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Custos e renda na agricultura

Por Gilmar Dadalto
25/03/2020 18h20
Atualizado em 31/03/2020 13h23

Gilmar Dadalto é presidente do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro). (Foto: *Divulgação)

Os custos de produção geral de várias atividades agrícolas, entre janeiro de 2017 e janeiro de 2019, tiveram um aumento médio de 6,37%. O percentual é bem próximo à inflação oficial do período, de 6,7%. Dentre os itens que compõem os custos, pela primeira vez, em 12 anos que o Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro) realiza esse estudo, os serviços obtiveram um aumento médio inferior aos insumos, 5,3% contra 11,60%, respectivamente. O menor aumento dos custos dos serviços pode ter ocorrido em função da redução da capacidade de pagamento dos produtores rurais e aumento relativo da oferta de mão de obra, em virtude dos seguintes fatores: crise financeira brasileira aliada à crise hídrica capixaba, que reduziu a renda rural e elevou as taxas de desemprego; redução da demanda de mão de obra rural em função da redução de tratos culturais e aumento discreto no valor do salário mínimo do período em relação à inflação acumulada.

Apesar do menor aumento nos custos dos serviços, eles ainda são os que mais comprometeram os custos de produção, representando em média 68,5% do total, contra 31,5% dos insumos. Em algumas culturas como o eucalipto, em áreas não motomecanizáveis, os serviços representaram 88% dos custos totais de produção. Só as operações de colheita e transporte do eucalipto representam em média 60% dos custos dos serviços. Na cultura do café conilon, os custos dos serviços envolvendo colheita e pós-colheita também são significativos, representando em média 50,42% de todos os serviços.

Custos versus mercado

Avaliando as principais culturas, o estudo mostra que os custos de produção no café arábica variam de R$ 727,2/saca em baixas produtividades (10 sacas/ha), a R$ 298,71/saca em altas produtividades (60 sacas/ha). O ponto de equilíbrio da atividade, onde não ocorre nem lucro e nem prejuízo, está ligeiramente acima de 40 sacas/ha, considerando os preços médios de 2018. Ressalta-se que a maioria dos produtores não alcançam essa produtividade e que essa avaliação foi em relação ao valor do café arábica tipo 7 bebida rio com até 12% de umidade, por ser o mais comumente produzido. A produção de café arábica de qualidade superior pode reduzir o ponto de equilíbrio da atividade e aumentar a rentabilidade, pois possuem melhores valores de mercado.

No café conilon irrigado, os custos médios variaram de R$ 342,21/saca na produtividade de 45 sacas/ha e R$ 227,81/saca na produtividade de 120 sacas/ha. Considerando o café conilon não irrigado os custos médios foram de R$ 280,80/saca, bem acima do preço mínimo de garantia estabelecido pelo governo federal que é de R$ 210,00/saca.

Quedas nos preços de mercado também foram observadas em vários produtos da fruticultura. Contudo, algumas frutas como mamão, goiaba, abacaxi e morango apresentaram alta rentabilidade média, acima de R$ 15.000,00 por ha/ano, para aqueles produtores que conseguiram obter altas produtividades.

A silvicultura de eucalipto, por ser uma atividade mais rústica e de baixo risco, continua atrativa, em áreas da propriedade com baixa aptidão para outras atividades de alta renda, possuindo custo médio de R$ 67,6/m³ e lucratividade de R$ 1.895,82 ha/ano em uma produtividade de 40 m³/ha/ano, no programa produtor florestal da Suzano.

Em relação à pecuária leiteira, na produção de 10 litros de leite por animal por dia, o preço pago pelo produto foi ligeiramente superior ao custo de produção, possibilitando baixos ganhos na atividade (R$ 423,87 por hectare/ano). Na produção de 5 litros de leite por animal por dia, que é próximo a média estadual, considerando os custos totais (fixos mais variáveis), a atividade apresentou rentabilidade negativa.

Dentre as olerícolas, destaca-se a rentabilidade da cultura do tomate com lucro superior a R$ 50.000,00/ha.

Além do custo e rentabilidade média estimada nesse estudo, existem outros requisitos a serem considerados na tomada de decisão por parte do produtor/empreendedor rural como flutuação na demanda e valores de mercado, perecibilidade do produto, exigência de mão de obra, desenvolvimento tecnológico e riscos na produção, especialmente os climáticos, dentre outros fatores importantes do arranjo produtivo.


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