal”, explica o pesquisador do Incaper, Renan Batista Queiroz.


A resiliência do produtor falou mais alto e, com a volta das águas, em 2019, foram colhidos mais de 402 mil toneladas de mamão no Estado, especialmente nos municípios de Pinheiros, Linhares, São Mateus, Pedro Canário e Montanha, principais produtores.


“Em 2017, com o retorno da chuva, começou uma nova produção. O preço também teve um peso grande no incentivo ao aumento do plantio”, ressalta.


O mamão é uma cultura importante para o Espírito Santo. Apesar de Pinheiros ser o maior produtor, Linhares é o principal exportador do fruto no Brasil. Considerado de grande qualidade, o mamão do Norte do Estado vai para mercados da Europa e dos Estados Unidos. Para chegar ao consumidor externo, o processo é longo e bastante cuidadoso. Manejo, plantio, colheita, seleção de frutas. Tudo é feito com cuidado e visando à qualidade de cada produto que sai do Norte do Estado. “Somos o maior exportador, apesar de o maior produtor ser a Bahia. O mamão de Linhares tem mais qualidade”, diz o pesquisador.


E um fruto tão bom teve uma mão do melhoramento genético. Doçura, coloração, resistência no pós-colheita são características marcantes do mamão capixaba. Além disso, a produção é maior por planta e os mamoeiros são mais resistentes. Todo processo é cuidadosamente observado para ter o melhor fruto possível.


“Há período para colher, já que o mamão deve estar um pouco mais verde. Há controle de pragas, como a mosca da fruta, com esse processo. Além disso, as plantas infectadas, por lei, devem ser cortadas para não contaminar as demais. A irrigação com fertilizantes e a adubação foram muito adotadas pelos produtores. Eles acreditaram no melhoramento e na tecnologia e hoje somos referência nacional na cultura”, explica Renan Batista Queiroz.


O mamão está entre as sete primeiras frutas da pauta de exportação do Brasil. O Espírito Santo continua sendo o maior exportador dessa fruta, basicamente para países da União Europeia. Entretanto, menos de 1,6% do mamão brasileiro é exportado devido ao mercado internacional ser altamente competitivo, cada vez mais exigente em produtos com elevado padrão de qualidade e restritivo em relação aos problemas fitossanitários.


No Estado, há dois tipos de mamão: Solo e Formosa, sendo que o Solo (também chamado papaya) é o mais produzido. Menores, esses mamões ganharam o mercado com a mudança de hábito do consumidor. “Hoje as famílias estão menores, com poucos filhos, então um mamão grande como o Formosa pode gerar perdas. O Solo, por outro lado, é comido inteiro, na hora, sem desperdício. O Formosa, por outro lado, é bastante vendido para hotéis, onde há grande consumo. É um mamão delicioso, muito doce".


Produto de valor


O retorno financeiro da cultura incentiva, e muito, o aumento na produção. Além da exportação, é um produto com retorno semanal. Quando a colheita começa, não para, segundo Queiroz. “É um dinheiro constante, diferente do café que gera uma renda anual. E com a oscilação dos preços, quem produz fora de época ganha muito dinheiro. Se em alguns momentos o preço da caixa fica em torno de R$ 0,40, há épocas que alcança os R$ 6. A dica para o produtor é: quando ganha muito, se previna para o preço baixo. Aí você terá um retorno constante”, salienta o pesquisador.


O aproveitamento de área também é importante. Hoje, há o cultivo de mamão consorciado com o café. A planta dura dois anos, tempo exato para o crescimento e início da produção do cafeeiro. Quer dizer, o solo usado está em constante produção e o dinheiro, caindo sempre no caixa do produtor.


Esta matéria faz parte do Anuário do Agronegócio Capixaba, disponível AQUI na íntegra!


 

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