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Silvicultura: salto de gestão e produtividade

Consorciada ou não, seringueira incrementa renda de produtores de Linhares

Por Rosimeri Ronquetti
28/08/2020 11h45
Atualizado em 1/09/2020 12h09

Foto: Divulgação

As primeiras mudas de seringueiras chegaram em Linhares na década de 1980, logo após o Espírito Santo ingressar no Programa de Incentivo à Produção de Borracha Natural (Probor II), do Governo Federal, em meados de 1979. Desde então, o município tem produção de borracha. Em 2018, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a produção foi de 514 toneladas de látex, em uma área plantada de 400 hectares.

Johnnes Neitzel Lemke, engenheiro agrônomo e consultor técnico de produção de seringueira há 16 anos, diz que a produção de seringueira no Espírito Santo se divide em dois momentos, e em Linhares aconteceu da mesma forma. "Temos dois cenários bem diferentes. Os seringais plantados na década de 1980 e os plantados entre os anos 2000 e 2010. Os primeiros são de produtividade média baixa, clones menos produtivos e manejo muito inadequado. Já os da segunda etapa têm melhoria genética, ou seja, clones de alta produtividade, o nível tecnológico do manejo melhorou, e a produtividade subiu muito. A gestão técnica e administrativa de quem tem seringais mais novos, plantados nos anos 2000 em diante, é bem superior aos da década de 1980”, explica o consultor.

Segundo Lemke, as lavouras plantadas da década de 1980 têm produtividade média de cinco quilos por planta, por ano, de borracha natural. Já nos plantios dos anos 2000, essa produtividade média é superior a sete quilos.

O produtor Emir de Macedo Gomes Filho tem na propriedade 27 mil pés de seringueira. Ele conta que seu pai, Emir de Macedo Gomes, foi um dos produtores contemplados com mudas de seringueira logo que as primeiras mudas chegaram em Linhares. Emir herdou e deu continuidade aos trabalhos do pai na propriedade, porém, introduziu o plantio de cacau, carro-chefe da fazenda, com a seringueira. Dos 27 mil pés de seringueira, seis estão consorciados com o cacau.

Emir diz que, em meio à devastação das lavouras de cacau pela “Vassoura de Bruxa” e todas as dificuldades financeiras enfrentadas, alguns produtores começaram a testar o plantio das duas culturas em um mesmo espaço. “Os produtores estavam descapitalizados, o cacau começou a migrar para pleno sol, e alguns produtores ousados, empreendedores, começaram a testar o plantio do cacau com a seringueira, e deu certo”, relata.

Para Johnnes, o plantio consorciado da seringueira, não só com o cacau, é um excelente negócio, porém nas demais culturas deve ser temporário. “O consórcio da seringueira é uma excelente opção, não só com o cacau, como também com o mamão, o café e a pimenta-do-reino, mas todos provisórios. Chega um determinado tempo que essas culturas não conseguem se desenvolver e produzir bem na sombra da seringueira. A única que consegue manter uma produtividade satisfatória é o cacau”, esclarece o engenheiro.

Outro ponto positivo destacado pelo engenheiro é a produtividade. Segundo ele, os sistemas consorciados tendem a ter melhor produtividade. Isto acontece porque os produtores têm no inconsciente que as seringueiras não precisam de grandes tratos culturais, o que segundo Lemke não é verdade. “A seringueira precisa de tratos culturais assim como toda plantação. Mas na média o que vemos é um trato de médio a ruim na lavoura solteira. Quando consorcia cuida melhor devido à outra cultura, e a seringueira pega uma grande carona”, salienta Johnnes, acrescentando ainda que a produtividade da seringueira tem muitos fatores envolvidos e a gestão técnica e administrativa tem um peso importante na produtividade.

Para Emir, essa é a união perfeita, tanto do ponto de vista do cultivo quanto financeiro. “O casamento do cacau com a seringueira é perfeito. Do lado financeiro, quando termina a produção de um começa a do outro, e você mantém o fluxo de caixa o ano todo. Além dos tratos culturais que você faz para as duas culturas ao mesmo tempo, realmente funciona muito bem, revela o produtor.

O látex produzido em Linhares é comercializado em parte para as usinas da Michelin, em Sooretama, e Agro Ituberá, em Ituberá, sul da Bahia.

Eucalipto

Por ser uma planta pouco exigente em relação à água e que se desenvolve mesmo em áreas degradadas, o eucalipto é mais uma cultura que se destaca em Linhares. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, divulgados pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, Incaper, o município ficou em 4º colocado na produção de eucalipto em toras em 2018, com 330.616 m³, 2º em produção de carvão, com 3.172 toneladas, e o 2º em produção de lenha, com 23.364 m³.

Uma das grandes vantagens do eucalipto é o baixo risco de produção, por se tratar de uma planta que se adapta facilmente aos diferentes tipos de clima, exige pouca irrigação e ainda é um produto não-perecível. Carlos Augusto de Carvalho (60) percebeu todas essas vantagens há mais de 20 anos e trocou a produção de café, milho e feijão por eucalipto.

“Já trabalhei com várias culturas e depois de muita conta percebi que a cultura que nunca deixou prejuízo foi o eucalipto. É uma cultura que se plantar os clones certos há quase 100% de certeza que vai dar certo. E mesmo estando com preço defasado, te dá bastante segurança”, relata o produtor.

Carlos tem 600 hectares de plantação, em torno de um milhão de pés de eucalipto, distribuídos em três fazenda: uma às margens da BR-101, perto de Bebedouro, e outras duas no distrito de Rio Quartel. A produção média mensal gira em torno de 2.000 m³. A maior parte é comercializada para indústrias de tratamento e lenha para secadores e caldeiras industriais.

Outra grande produtora é a Suzano Papel e Celulose. São 8,2 mil hectares de áreas dedicadas ao cultivo de eucalipto no município, entre próprias, arrendadas, e de fomento por meio do programa “Poupança Florestal”.

As áreas fomentadas, que são plantios feitos por produtores rurais parceiros da empresa no cultivo de eucalipto, somam 1.927 hectares, correspondendo a 23,4% do total.


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