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Cafés especiais


Ator e cineasta lançam marcas de cafés especiais produzidos no ES

Artistas escolheram as montanhas capixabas para tocar produção com apelo sustentável. O próximo passo é concluir a implantação da agrofloresta

Por Leandro Fidelis
7/04/2021 19h00
Atualizado em 9/04/2021 11h56

O ator Rafael Cardoso no Sítio Conduru (Afonso Cláudio) onde mantém uma torrefação em parceria com o amigo Pedro Zoca. (*Fotos: Pedro Luz/Divulgação)

Do set de gravações para a produção de cafés especiais. Há seis anos, o cineasta Pedro Zoca (foto abaixo), do Rio de Janeiro, decidiu enveredar na atividade para tocar um projeto de vida paralelo. Ele escolheu as montanhas capixabas, mais precisamente o Sítio Conduru, em Serra Pelada (Afonso Cláudio) em sociedade com o amigo e ator Rafael Cardoso. Além dos cultivos, a dupla mantém uma torrefação no local e lançou duas marcas de café. O próximo passo é concluir a implantação da agrofloresta para tornar a propriedade sustentável.

São 7,5 hectares a 1.080m de altitude candidatos à certificação orgânica. Quando os amigos adquiriram o sítio, já haviam plantios de arábica, porém o uso de agrotóxico e fertilização química pelo antigo dono estavam distantes dos planos sustentáveis dos artistas. Foi preciso uma dieta “detox” nas lavouras, que ocupam 4 ha do sítio. De acordo com Zoca, no primeiro ano ele corrigiu o solo e iniciou a adubação com esterco. Este ano já é o sexto da produção de café sem uso de defensivos agrícolas.

“Contratei uma agrônoma, que me passou um plano de manejo com utilização de esterco e recomendou roçar o café para fazer cama de palha. Foi através dela que me informei mais sobre o sistema agroflorestal, mas naquele momento não tive muito interesse, pois pensei no trabalho que daria, embora tivesse pesquisado outro manejo sustentável, a permacultura, antes de comprar o sítio”, conta.

A busca por arábica de qualidade nasceu juntamente com a aquisição do Sítio Conduru. Ao produzirem café de excelência, o objetivo dos sócios é oferecer um produto de origem única e sabor, valorizando o produtor rural. Nessa meta, Pedro Zoca se dedica, principalmente, a melhorar os processos de secagem. Nos dois primeiros anos, os cafés atingiram 84 pontos. Já no terceiro, o cineasta levou amostras para a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte, que cravaram 89 pontos.

“Ali fiquei satisfeito, porque separo os cafés de qualidade conforme os métodos de secagem e colheita. O ‘Café Zoca’, por exemplo, vem do terreiro suspenso e é peneirado após a torra, enquanto o ‘Amor de Café' também é seco na estufa, mas no chão, sempre conto isso para o consumidor”, explica sobre as marcas à venda na Grande Vitória e na internet.

Agrofloresta

A transição do sítio para a agricultura sintrópica é gradativa e já começa a dar sinais positivos, relata Zoca. “Os pés de café estão saudáveis e carregados, mas os resultados serão consolidados mais adiante”, diz.

Durante a pandemia, o ator Rafael Cardoso implementou agrofloresta na fazenda dele no Rio e, desde então, o sócio passou a ficar atento à prática. Assistiu aos vídeos de Ernst Götsch e, ao receber um viveirista de Afonso Cláudio e o agricultor Willians Valério (que você conheceu nesta mesma série), no final do ano passado, percebeu a necessidade da adubação além do esterco orgânico para garantir a sustentabilidade desejada.

Zoca acabou fazendo curso com Willians, no Sítio Recanto dos Tucanos, em Alto Caparaó, e mergulhou de cabeça no assunto. A iniciativa está sendo irradiada na vizinhança de Serra Pelada. “Cheguei da cidade cortando o veneno da lavoura e os vizinhos diziam que meu café não iria sobreviver. Tem um bastante surpreso com os resultados, vendo a mudança do solo sempre protegido”, diz. O novo sistema inclui pés de recepa e outras linhas da lavoura onde foram introduzidas novas mudas.


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