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Piscicultura de Linhares também é destaque

Por Rosimeri Ronquetti
10/09/2020 12h07

Fotos: Divulgação

Linhares é conhecida pelas muitas lagoas, mais de 60 no total. É nesse cenário que a piscicultura capixaba ganha cada vez mais espaço. Prova disso é a posição ocupada pelo município no ranking estadual. Linhares é o maior produtor de tilápia do Espírito Santo com 30,5% de toda produção. Em 2018, segundo dados do IBGE, a produção foi de 1.223.485 quilos.

A Lagoa Juparanã, segunda maior do Brasil em volume de água, abriga a Associação dos Piscicultores do Guaxe (Apigua). Em 2001, a comunidade, que sempre teve a pesca como fonte de renda, começou a trabalhar com a criação da tilápia em tanques rede e criaram a associação. Pioneira no Estado e uma das referências na criação de tilápias em cativeiro, da Apigua saem todos os meses entre sete e dez toneladas de peixe.

Desse total, 60% é comercializado para a merenda escolar municipal e o restante é vendido direto ao consumidor, que busca o peixe inteiro fresco ou eviscerado congelado na unidade de beneficiamento da associação e nas feiras livres. A Apigua é formada por pescadores do distrito do Guaxe e bairros próximos de Linhares e conta com 38 famílias associadas.

Inspirados na produção da Apigua, agricultores de Linhares resolveram investir na piscicultura em suas propriedades. Euder Pedroni foi um deles. Há 16 anos, o produtor cria tilápia em sistema de tanque rede na Bagueira, comunidade do interior de Linhares banhada pela Lagoa da Palminhas.

“Conheci a criação de tilápia em tanques através da Apigua. Pesquisei, visitei vários criadores no Nordeste e também aqui na região Sudeste, fiz um projeto e iniciei os trabalhos. Investi no negócio por entender que o mercado seria interessante no futuro e deu certo. O que não quer dizer que seja fácil, pelo contrário, depende de muita dedicação e investimento”, explica Pedroni.

Juntamente com a produção de peixe, Euder também investiu na instalação de um frigorífico para o abate, tratamento e comercialização das tilápias, onde são abatidos entre 90 e 100 toneladas de pescado por mês. Além do que produz nos 90 tanques instalados na propriedade, cerca de 12,5t todos os meses- aproximadamente 150 toneladas por ano, Euder também compra tilápia de outros fornecedores do Espírito Santo, principalmente do Sul do Estado.

Fotos: Divulgação

Entre a produção e o frigorifico são gerados 56 postos de trabalho diretos, todos moradores da região, parte deles em casas da propriedade. Com certificação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para comercialização dentro e fora do Brasil, toda a produção é vendida para o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

Apigua enfrenta dificuldades

Pescador desde criança, Anezildo Patrocínio (67), membro desde a fundação e atual presidente da Apigua, diz que a produção de tilápia é um complemento para a renda das famílias da comunidade, mas elas enfrentam dificuldades. “Para alguns, assim como eu, a atividade principal é a pesca extrativista, enquanto para outros, a agricultura e a piscicultura são uma complementação importante da nossa renda. Mas nos últimos tempos quase não sobra nada. Os custos com a compra de ração e dos alevinos são muito altos, e os associados desanimam”, explica Patrocínio.

Zizil, como é mais conhecido, afirma que uma das formas de sanar as dificuldades é conseguir os certificados que permitem a ampliação das vendas para órgãos públicos e outros municípios, uma vez que a concorrência com os mercados tradicionais é muito grande.

Segundo a agente de Extensão em Desenvolvimento Rural do Incaper, Glaucia Praxedes, uma das propostas para este ano é justamente buscar meios que possibilitem a comercialização da tilápia produzida pela Apigua. “Umas das propostas de trabalho para 2020 é já ir articulando para a associação poder participar da chamada pública da Compra Direta de Alimentos (CDA), realizada pela Secretaria de Ação Social. Outra proposta é entender melhor sobre a venda para órgãos federais, como o Exército e os Ifes, por exemplo, uma das modalidades do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que a associação já tem”, disse Glaucia.

A agende acrescenta que o trabalho do Incaper é entender sobre estes programas e articular as associações para terem acesso a estas políticas públicas e prestar assistência técnica em toda a cadeia de produção da tilápia.

Um novo jeito de pescar

Para amenizar os impactos causados aos pescadores de Regência após a chegada da lama de rejeitos da Samarco, devido ao rompimento das barragens de Mariana (MG), foi implantado na comunidade o projeto de piscicultura “Inova Pesca”. Criado em 2016, o projeto consiste na criação de peixes em tanques com o sistema de recirculação de água.

Ao todo foram instalados 24 tanques com capacidade média de produção de 3.300 kg a cada seis meses. Toda produção é comercializada na comunidade e para turistas em visita ao balneário. Segundo o gerente de Pesca, Aquicultura e Produção Animal da Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), José Alejandro Prado, o principal objetivo é a geração de renda.

“Escolhemos Regência para instalação do ‘Inova Pesca’ justamente porque a comunidade pesqueira teve sua atividade comprometida. Centenas de famílias que têm na pesca seu modo de vida e sustento se viram sem poder pescar. Além disso, o sistema de produção gera resíduos que são empregados para fertilizar uma horta, cuja produção é direcionada à escola pública e à creche da localidade”, explica Prado.

Antes do desastre de Mariana já existia em Regência a Associação dos Pescadores de Regência (Asper), que na época beneficiava os peixes pescados na foz do Rio Doce e no mar. O “Inova Pesca” foi montado justamente para beneficiar os associados. Leônidas Carlos, presidente da Asper, diz que esse é um projeto novo e que ainda precisa de ajustes, mas já começam a experimentar também a criação de camarão da Malásia. “Somos um projeto novo e diferente, funcionando em espaço reduzido, com alguns ajustes a serem feitos, justamente por ser um projeto pioneiro no Estado, que é a criação de peixe em recirculação de água. E agora iniciamos os testes com a criação de camarão da Malásia. Vamos abater a primeira remessa daqui a um mês”, explica o presidente.

Marcos Odilio de Assis, morador de Regência e gestor de recursos de criação do projeto, conta que além da questão financeira, o projeto também significa uma alternativa nutricional muito importante, uma vez que o peixe era a base alimentar da comunidade. “O projeto vem trazer alternativa a uma nutrição mais parecida com a que havia em Regência. Por ser tradicionalmente uma comunidade de pescadores, tinha sua base alimentar de proteína em 80% de peixes”, diz Marcos.

O projeto foi idealizado pela Fundação de Desenvolvimento Agropecuário do Espírito Santo (Fundagres), Organização Não-Governamental sem fins lucrativos que apoia o Incaper na elaboração e execução de projetos, envolvendo várias instituições de apoio e fomento à agricultura. Já a Asper foi criada pelos pescadores com suporte da Seag e do Incaper e recursos da Fundação Banco do Brasil.


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