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Altas produções não garantem lucratividade

Por Redação SafraES
7/05/2020 15h55
Atualizado em 14/05/2020 21h28

(Foto:*Arquivo Safra ES)

O Brasil caminha para se tornar “O celeiro do mundo”. A expectativa de safra recorde de grãos anunciada em abril pela Conab aproxima ainda mais o Brasil deste posto. Conforme mencionei no artigo anterior ("Oportunidades porteira a dentro: como o agronegócio capixaba está se fortalecendo em meio à crise”), o café (arábica e conilon) não participa nesses números, apesar de ser o Brasil o maior produtor e exportador mundial e o Espírito Santo, o segundo estado maior produtor brasileiro.

A cafeicultura é a principal atividade agrícola em 80% das propriedades rurais capixabas. A primeira previsão da Conab realizada em janeiro deste ano, anterior aos efeitos da crise na saúde, indicou que o Estado pode colher a maior safra da história da cafeicultura no território capixaba, um total de 13 a 15 milhões de sacas. O café arábica é a principal fonte de renda em 80% das propriedades rurais capixabas localizadas em terras frias e montanhosas e o conilon, com o mesmo percentual, renda em terras quentes.

Comemoram-se safras recordes, entretanto, produzir mais não é sinônimo de lucratividade. Quais os resultados financeiros para o produtor nessa cadeia? A atividade tem sido rentável para o produtor rural em que escala? Quanto essas altas produções têm deixado no caixa do produtor rural quando os preços dos produtos são ditados pelo mercado, principalmente no caso de commodities, como o café?

Apesar de o café responder, em média por 35% do valor bruto da produção agropecuária capixaba, não é a única atividade exercida pelos produtores. É comum encontrarmos propriedades rurais que cultivam, além do café, hortifruti, mamão, banana, pimenta-do-reino, atuam em atividade leiteira ou avícola, entre outros. Há também aqueles produtores para os quais apesar de não terem o café como atividade principal, a cafeicultura acaba fazendo parte do negócio, exemplo de empresas agrícolas produtoras e exportadoras de mamão, produtores de banana e tomate, criadores de gado de corte. Em muitos casos, a diversificação vem principalmente como incremento de renda, principalmente para pequenos produtores que, na sua maioria, são os que representam o maior número de propriedades rurais capixabas.

A diversificação pode gerar ganhos econômicos diretos e indiretos vinculados, principalmente, à redução dos custos de produção, à obtenção de vantagens ambientais e à redução do impacto econômico oriundo de diversas crises no setor rural. Por outro lado, a diversificação é também um desafio na gestão da propriedade e, apesar da maioria dos produtores rurais atuarem em pequenas propriedades, isso, definitivamente, não significa que esses produtores não estejam lucrando com seus negócios.

Mas, como saber se a empresa agrícola, a propriedade rural, independente do seu tamanho, está mesmo no caminho certo?

Essa é uma resposta indispensável a qualquer empresa, principalmente em setores altamente competitivos como o agronegócio. Além de bons produtos, uma gestão eficiente garante o sucesso e a sustentabilidade da propriedade rural.

É fato que os produtores rurais vêm resistindo heroicamente aos planos de governo ao longo dos anos e passando por sérias dificuldades diante dos reflexos econômicos, hídricos, de mercado e, atualmente, da crise na saúde. Por outro lado, as crises nos ensinam que existe solução para os problemas quando sabemos utilizar das oportunidades sob o nosso controle. E no caso do agricultor, ele pode controlar tudo da porteira pra dentro e acredite, ali existem inúmeras oportunidades.

Aumentar a produtividade e lucratividade da propriedade faz parte das estratégias de crescimento de um negócio rural. A melhor alternativa para tornar um negócio rentável e próspero às gerações futuras e ter certeza de que as decisões tomadas são as mais apropriadas para o momento, seja em momentos de crise ou de bonança, é ter um planejamento rural que contemple boas práticas de gestão, o que confere ao produtor o diferencial competitivo.

Planejar as atividades da propriedade nunca foi tarefa fácil, principalmente quando essa é diversificada. Justamente por causa dessa diversificação o planejamento é essencial, afinal, como em qualquer outro segmento, um planejamento eficaz pode aumentar a produtividade, e a lucratividade consequentemente, além do produtor conseguir perceber claramente qual atividade está sendo rentável e qual atividade não está sendo rentável, os motivos e as oportunidades em cada uma delas.

Qualquer propriedade rural pode ser lucrativa e isso independe do seu tamanho.

Nos últimos anos, a evolução em tecnologia foi determinante para o avanço das lavouras em produtividade e qualidade. Sistemas de irrigação mais eficientes, clones e variedades mais produtivos e resistentes tanto a pragas e doenças quanto às intempéries climáticas, novas máquinas e implementos, novos sistemas de produção, são alguns fatores que fazem do agricultor capixaba uma referência.

Essa evolução também é responsável por manter o Espírito Santo como o segundo maior produtor de cafés do Brasil, ser referência na exportação de mamão, produção de aves e ovos, celulose, na produção de hortifruti que abastece não só o mercado capixaba como também outros estados brasileiros. Porém, esse salto em tecnologia, não foi acompanhado pela profissionalização na gestão da propriedade agrícola. Focados no objetivo principal de fornecer alimentos de qualidade aos consumidores, os agricultores e, especialmente os mais tradicionais, acabaram por deixar a gestão em segundo plano.

Para que essa evolução alcançada em produtividade e qualidade seja também uma realidade no resultado final da propriedade, que é a lucratividade e sustentabilidade do negócio, é de fundamental importância que o produtor tenha clareza de alguns aspectos que envolvem sua atividade:

1. A propriedade rural é uma empresa e, sendo tratada como tal, evita perdas em termos de geração de valor;

2. Negócios da vida particular, quando separados dos negócios da propriedade, possibilitam a distinção adequada dos custos com a atividade agrícola;

3. Cada atividade dentro da diversificação possui suas peculiaridades, sendo primordial definir um objetivo claro para cada uma delas, separadamente;

4. O controle dos custos gerados na produção e comercialização dos produtos auxilia o produtor com informações valiosas que influenciarão diretamente na tomada de decisões;

5. Eliminar despesas também exige conhecimento e estratégia;

6. O planejamento da comercialização contribui para posicionar o produto assertivamente no mercado, diminuindo o impacto do mercado na determinação do preço do produto final.

Diversos são os benefícios resultantes de um processo de gestão eficiente em empreendimentos rurais como por exemplo: maior confiança e assertividade na apuração dos resultados financeiros e operacionais da propriedade, compreensão mais precisa dos principais desvios e problemas que ocorrem na operação e elevação da capacidade e agilidade na captação de recursos financeiros.

Todo processo de mudança é desafiador e, por isso mesmo, o empresário rural precisa contar com o apoio de profissionais especializados para auxiliá-lo na maturidade da gestão. Estude sobre o setor. Troque experiências com pessoas qualificadas do seu segmento. Comece simples, evolua nos controles gradualmente, mantenha disciplina durante o processo mas não deixe de começar. Comece agora mesmo.

A implantação dessas e outras práticas de gestão pode garantir a sustentabilidade do seu negócio e a perpetuação do seu legado.

*Nara Sthefania Tedesco- Consultoria no Agronegócio, Redução de Custos, Planejamento Financeiro, Tributário, Fiscal e Sucessório- Engenheira agrônoma e sócia Studio Agro


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