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Cafés do Brasil: Estratégias para a Agenda Internacional

Por Cecafé
19/01/2021 16h03

O ano de 2020 e as expectativas para 2021 tem norteado a agenda global. Tem sido um período de pandemia da Covid19, impactos na vida das pessoas e na economia dos países, na busca por soluções para que as sociedades possam voltar à uma relativa normalidade o mais breve possível.

A despeito de todos os impactos negativos, a sustentabilidade da agropecuária brasileira foi o alicerce para que o País mostrasse avanços e recordes, pois pela segunda vez na série histórica, as exportações do agronegócio nacional ultrapassaram USD 100 bi em 2020.

Seguindo o ritmo do agronegócio, o café brasileiro apresentou recorde absoluto, com 44,52 milhões de sacas embarcadas e USD 5,63 bilhões de receita cambial, um crescimento de 9,4% e 10,3%, respectivamente.

A organização, competitividade e eficiência do setor exportador de café foram fundamentais para o sucesso de todas os elos da cadeia produtiva. Como exemplo, o índice IPEP, que mede a transferência de preço FOB exportação de café ao produtor.

O IPEP Conilon para o terceiro trimestre de 2020 subiu para 89,0%, valor exatamente igual ao IPEP-C médio do ano de 2019. O IPEP Arábica para o terceiro trimestre de 2020 caiu para 72,7%. É significativo destacar que o IPEP do terceiro trimestre ainda representa que um elevado percentual do valor FOB é transferido para os preços internos.

Somado a isso, a competividade e organização do setor exportador é demonstrado pelo amplo uso de ferramentas dos mercados futuros, por meio de contratos futuros para Hedge, e realizam operações de Barter para a compra de insumos e máquinas agrícolas.

Por meio do comércio exportador e as informações de mercado, os produtores conseguem aproveitar as janelas de oportunidade para otimizar a receita de venda da produção, o que está diretamente relacionado à sustentabilidade do agronegócio café brasileiro.

Além do volume recorde da safra 2020, observa-se a expressiva qualidade do café brasileiro, produzido seguindo leis ambientais e sociais rígidas, associado à sanidade e saúde dos trabalhadores e dos consumidores em geral. O reconhecimento da elevada qualidade do café brasileiro está demonstrado pelos volumes recordes certificado nas bolsas de commodities, como exemplo, os registros históricos da ICE Futures.

Em relação ao consumo global, constata-se o equilíbrio entre a demanda e a oferta, mesmo com os recordes de exportação do Brasil e o impacto da pandemia nos negócios. De acordo com informações de mercado, a demanda no varejo para o consumo dentro de casa tem compensado a retração com o fechamento de bares, restaurantes e cafeteria.

De acordo com a OIC – Organização Internacional do Café, o consumo mundial de café para o ano-cafeeiro 2019-2020 está estimado em 167,59 milhões de sacas, uma leve redução de 0,9% em relação ao que foi consumido em 2018-2019.

O ano de 2020 foi encerrado com mudanças na geopolítica global. Uma das significativas mudanças da gestão Biden nas relações internacionais possivelmente será o resgate da liderança que os Estados Unidos sempre exerceram na coordenação multilateral do mundo, baseada em conexões diplomáticas estratégicas como garantia da busca por maior estabilidade política, comercial, financeira, na garantia da paz, desenvolvimento e outros, principalmente na época pós segunda guerra mundial.

A retomada do Acordo de Paris, colocando o tema da anomalia climática no centro da sua política externa, comercial e de segurança nacional, o que certamente incluirá uma forte pressão para que o Governo Brasileiro demonstre seu compromisso na redução do desmatamento ilegal no país.

Os Estados Unidos desempenharam importante papel na criação de várias organizações internacionais cujo objetivo era promover a paz e os direitos humanos, evitar novas guerras, e as solução de conflitos (Organização das Nações Unidas), finanças e desenvolvimento (Fundo Monetário Internacional), comércio (Organização Mundial de Comércio), saúde pública (Organização Mundial de Saúde) entre outras.

Diante desse contexto, as atenções e esforços estão voltados para o ano de 2021. Por um lado, se aguarda por sucesso na disponibilização de vacinas para a Covid19, a recuperação econômica e um sólido novo ciclo das commodities agrícolas, energéticas e metálicas, o que é positivo para o Brasil. Por outro, as preocupações estão voltadas para as elevadas taxas de desemprego, o acentuado déficit fiscal dos países e limitações logísticas para a ampla imunização das populações. No caso do café, ainda não se sabe como será a recuperação do consumo fora do lar, importante componente para o mercado de café.

Em breve a Conab divulgará o primeiro levantamento oficial da safra de café 2021. Devido à bianualidade negativa e a seca observada em algumas regiões do café arábica, espera-se redução nos volumes produzidos. Em contrapartida, as expectativas para a produção de café conilon são positivas para o país.

É certo que a retomada e regularidade das chuvas, somado a safra recorde anterior, o Brasil seguirá abastecendo o mundo, cumprindo seus compromissos de qualidade e sustentabilidade.

Dessa forma, o CECAFÉ – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, como representante do comércio exportador de café do país, continuará a acompanhar com atenção o cenário político mundial e as mudanças nas regulamentações na União Europeia, EUA, entre outros.

Na assembleia geral do CECAFÉ, realizada em dezembro de 2020, o Conselho Deliberativo aprovou as prioridades para que a Organização esteja pronta para todos os desafios com base no novo Planejamento Estratégico do período 2021-2024.

Entre os objetivos estratégicos, aprimorar a representação institucional no âmbito nacional e internacional; promover maior dinâmica dos Comitês Técnicos; investir na comunicação e na presença digital dos Cafés do Brasil no mundo; fortalecer as ações de promoção da imagem de qualidade e sustentabilidade junto às embaixadas e torrefadores e parceiros locais; fortalecer os Programas de Responsabilidade Social e Sustentabilidade; modernizar relatórios e produtos oferecidos aos associados; entre outros.

O apoio do Conselho também foi demonstrado durante a avaliação do desempenho dos Programas como o monitoramento de resíduos, produtor informado e o planejamento para as novas temáticas de 2021, englobando as Iniciativas de Membros do Uso Correto e Seguro de Agroquímicos e da Área Social, com a coordenação da Plataforma Global do Café, CECAFÉ e INPACTO, bem como o projeto de Sucessão Familiar em fase de planejamento.

O ano de 2020 foi finalizado com muito trabalho, realizações e apoio do setor exportador. O ano de 2021 se avizinha como um ano cheio de oportunidades e desafios para o Brasil.

Com o apoio de todos os parceiros, instituições, dos associados exportadores e do Conselho Deliberativo, o CECAFÉ continuará seguindo em direção a sua missão: fortalecer a liderança absoluta do Brasil no mercado global de café, ampliando os preceitos de sustentabilidade e responsabilidade social.

Marcos Matos – Diretor Geral do CECAFÉ
Lilian Vendrametto – Gestora de Sustentabilidade do CECAFÉ


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