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Cafeicultura


Produtores de café do Norte do ES estão preocupados com peso e tamanho dos grãos

Em São Mateus, por exemplo, o Sindicato Rural está com a perspectiva de uma queda de até 30% na produção

Por Tribuna do Cricaré
12/05/2021 10h45
Atualizado em 27/05/2021 12h59

A colheita 2021 do café conilon já começou e os agricultores do Norte do Estado estão preocupados com o peso e tamanho dos grãos que estão sendo colhidos. Em São Mateus, por exemplo, o Sindicato Rural está com a perspectiva de uma queda de até 30% na produção.

Presidente do Sindicato Rural de Jaguaré, Jarbas Alexandre Nicoli Filho detalha que começou a colheita em 3 de maio e já percebe os grãos com peso menor. Ele explica que, normalmente, um saco de café maduro colhido na lavoura corresponde a 15 quilos de grãos pilados. No entanto, o que já foi colhido na primeira semana teve redução para 12 quilos por saco, ou seja, uma queda de 20%. “Temos ouvido muito produtor da nossa região reclamando de volume de grãos no pé. Não tem o volume que a gente esperava”, acrescenta.

Como ainda é início de colheita, Jarbas Filho salienta que é preciso esperar pelo menos mais umas três semanas para ter uma percepção melhor e confirmar se essa constatação feita no início da colheita permanecerá. Mesmo entendendo que a situação já é preocupante na lavoura, ele tem esperança de que os frutos que ainda serão colhidos estejam com melhor peso.

Sendo assim, o produtor frisa que aguardará mais semanas para estimar o volume da produção deste ano. A princípio, acredita que deve permanecer na média de 2020, um pouco para menos ou para mais, com variação pequena.

Em São Mateus, o presidente do Sindicato Rural, Renilto Correia, e o vice-presidente Giordano Bruno Martin, já estimam uma queda de até 30% na produção. Eles também constatam nas lavouras do Município um menor volume e grãos mais leves.

Fatores climáticos

O cafeicultor Jarbas Alexandre Nicoli Filho afirma que a redução no volume e no peso dos grãos está relacionada a fatores climáticos. O presidente do Sindicato Rural de Jaguaré explica que, na primeira florada, em setembro de 2020, teve muita chuva e ventos que derrubaram as flores do café. E em dezembro e janeiro, que são períodos cruciais para o desenvolvimento do grão, houve escassez de chuva e calorão, o que também é prejudicial para a produtividade do café.

Vice-presidente do Sindicato Rural de São Mateus, Giordano Bruno Martin detalha que, além dos fatores climáticos desfavoráveis no período de desenvolvimento do fruto, os problemas podem estar relacionados ainda ao preço de insumos que sofreram inflação durante a pandemia. Sendo assim, afirma que muitos agricultores encontraram dificuldade para comprar adubo para fortalecer o enchimento dos grãos, por exemplo.

Renilto Correia acrescenta que alguns produtores também tiveram problemas com pragas como a cochonilha nas lavouras. Giordano sustenta que a perspectiva é faltar café no mercado, não apenas no Brasil, mas como nos principais mercados do mundo. Conforme disse, geralmente a escassez ocorre de forma específica em algum país, mas desta vez o mercado já trabalha com a possibilidade de faltar café de forma generalizada.

Ele detalha que isso acontece por diversos fatores como estiagem, economia, ou até mesmo a ocorrência de um furacão no Vietnã, que, assim como o Brasil, é um dos maiores produtores de café do mundo.

Mão de obra

Além de uma percepção inicial sobre o volume e o peso dos grãos, os produtores têm enfrentado outra dificuldade na colheita: escassez de mão de obra. Os presidentes dos sindicatos dos produtores rurais de Jaguaré e São Mateus, Jarbas Filho e Renilto Correia, respectivamente, não souberam definir qual o principal fator que está levando a essa falta de trabalhadores no campo.

Giordano acredita que a falta de colhedores está relacionada à pandemia do novo coronavírus. Ele frisa que a quantidade de trabalhadores que vinham de outros Estados está diminuindo neste ano. A dificuldade em encontrar mão de obra ocorre mesmo que haja um avanço na mecanização da colheita na região. Em Jaguaré, por exemplo, Jarbas Filho estima que 50% da colheita são feitas com máquinas. Ele reforça que isso leva a menos trabalhador por hectare, mas, ainda é necessária mão de obra qualificada, que anda escassa.


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