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Cooperativismo


As várias vozes que desenham um novo cooperativismo

O Conselho Consultivo da Coocafé é formado por voluntários, líderes em suas regiões. Eles levam as demandas dos outros cooperados, que são discutidas em reuniões trimestrais

Por Fernanda Zandonadi
1/11/2019 7h00
Atualizado em 8/11/2019 15h14

“A diretoria diz que a cooperativa é nossa, então nós temos que saber o que está acontecendo na nossa empresa”. A frase é do produtor rural Renato Januário, membro do Conselho Consultivo da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha (Coocafé). Ela mostra que a participação do cooperado pode ir além e fomentar mudanças que beneficiarão a todos.

Na Coocafé, o Conselho Consultivo é formado por cooperados que se destacam como líderes em suas comunidades. Os integrantes são convidados para entrar no grupo e trabalham de forma voluntária pelo crescimento da cooperativa. As reuniões acontecem a cada três meses. É o momento de os membros colocarem em discussão as demandas, críticas e os elogios dos demais associados. Hoje, são 36 pessoas na equipe, que cresce a cada ano. Para dar uma ideia, o trabalho foi iniciado em 2012 com apenas 12 cooperados.

Formado em 2012, com 12 representantes, o Conselho Consultivo da Coocafé cresceu e já conta com 36 membros que geram mudanças positivas dentro da cooperativa. (*Divulgação/Coocafé)


“Um dos problemas que temos no sistema cooperativista é a comunicação. À medida em que a cooperativa cresce - e hoje temos dez mil sócios - surge a dificuldade de acessar individualmente cada um dos sócios. Então convidamos líderes comunitários, associados da cooperativa, que participam conosco de reuniões trimestrais. Nessas reuniões, nós apresentamos todos os projetos e informações institucionais da cooperativa, em primeira mão. E temos um bom tempo para ouvir sobre as demandas, as questões positivas e negativas, os problemas, as soluções e também sugestões sobre os próximos passos da cooperativa”, explica o diretor presidente da Coocafé, Fernando Cerqueira.

Muitas mudanças ocorreram graças às propostas trazidas pelos membros, como a sugestão de abertura de uma nova filial em Brejetuba, implementação do serviço de prova e classificação de café em algumas comunidades e até mesmo demandas técnicas.

“Foi levantado dentro do Conselho o assunto de que os cooperados gostariam de ver uma demonstração de drones de pulverização. Acatamos a ideia, e hoje isso é uma realidade. Já temos várias propriedades de nossa região cuja pulverização acontece por meio drones”, conta Cerqueira.

Comunicação direta

Produtora de café em Marapé, Brejetuba, Andréa Vivacqua participa do Conselho desde a sua criação. Segundo ela, essa foi uma forma de contribuir ativamente para o crescimento da cooperativa e de levar as sugestões e dúvidas dos cooperados para serem discutidas e solucionadas.

“Um dos pedidos dos cooperados foi a abertura de uma filial da Coocafé em Brejetuba. A mais próxima era Ibatiba, que é longe. E em Brejetuba temos uma produção grande de café e precisávamos dessa proximidade. O pedido foi aceito e facilitou muito a vida dos produtores”, relata.

Andréa e a filha, na propriedade da família: “estamos debatendo como criar estímulos para os jovens ficarem no campo”. (*Divulgação)


Segundo Andréa, outras melhorias foram geradas por meio dessa comunicação mais direta. “Alguns produtores de café também mexem com outras culturas. Então, levamos para a reunião a possibilidade de a cooperativa montar uma fábrica de ração para os produtores de leite. Deu certo. Vale a pena ser voluntária porque vemos muitas melhorias que beneficiam a todos”, avalia.

Uma das sugestões que está em pauta no Conselho nos últimos meses é a questão de como manter os jovens no campo. “Nós estamos debatendo, pensando em como criar estímulos para os jovens se interessarem pela agricultura e pelo cooperativismo. Por exemplo, como podemos colocar a tecnologia, que é uma linguagem que eles conhecem tão bem, no campo. Talvez levando uma internet de qualidade para quem não tem acesso, em uma sala onde todos possam usar o serviço. Estamos buscando formas de dar estímulos para que o jovem possa dar continuidade ao nosso trabalho”, conta Andréa.

Um outro exemplo, que foi levantado por Renato Januário, também mostra que a voz do Conselho pode ajudar na logística diária. Ele observou que, na época da safra, o carregamento e descarregamento dos caminhões no armazém eram demorados. “Quando fui levar meu café, aproveitei e conversei com várias pessoas que estavam ali descarregando. Eles reclamavam da demora. Levantei esse problema em uma reunião do Conselho e a diretoria providenciou mais um local para o produtor que leva o próprio café descarregar e mais equipes para agilizar o trabalho”, explica Januário.


Além de dar voz ativa aos cooperados, a formação do Conselho cria líderes, que conhecem de perto a Coocafé e poderão, no futuro, ocupar outras funções dentro da cooperativa, segundo Fernando Cerqueira.

“Hoje, temos um membro do Conselho de Administração que veio do Conselho Consultivo. Nossa ideia é formar esses líderes e informá-los a respeito da cooperativa. O cooperativismo se faz por uma construção diária. Não existe um mecanismo perfeito. Esse mecanismo é construído com problemas, soluções. E os líderes do cooperativismo do futuro são aqueles que precisam estar com o pé no chão e cabeça nas nuvens. Ele precisa sonhar, buscar objetivos e concretizar os ideais e sonhos cooperativistas. Ao mesmo tempo, ele tem de entender que uma cooperativa tem de ser administrada como uma empresa, senão ela não sobrevive”.


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