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A força do cooperativismo de carga

Cada vez mais transportadores e frotistas vêm se organizando em cooperativas para se tornarem mais fortes, competitivos e eficientes

Por Assessoria de Comunicação OCB/ES
13/02/2020 12h00
Atualizado em 13/02/2020 13h05

(Foto: *Divulgação)

Os números impressionam. De acordo com dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, 1,3 mil cooperativas de transporte atuam no Brasil somando 98 mil cooperados. É um número que vem crescendo desde 2014 (época do início da crise, quando contabilizava-se cerca de mil cooperativas de transporte). A depressão econômica acabou por estimular a expansão da ideia de cooperativismo neste setor.

Juntando força, a frota de caminhões dessas cooperativas somam mais de 25 mil veículos comerciais que são responsáveis pela movimentação 450 milhões de toneladas tanto no Brasil como em toda América do Sul. Há, também, as cooperativas de transporte de passageiro com uma frota de mais de 50 mil veículos que transportam, em média, dois bilhões de pessoas por ano (mas sobre elas, falaremos em outra edição de MundoCoop).

A maior cooperativa de transporte de carga do País, a Coopercarga, tem frota de mais de dois mil caminhões com idade média de quatro anos. Com uma frota deste tamanho, a cooperativa também é considerada uma das maiores transportadoras do Brasil. Já a Valelog, com frota de 268 caminhões graneleiros, é outra gigante que atua na movimentação de cereais, fertilizantes e sementes.

Segundo a OCB, as cooperativas de transporte faturaram, em 2018, perto de quatro bilhões de reais gerando algo em torno de 80 milhões de reais em dividendos para seus cooperados. É exatamente neste setor que é possível toda a sociedade compreender um conceito elementar do cooperativismo segundo o qual “a união faz a força”.

As cooperativas compram insumos em conjunto. Ou seja, compram no atacado e isso, por si só, já traz o benefício de significativa redução do valor unitário. Qualquer produto tem um preço para venda individual e um valor muito mais em conta para vendas em grandes volumes. As cooperativas de transporte não compram um caminhão ou uma carreta mas sim um grande lote de veículos e implementos em nome de todos os cooperados (que se cotizam para pagar o que cada um precisa).

Para atender a essas demandas organizadas e sempre em grandes volumes, as montadoras de caminhões mantêm em seus quadros áreas de vendas especializadas neste tipo de negócio. Diz Ari de Carvalho, diretor de vendas e marketing para caminhões da Mercedes-Benz do Brasil: “as cooperativas têm a função de agregar valor aos pequenos e médios transportadores, oferecendo treinamentos de condução segura e econômica e suporte jurídico. Isso faz com que se construa uma melhoria contínua no ciclo logístico do País”.

A Mercedes-Benz tem equipes treinadas nos escritórios regionais e também em suas revendas que fazem estudo de viabilidade para cada cooperativa, mostrando qual é a melhor solução de transporte para cada aplicação. “Esse estudo destaca quais são os modelos de caminhões e também os serviços ideais para cada operação, considerando os modelos de caminhões Accelo, Atego, Axor e Actros”.

Para Carvalho, as cooperativas têm um papel fundamental na sustentabilidade de toda a cadeia de logística e transporte no Brasil. “Acreditamos que as cooperativas irão continuar promovendo uma melhoria no transporte, se preparando cada vez mais para alcançar maior competitividade no futuro da mobilidade”.

Já para Cesar Neves, gerente de grandes frotas da Volvo do Brasil, as cooperativas é um segmento que já deu um grande salto e se expandiu na última década. “Assim como outros setores do transporte, tem se profissionalizado e está em constante processo de melhoria. Mantendo este caminho, está cada vez mais preparado para competir e buscar não só manter sua atual participação no mercado como também, buscar novas oportunidades”.

Para Ricardo Barion, diretor de vendas da Iveco, as cooperativas de transporte são muito importantes para o Brasil, “pois são responsáveis pela organização e profissionalização de motoristas autônomos que transportam todo o tipo de carga. O trabalho das cooperativas continuará a ser fundamental para o desenvolvimento econômico e social do País, gerando empregos e renda, além de contribuir para a inclusão social em cidades menores onde grandes grupos econômicos não atuam”.

O executivo da Iveco diz que a rede de concessionárias da marca conta com 73 pontos de atendimento no País e está preparada para atender as cooperativas por meio de serviços de qualidade e com o apoio do Banco CNH Industrial. “O Banco oferece atualmente opções de financiamentos pelo Finame TLP, TFB e opções de CDC com taxas bastante atrativas e podendo financiar até 100% do bem adquirido”.

Agenda para 2020

O Sistema OCB está trabalhando em conjunto com o Ministério da Infraestrutura para desenvolver e fortalecer ainda mais as cooperativas do setor de transporte. Em recente reunião em Brasília, representantes do Ramo Transporte da OCB estiveram com técnicos do ministério para apresentar “cases” de sucesso de cooperativas de transporte e, também, discutir melhorias no sistema, especialmente em termos de infraestrutura.

A reunião também foi um momento para os conselheiros da OCB começarem a desenhar as ações e a agenda para o ano de 2020. Sob essa perspectiva futura, o coordenador nacional do Conselho, Evaldo Moreira Matos, apresentou o planejamento de atuação que deverá ser adotado pela Federação Nacional das Cooperativas dos Transportadores de Cargas.

O Congresso Nacional está cada vez mais próximo de aprovar um texto

de Reforma Tributária. E o Sistema OCB tem atuado junto aos Três Poderes e com apoio de parlamentares da Frente Parlamentar em Defesa do Cooperativismo (Frencoop) para que a norma mantenha a garantia do adequado tratamento tributário para as cooperativas.

As ações realizadas até o momento foram detalhadas aos conselheiros pela representante da Assessoria Jurídica da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Os parlamentares também iniciaram no início do mês de outubro um debate, por enquanto de bastidores, sobre uma possível Reforma Sindical. O modelo de proposta que pode ser construída também foi discutido com os membros do Conselho por representante da Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop).

A OCB também promoveu em Brasília mais uma edição do programa Portas Abertas que contou com a presença de representantes do Ministério da Infraestrutura, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Além de conhecer um pouco mais sobre o movimento cooperativista, os participantes puderam observar como cooperativas de transporte podem trazer benefícios sociais e econômicos para as regiões onde atuam. De acordo com Matos, “as cooperativas que têm ganhado cada vez mais espaço no mercado de transporte rodoviário de cargas, graças à sua organização e profissionalismo”. Um bom exemplo é o caso da Coopmetro — a primeira cooperativa do Ramo Transporte a receber o Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão, pela sua participação no Programa de Desenvolvimento em Gestão de Cooperativas (PDGC).


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