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Cafeicultura


Poda Programada de Ciclo em Arábica: mais qualidade e produtividade nas montanhas

Sistema já testado com conilon garante volume maior de cafés especiais e evita safra zero

Por Leandro Fidelis
15/06/2020 17h30
Atualizado em 1/07/2020 19h07

O cafeicultor Cirineu Tozzi, de Caxixe Quente (Castelo) vem colhendo os resultados de três anos da implantação da PPCA. (*Fotos: Divulgação)

Imagine aumentar em 12% a quantidade de café cereja no momento da colheita e produzir 30% a mais num único galho? Essas são algumas das vantagens da Poda Programada de Ciclo em Café Arábica (PPCA), tecnologia de manejo desenvolvida desde 2008 pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e que vem apresentando excelentes resultados em ambientes situados entre 700m e 1.100m de altitude.

O novo sistema de poda foi desenvolvido com base nos princípios utilizados para o estabelecimento da poda programada de ciclo para o café conilon. O objetivo é oferecer ao agricultor familiar uma alternativa mais sustentável de manejo das lavouras, garantindo maior longevidade, com manutenção do potencial produtivo. Em Caxixe Quente, zona rural de Castelo, no sul do Espírito Santo, três cafeicultores apostam na tecnologia.

O pesquisador do Incaper, Abraão Carlos Verdin, afirma que, após sucessivas colheitas, é comum observar a perda de vigor dos ramos, que se tornam pouco produtivos, paralelamente com o aumento da altura das plantas. Com a poda programada, num ciclo de sete anos, as plantas morrem menos e evita-se a “safra zero”, com lavouras sem produzir por até dois anos.

Com a safra 2020 a pleno vapor, o cafeicultor já pode planejar o fim da colheita para implantar o sistema de poda inovador. “O produtor tem que observar o índice de produtividade da lavoura. Em lavouras com idade avançada e produtividade baixa, tem que interferir com sistema de poda”, diz Verdin.

Assista o especialista ensinando o passo a passo da PPCA

‘Técnica veio para ficar na região’, dizem cafeicultores

O cafeicultor Carlos Alberto Altoé está na primeira safra com aplicação da PPCA.

“Optei pela Poda Programada de Ciclo porque tinha lavouras com mais idade. Fiz a retirada da saia das plantas para ver como funcionava e observei que a maturação do café ficou melhor. A lavoura brotou mais intensamente, com produção de ramas muito significativa para a safra seguinte”, destaca Altoé.

Segundo o cafeicultor, outro fator positivo da tecnologia é a facilidade na colheita seletiva. A redução na mão de obra chega a 50% devido ao rendimento do trabalho na lavoura com poda programada.

“Tem meeiro colhendo dez a doze sacas por dia. Em outro modelo, na melhor das hipóteses, colhiam-se de quatro a cinco sacas. A maturação dos grãos está mais uniforme, claro, este ano o clima contribuiu, mas observei por vários anos que, em pés com saia grande e cheios de folha, a produção é baixa, maturação ruim e chance grande de dar café riado ou fermentado, porque o grão fica muito escondido”.

“A PPCA veio para ficar, contribuir ainda mais com a cafeicultura de montanha, melhorar a qualidade e a produtividade dos cafezais”, finaliza Carlos Alberto Altoé.

Outro produtor de Caxixe Quente, Cirineu Tozzi compartilha da mesma opinião do vizinho.


“Se tira a barra do café embaixo, a força fica toda nas ponteiras, então a maturação é muito mais uniforme”.

O segundo ponto é a facilidade de conseguir mão de obra para a colheita. "Todo mundo disputa a lavoura com poda para colher porque rende mais por dia”, avalia Tozzi, acrescentando ainda menor incidência de ferrugem com a circulação de ar na base da planta.

O cafeicultor ressalta o ganho de produtividade nos últimos três anos realizando a PPCA.

“No primeiro ano, colhi quarenta sacas de café pilado por hectare, no segundo, oitenta, e no terceiro, cheguei a cento e dez, o auge da produção. A média é de oitenta e cinco sacas por hectare por ano. Está sendo muito bom este sistema de poda”.

Na mesma localidade, Eduardo Tozzi destaca os benefícios do manejo fitossanitário de lavoura.

“Para pós-colheita, para pré-colheita, o manejo é mais fácil. Consegue-se um trabalho mais rápido e mais prático na lavoura”, diz.


A maturação mais uniforme é outro ponto positivo, segundo Tozzi.

“Retirando a saia, conduzindo mais a ponta, onde é mais arejado, a gente vê que pode melhorar a maturação mais uniforme para a colheita. Quanto mais grão maduro se colhe, consequentemente, a maturação será mais uniforme”.

O chefe do escritório do Incaper em Castelo, Edmar Celin, acompanha os resultados em Caxixe Quente e difunde a tecnologia da Poda Programada de Ciclo em Arábica (PPCA) juntamente a outros cafeicultores.

Entre as vantagens do sistema, o extensionista ressalta o volume maior de cafés especiais em uma propriedade, em torno de 12% a mais, e o aumento da produtividade e vigor da lavoura, com grãos de café com maior percentual de peneira 17.

Em três vídeos, o chefe do Incaper de Castelo mostra os resultados das lavouras com PPCA


Principais vantagens da PPCA:

- Redução média de 50% de mão de obra na colheita manual.

- Mais uniformidade das floradas e da maturação dos frutos.

- Aumento superior a 28% na produtividade média da lavoura em 5 colheitas.

- Elimina a safra zero na renovação da lavoura.

- Facilidade de entendimento e execução.

- Padronização do manejo da poda.

- Mais facilidade para realização da desbrota e dos tratos culturais.

- Menor pressão e melhoria no manejo de pragas e doenças.

- Mais estabilidade de produção na lavoura.

- Mais facilidade para realização da colheita.

- Possibilidade da colheita semimecanizada.

(*Fonte: Incaper)

*A maior parte das reportagens no ar neste período de quarentena é fruto de um trabalho colaborativo, em função da limitação para deslocar nossos jornalistas para campo. Os próprios agricultores estão contribuindo com fotos, áudios e vídeos para tornar o conteúdo jornalístico mais atrativo para você leitor!


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