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Cafés especiais


Movimento da qualidade do café integra o Rio de Janeiro

Por Leandro Fidelis
24/01/2020 9h51
Atualizado em 10/02/2020 21h43

Felipe Medeiros toca a produção de cafés especiais na Fazenda Pinheiro. (*Fotos: Divulgação)

Produtores da faixa limítrofe entre Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais estão protagonizando, no primeiro Estado, um movimento integrado com o Caparaó na ascensão da qualidade dos cafés. É crescente o número de cafeicultores neste mercado nos últimos dois anos no Estado fluminense.

Um exemplo é o de Felipe Medeiros (31), de Varre-Sai (RJ), no noroeste fluminense, município que faz divisa com Guaçuí, no sul capixaba. O cafeicultor é proprietário da Fazenda Pinheiro, uma construção de 1870, na localidade de Prata, onde produz o Café Pinheiro, vendido na propriedade e através das redes sociais.

Medeiros começou no mercado de especiais há cerca de dois anos com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RJ) e do Emater/RJ. A ideia sempre foi produzir cafés com o mesmo padrão de qualidade da região vizinha do Caparaó, onde os produtores vêm se destacando ano a ano com prêmios nacionais e aguardam a chancela da Indicação Geográfica para alavancar ainda mais os negócios.

“Para nós é um sonho chegar ao padrão de qualidade do Caparaó. Aqui é mais complexo, não temos muita altitude e o clima é mais quente”, diz Felipe.

A produção é restrita a microlotes de arábica. Em 2018, foram apenas duas sacas e apenas uma no ano passado.

“A expectativa está melhor para este ano. Já deu muito problema no início, mas o café está mais igual na lavoura e o clima está ajudando”, avalia o cafeicultor.

Felipe Medeiros aposta na troca de informações e na ampliação da rede de contatos para alavancar os negócios. Além disso, aproveita a vocação da propriedade centenária para o turismo rural.

“Dinheiro ainda não vi, mas estou tendo oportunidades de viajar, conhecer gente do ramo e realizando investimentos em estrutura na fazenda. O turismo rural é um chamariz na propriedade”.

O Rio de Janeiro tem na cafeicultura uma capacidade de geração de emprego e renda, com mais de 300 mil sacas por ano. Ao todo são cerca de 2.400 cafeicultores naquele Estado, segundo a Secretaria de Agricultura.

A sede antiga da fazenda foi construída em 1870.

Varre-Sai é destaque em concurso estadual

Em novembro passado, o município Varre-Sai se destacou no 3º Concurso de Cafés Especiais do Estado do Rio. Dos nove finalistas, sete são da região noroeste fluminense, sendo o maior produtor estadual por trás dos três melhores cafés.

Um dos vencedores do concurso foi o produtor Fabiano Antônio de Oliveira Rodolphi do Sítio Vai e Volta- na categoria Via Úmida (despolpado)- que obteve 84,81 pontos, ficando com o 2º lugar. Esta também foi a segunda maior nota do concurso, com a saca do café comercializada no valor de R$ 4.500,00.

O café da produtora Alyne Chryslla Silva de Almeida Rodolphi, da mesma propriedade, também obteve sucesso na categoria Via Úmida. A produtora ficou com a 5ª colocação com 82,56 pontos, com a saca vendida a R$ 2.700,00 para o Grupo Três Corações.

“Mais uma vez nós do Sítio Vai e Volta ficamos entre os finalistas nos concursos de café do Estado do Rio. Isto é algo que nos traz muita alegria, pois é o reconhecimento de um trabalho feito com muita dedicação e amor ao longo dos anos. É a comprovação que estamos trilhando o caminho certo”, disse Fabiano Rodolphi.

No Sítio Vai e Volta, os irmãos Fabiano e Fidélis, juntamente com as esposas Maria Auxiliadora e Chryslla trabalham o café da semente à xícara, com a produção de mudas de café, lavoura e microtorrefação de café.

“Agradecemos primeiro a Deus pela graça alcançada e à nossa família, que trabalha firme e unida diariamente. O prêmio foi possível porque cada um contribui um pouco. Agradeço ainda a Emater-Rio, ao Sebrae e Caparaó Júnior, que prestam assistência técnica ao Sítio”, afirmou o produtor Fidélis Rodolphi.

Outro produtor de Varre-Sai que teve destaque no concurso foi Geraldo Vargas de Moraes, do Café Vargas (Fazenda Ribeira e Soledade). Ele obteve 83,38 pontos na categoria Via Seca (Natural), ficando em 3º lugar. A saca foi comercializada por R$ 2.200,00.

“A participação no concurso é mais um motivo para se buscar a qualidade do café. Particularmente, 2019 foi complicado para se produzir café de qualidade, devido a vários fatores, principalmente os climáticos”, destaca Sérgio Vargas, que representou o pai Geraldo.

Ainda segundo o cafeicultor, a colocação do seu café como um dos melhores do Estado do Rio mostra o resultado de um trabalho iniciado em 2011 na fazenda. “É um trabalho levado a sério, que é a produção de café de qualidade, envolvendo toda a família e mais uma equipe de vinte meeiros que, com muito esforço, têm ajudado nesse sucesso”, completou.

A Fazenda Ribeira e Soledade nos últimos 20 anos participou de vários concursos todos com posição de destaque, sendo que em 2009 foi criado o Café Vargas que é uma marca consolidada em todo o estado no fornecimento de cafés especiais.

“É muito importante a participação do município no 3º Concurso de Cafés Especiais, mostrando que nossos cafeicultores estão interessados em melhorar a qualidade de nosso maior produto”, concluiu o prefeito de Varre-Sai, Silvestre Gorini.

O evento foi uma realização do Sebrae, Emater-Rio, Cooperativa de Café do Norte Fluminense Ltda (Coopercanol), Associação de Cafeicultores o Estado do Rio Janeiro (Ascarj), com apoio das Secretarias de Estado de Agricultura e Desenvolvimento Econômico. (*Com informações da Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Varre-Sai)


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