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Fruticultura é opção em pequenas áreas de Linhares

Por Rosimeri Ronquetti
1/09/2020 13h02
Atualizado em 15/09/2020 21h17

Foto: Bruno Giuriato

Em meio à tanta diversidade do agronegócio de Linhares, o cultivo do mamão e do cacau são uma realidade há décadas. Há menos tempo o coco e a banana também começaram a despontar nesse cenário promissor. Agora, o município começa a experimentar o plantio de novas frutíferas. Na lista estão: açaí, limão, uva, goiaba e cajá manga anão. Criado pela Prefeitura de Linhares em 2019, o objetivo do Polo de Fruticultura é promover ainda mais a diversificação de culturas, possibilitar o aumento da fruticultura e gerar emprego e renda para os pequenos produtores.

O secretário Municipal de Agricultura, Franco Fiorot, explica que um dos objetivos, talvez o principal, a médio e longo prazo, é consolidar a fruticultura do município nessas novas frutíferas, assim como aconteceu com o cacau e o mamão. “Com a criação do polo nós esperamos ter, a médio e longo prazo, a fruticultura consolidada, nessas novas frutíferas, além das que já temos estabilizadas como o mamão e o cacau, por exemplo”.

Ao todo foram doadas aos produtores 36 mil mudas para serem plantadas em 45 hectares de terra distribuídas em cinco polos produtores de nove distritos do município. Um dos critérios do processo seletivo para aquisição das mudas era fazer parte da agricultura familiar. Sessenta e cinco produtores foram beneficiados.

Um desses produtores é Geraldo Nascimento, morador do assentamento 1º de Agosto, distrito de Rio Quartel. A região onde ele mora foi contemplada com a doação de mudas de limão. Ao todo serão plantados cerca de dez hectares do citrus. Geraldo, que já produz café, feijão, milho, abóbora e hortaliças, em regime de agricultura familiar ao lado da mulher e dois filhos, se inscreveu no programa e recebeu 220 mudas de limão Taiti. O produtor diz ver com bons olhos o programa e está confiante que o resultado será muito bom.

“Vejo essa iniciativa de diversificação por meio da fruticultura com bons olhos. Além de diversificar nossa produção, também vai diversificar nossa renda. Teremos mais itens na roça para comercializar. Sem contar que quando esses dez hectares estiverem produzindo, nós produtores podemos nos articular para vender a produção todos juntos e conseguir melhores preços. Estou muito otimista”.

Novas frutíferas

As definições dos polos e as frutas a serem cultivadas foram baseadas nos estudos técnicos realizados por uma empresa de consultoria contratada para a elaboração do programa que identificou, baseado nas características agronômicas de solo e clima, quais frutas são propícias para cada região.

Os polos são: Distrito Farias, produção de cajá manga anão. O plantio de uva no Polo Alto São Rafael, que contempla regiões como Santa Cruz, São João de terra Alta, São Vicente e São Judas; Baixo São Rafael. Polo BR-101 Sul (distritos de Rio Quartel e Desengano), com o limão. Japira, Córrego Dr.Jones, Santa Rosa, Humaitá e Bagueira, polo da goiaba; e o Polo Litoral (Pontal do Ipiranga, Regência e Povoação), com a produção de açaí.

Antes da implantação, os produtores participaram de seminários, capacitações, dias de campo e visitas a plantios de frutas para que os interessados pudessem conhecer as peculiaridades do cultivo das frutas e como desenvolver o plantio de cada uma delas.

Foi em um desses encontros que o produtor Claudio Sergio de Lemos decidiu se inscrever para participar do programa. Claudio foi selecionado e recebeu 250 mudas de açaí. Para ele, essa foi uma oportunidade de diversificar a produção. Cacauicultor em um terreno de pouco mais de um alqueire na estrada de Povoação, Claudio plantou o açaí consorciado com o cacau. O produtor disse que só foi possível fazer o plantio graças ao incentivo recebido.

“Tenho visto a produção de açaí crescer e tinha vontade de plantar na minha roça, mas não tinha muitas condições financeiras, sem contar o medo de não ter para quem vender. Essa foi uma grande oportunidade. Além de ganhar as mudas, também recebo todo o apoio técnico e já tem comprador certo para os produtores do programa”, explica Claudio.

Em Humaitá, no Assentamento Sezínio Fernandes de Jesus, o cafeicultor Sandro Bruyn também plantou 275 mudas de goiaba em meio hectare de terra. Para ele, que nunca pensou em plantar a fruta e não sabia nada sobre o plantio de goiaba, essa foi uma oportunidade para tentar uma nova cultura.

“Aqui no terreno só tenho café, sempre trabalhei com café e não sabia nada sobre plantação de goiaba. Fui aprendendo com os técnicos do projeto. Essa foi uma oportunidade muito boa para ter outra coisa além do café. Tinha essa área de terra parada e resolvi tentar”, conta Sandro.

Franco Fiorot diz que essa foi justamente a ideia quando pensaram em um Polo de Fruticultura. Fazer com que o agricultor aproveite pequenas áreas do terreno, que na maioria dos casos estão paradas, e se torne um multiplicador. “A fruticultura é uma atividade dentro da agricultura com potencial de geração de renda e emprego em pequenas áreas. Isso que queremos, que o produtor que tem pequenas áreas paradas, meio hectare, um hectare, possa inserir essa fruta e ter mais renda, movimentar a economia e ser no futuro ele mesmo um multiplicador. Que ele mesmo plante mais e quem sabe dobre essa área cultivada”, ressalta o secretário.

Ranking de Produção de Linhares em relação aos demais municípios capixabas

(*Dados do IBGE, consolidados pelo Incaper e publicados no Anuário do Agronegócio Capixaba 2019).

1º COLOCADO

→ Café conilon

Produção: 42.806 t / área colhida: 14.800 mil ha

→ Cacau

Produção: 8,167 t / área colhida: 15 mil ha

→ Tilápia

Produção: 1.223.485 quilos / 30,15% de toda produção do ES

2º colocado

→ Mamão: 60.000 t / área colhida: 1.200 ha

→ Laranja: 1.800 t / área colhida: 150 ha

→ Limão: 3 mil t / área colhida: 150 ha

→ Eucalipto (lenha) 23.364 m².

→ Eucalipto (carvão) 3.172 t

→ Coco: 27.700 t / 2.770 ha

3º colocado

Banana: 38,650 t / área colhida 1.859 ha

O município também produz em menor escala:

→ Cana de açúcar: 482,535 t

→ Milho: 651 t

→ Feijão preto: 112 t

→ Mandioca: 9 mil t

→ Pimenta-do-reino: 450 t

→ Maracujá: 3 mil t

→ Borracha: 514 t

→ Palmito: 74 t

→ Goiaba: 32 t

→ Manga: 48 t

→ Cana forragem: 12 mil t


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