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Cage free: galinhas livres de gaiolas é tendência mundial

Galinhas livres de gaiolas: tradição do passado é a nova tendência na criação de aves poedeiras

Por Carla Caliman
11/10/2019 17h04
Atualizado em 1/11/2019 15h38

*Fotos: Carla Caliman

Garantir o conforto animal é a principal proposta do sistema cage free, que consiste na criação de galinhas livres de gaiolas. Diferente da produção convencional, onde as galinhas ficam presas em gaiolas coletivas que podem alojar até 12 aves, no cage free as poedeiras ficam soltas nas granjas, podendo exercer seus comportamentos naturais, como ciscar e se alimentar livremente. Um exemplo é uma granja localizada em Venda Nova do Imigrante, região das montanhas capixabas, que manteve a tradição familiar de granjas de piso e hoje busca o selo de bem-estar animal para agregar mais valor ao produto.

O bem-estar animal passou a ser uma tendência mundial atendendo a demanda de um mercado consumidor cada vez mais atento e exigente em relação à produção de alimentos. De acordo com o diretor executivo da Associação dos Avicultores do Espirito Santo (Aves), Nélio Hand, existe uma parcela da população preocupada em como são produzidos os alimentos e em quais condições são criados os animais, não só no que diz respeito às poedeiras. “O bem-estar animal é uma prática que deve ser base para todos os seguimentos”, reforça.

O foco, que antes era na produção, passou a ser o conforto dos animais, o que levou grandes marcas a anunciarem o interesse em trabalhar exclusivamente com ovos do sistema cage free. Hand constata que o novo conceito tem despertado o interesse dos produtores capixabas.

“No momento não temos números exatos da produção de ovos no sistema livre de gaiolas no Espírito Santo. Sabemos que alguns produtores estão migrando ou implantando o sistema para atender esse nicho”, observa.

A Granja Dom Bosco, localizada em Venda Nova, trabalha exclusivamente com núcleos sem gaiolas e é um exemplo de como a produção funciona na prática. O plantel com cerca de 50 mil aves produz em média 30 mil ovos vermelhos por dia. Segundo o proprietário Antônio Aldo Caliman, que comanda o negócio junto com a esposa, Josimeri Gagno Caliman, a criação e o manejo mais humanizados das poedeiras é uma tradição familiar iniciada há 50 anos.

A propriedade ainda mantém um sistema artesanal de produção dos ovos com início na recria, contando com oito núcleos - sendo dois mais modernos com sistema de alimentação automatizado. Cada núcleo é composto por ninhos, poleiros, bebedouros e comedouros coletivos utilizados livremente pelas poedeiras.

O recolhimento dos ovos é todo manual, feito em cestos, cinco vezes ao dia e a alimentação é com ração de fabricação própria- estrutura que propicia “galinhas mais felizes”, observa Aldo. “A galinha fora da gaiola fica solta, ela come, ela bebe água, ela cisca, é um processo muito próximo do que é natural da espécie. Hoje o consumidor quer a coisa o mais natural possível. Eu acredito que o consumidor vai perceber que nós fazemos em benefício próprio da natureza”, diz.

O produtor ainda salienta que grandes conglomerados da indústria anunciaram o interesse em adquirir ovos oriundos de granjas sem gaiolas que seguem as práticas do bem-estar animal. “Esse será um mercado certo”, diz. Diante dessa oportunidade, a Granja Dom Bosco atualmente se prepara para conseguir o selo de bem-estar animal, pois sem o certificado os ovos ainda são comercializados pelo preço convencional, mesmo tendo um custo mais alto na produção.

Humanidade

O fato de as galinhas serem criadas com “mais humanidade” aliado à qualidade dos ovos, foi primordial para a empresária Lucia Helena Cerqueira Lima Rocio, dona da loja Marietta Delicatessen, localizada na Rota do Lagarto, em Pedra Azul, escolher a Granja Dom Bosco como fornecedora. Lucia preza pela qualidade e procedência dos ingredientes utilizados na fabricação de doces, bolos e pães para oferecer aos clientes produtos de alto padrão.

O quindim, carro-chefe da Marietta Delicatessen, é o produto que utiliza mais ovos. São 30 gemas por receita. A empresária diz perceber a diferença no resultado final de sua produção. “Já tinha ouvido falar do sistema de criação de galinhas fora da gaiola e procurei um fornecedor que segue o sistema, que oferece mais humanidade. Esse ovo possui uma qualidade diferenciada dos ovos produzidos convencionalmente. A clara é mais dura, parecida com os ovos caipiras, o que contribui com o padrão de qualidade dos meus produtos. Estou muito satisfeita”, explicou.

CURIOSIDADES

Bem-estar animal

O bem-estar animal é norteado pelo que ficou conhecido como “As cinco liberdades do animal”. São elas:

1. Estar livre de fome e sede;

2. Estar livre de desconforto;

3. Estar livre de dor, doença e injúria;

4. Ter liberdade para expressar os comportamentos naturais da espécie;

5. Estar livre de medo e de estresse.
(*Fonte: Instituto Certified Humane Brasil)


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