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Cafeicultura


Entenda como a falta de contêineres pode afetar a exportação do café brasileiro

‘Todo mundo está sentindo o aperto’, disse o importador de café

Por Bloomberg
25/03/2021 9h08
Atualizado em 31/03/2021 11h19

“A logística tem sido uma dor de cabeça, lidando com a falta de espaço e contêineres”, diz importador (Foto: Pixabay)

A oferta de café nos EUA está encolhendo e os preços no atacado estão subindo, com o mercado fortemente atingido e se preparando para mais consequências de uma escassez global de contêineres, que afetou o comércio de alimentos.

Os estoques de café caíram para uma baixa de seis anos nos EUA, mesmo com a safra recorde do Brasil. E uma grande queda na produção após uma seca no país sul-americano deve levar o saldo mundial a um déficit nos próximos meses, assim que a demanda se recuperar.

“Todo mundo está sentindo o aperto”, disse Christian Wolthers, presidente da Wolthers Douque, uma importadora em Fort Lauderdale, Flórida, que estima que os custos de envio mais do que dobraram na América Latina. “Esses gargalos com os contêineres estão se transformando em um pesadelo.”

Embora as perturbações no mercado de carga tenham devastado o comércio global de alimentos em geral, os problemas no mercado do café mostram que a inflação de alimentos, já em alta, pode ser exacerbada com a reabertura das economias. Por enquanto, os torrefadores são capazes de sacar estoques em vez de aumentar os preços mas, com os estoques caindo e uma safra brasileira menor chegando, as tensões devem persistir.

Os futuros do café arábica em Nova York subiram cerca de 24% desde o final de outubro, após os danos aos produtores brasileiros. Em fevereiro, o estoque americano de grãos não torrados caiu 8,3% em relação ao ano anterior, para o menor patamar desde 2015, mostraram dados da indústria na segunda-feira.

Os estoques mais baixos significam menos proteção para amortecer o declínio esperado na safra do Brasil, agravando o aperto do mercado e dando suporte contínuo aos preços, dizem os analistas.

A Marex Spectron aumentou, este mês, sua estimativa de um déficit global de café para 10,7 milhões de sacas em 2021-22, em comparação com sua projeção anterior de 8 milhões de sacas, citando a menor produção de arábica brasileira após o clima adverso prejudicar as safras. O Goldman Sachs Group Inc. disse, em um relatório, que se a produção na América Central não melhorar nos próximos anos, o mercado entrará em um déficit estrutural devido à recuperação da demanda.

Nas instalações da Dinamo, uma das maiores operadoras de depósitos de café do Brasil, há muitos produtos esperando pelos contêineres. Na unidade da empresa no município de Machado, no coração do café de Minas Gerais, os grãos aguardam a chegada de 18 contêineres vazios, disse Luiz Alberto Azevedo Levy Jr., diretor da Dinamo. “Esses contêineres provavelmente levarão cerca de 15 dias a mais para chegar aqui em meio a gargalos no porto”, disse ele.

A situação, que se agravou ainda mais em março, provavelmente reduzirá o volume de café exportado pelo Brasil, disse Levy Jr..

“A logística tem sido uma dor de cabeça, lidando com a falta de espaço e contêineres”, disse Marco Figueiredo, trader e sócio da Ally Coffee, comerciante de cafés especiais que importa grãos de países como Colômbia, Guatemala e Brasil. “Estamos monitorando a situação e conversando com os clientes, alertando-os sobre o aumento dos custos.”

A A.P. Moller-Maersk A/S da Dinamarca, a maior empresa de navegação do mundo, disse que contêineres e navios fretados estão temporariamente indisponíveis para compra ou locação, aumentando o congestionamento e trazendo atrasos nos portos. A empresa tentou comprar ou alugar todos os contêineres disponíveis e está mantendo as unidades antigas em operação. Também está consertando outros que normalmente não faria, a custos mais altos, disse Maersk em uma resposta por e-mail a perguntas da Bloomberg.

“Esta é uma situação temporária, tanto em termos de padrões de compra quanto de disponibilidade de embarcações”, disse a empresa. “Esperamos que as coisas voltem ao normal durante o primeiro semestre de 2021.”

Por enquanto, muitos comerciantes estão tentando conter os aumentos de preços enquanto trabalham para atrair clientes de volta aos cafés e restaurantes. Há um crescimento constante no café, embora o segmento de alimentação fora de casa possa levar de dois a três anos para retornar aos níveis anteriores à Covid, de acordo com David Rennie, chefe das marcas de café da Nestlé SA.

Stefano Martin, gerente de vendas e exportação de marketing da rede italiana de cafés Diemme, disse que o negócio ainda não está sentindo todo o impacto porque ainda está operando sob contratos feitos antes das interrupções no transporte. Isso pode mudar quando esses contratos forem renovados, disse ele. A empresa tem 26 restaurantes e cafeterias e, normalmente, importa 30.000 sacas em cerca de 90 contêineres do Brasil, Colômbia, El Salvador, Honduras, Tanzânia e Índia.

“Não há impacto do nosso lado ainda, pois fechamos todos os contratos antes de os preços subirem”, disse ele. “Mas provavelmente o próximo lote de contratos será cobrado de nós.”


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