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Citricultura


Como obter lucratividade com citros?

Por Leandro Fidelis
2/10/2019 13h35
Atualizado em 21/10/2019 11h44

A colheita de diferentes variedades de tangerina começou em agosto na propriedade de José Rubens Zandonadi (foto) e irmãos, na divisa entre Venda Nova e Domingos Martins. (*Fotos: Leandro Fidelis)

A citricultura é sinônimo de renda certa para agricultores capixabas no período da entressafra do café. Em algumas regiões do Espírito Santo, a colheita prolongada mantém os pomares de tangerina Ponkan e limão Tahiti carregados fora de época. E devido à qualidade das frutas, é possível comercializar citros com valor acima do habitual.

Segundo o pesquisador do Incaper, Maurício Fornazier, enquanto regiões mais baixas como Melgaço e Biriricas, em Domingos Martins, apresentam potencial de irrigação para produzir Ponkan entre março e abril, em localidades acima de 900m de altitude como Venda Nova do Imigrante, o uso de porta-enxerto irrigado e técnicas eficientes de manejo prolongam a safra até novembro. Em geral, a safra da tangerina ocorre entre maio e julho.

Neste último município, a colheita das tangerinas maduras e com melhor aparência para conquistar o consumidor evita o estresse nas frutas ainda não colhidas e garante colheita tardia.

É o caso do produtor e agrônomo José Rubens Zandonadi e irmãos, na Fazenda São Lourenço 2, em Peçanha, a 9 km do centro. A colheita de diferentes variedades de tangerina começou em agosto.

As plantações estão localizadas a 1.100m de altitude e, neste inverno, a temperatura ficou entre 18 e 20 graus, clima bom para manter os 8.000 pés saudáveis. Os agricultores procuram usar menos defensivo possível, aproveitando a palha do café e adubo formulado, além de combater a mosca das frutas com armadilhas de garrafa Pet.

O resultado são frutas de alaranjado intenso, formato grande e bastante suculentas para serem consumidas in natura. “A gente observa que tanto o café amarelo quanto a tangerina alaranjada são sinal de que está na hora de colher.”, afirma Zandonadi, que cita a parceria com o Incaper e o Ifes.

A produção da propriedade fica em torno de 5.000 caixas de tangerina por ano, com média de produtividade de 3,5 caixas por pé. Os cultivos dividem espaço ainda com abacateiros e arábica.

Os produtores utilizam a mão de obra ociosa após o fim da safra do café e estabelece padrões de frutas de acordo com a necessidades dos compradores, dentre ambulantes, atravessadores, feirantes e Ceasa. O valor médio da caixa chegou a R$ 20.

A sorte também contou para o sucesso dos negócios. Segundo José Rubens, após pesquisar variedades de boa produtividade e de colheita tardia, encontrou no próprio quintal pés de tangerina Ponkan, com porta-enxerto da variedade Cleópatra, com cerca de 40 anos. São frutas mais doces, que são colhidas até depois de setembro.

Qualidade

A previsão dos especialistas é de safra de Ponkan menor este ano, mas com ótima qualidade. Na localidade de Boa Esperança, zona rural de Marechal Floriano, Lucilia Littig e o marido Alípio Klippel, por exemplo, cultivam 8.000 pés de tangerina, colhendo-se 600 caixas por dia em 5 hectares.

Apesar da previsão de safra de 7.000 a 8.000 caixas de 20 kg este ano (cerca de 7.500 a menos que em 2018), o casal colheu frutas mais bonitas e padronizadas para o mercado, alcançando melhor preço nas vendas: a caixa foi comercializada entre R$ 25 e R$ 30.

Para o técnico Sebastião Gomes, a qualidade da Ponkan produzida nas montanhas capixabas se deve à coloração superior.

“É uma coloração que faz qualquer pessoa comer com os olhos e pagar um preço maior”, avalia.

Alta produtividade com limão Tahiti em Itarana

O município de Itarana apresenta a melhor média de produtividade do Estado com o limão Tahiti. De acordo com o agrônomo Jean Daré, do Incaper Centro-Serrano, são 22 toneladas por hectare. Só a título de comparação, a média do Estado de São Paulo é de 25 toneladas/ha.
O clima favorável da região e a introdução de tecnologias contribuem no resultado final. E um único produtor colheu 46 toneladas por hectare em 2018. É Rodnei Covre, na atividade desde 1996.

Para o produtor, o clima quente da região permite aproveitar melhor a janela de mercado, principalmente entre setembro e novembro, quando a caixa é vendida por até R$ 82,00. No entanto, entre janeiro e abril o preço diminui.

“O limão Tahiti é rentável, pois 98% do mercado de citrus o consome, pois tem casca verde, muito caldo e não tem semente na polpa. Temos altos e baixos como em qualquer atividade agrícola, principalmente depois da seca de 2014, mas produzir limão é satisfatório”, atesta Covre.

Para Jean Daré, em qualquer cultura agrícola, o produtor tem que buscar produtividade com menor custo possível para buscar competitividade. “Assim, ele vai aumentar o valor embutido e encaixá-lo em época de menor oferta do produto de outros Estados. Citros é fruta que tem que ter bom visual, ser bem vista”, destaca.

Entre as inovações nos cultivos em Itarana está um método desenvolvido pelo agrônomo que permite marcar a florada do limão Tahiti para aumentar a produção. Ele diz que aglutinou conhecimento básico após observar a falta de nutrição, poda e irrigação específicas para a cultura.

*Divulgação

Norte se destaca com citros- Os municípios de Pinheiros, Sooretama, Linhares e São Mateus também vêm se destacando com a produção de citros. Neste último, por exemplo, a produção de limão siciliano atende o nicho de mercado gourmet, devido a seu potencial na gastronomia. O empreendimento Belofruit é um exemplo.


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