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Coronavírus


A pandemia se converteu em um importante aliado dos cafés brasileiros

Por Jornal do Café
22/05/2020 13h07

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(Foto: *Divulgação)

As medidas de confinamento adotadas em todo o mundo para combater o avanço do coronavírus impulsam o consumo de café, grão que o Brasil é o maior produtor e exportador mundial, com um crescimento das vendas no mercado interno de 35% no mercado e exportações de 2,5% em abril.

Experts do setor consultados pela EFE concordam que, desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a COVID-19 como pandemia no início de março, houve um “significativo aumento em todo o mundo” do consumo da bebida, já que milhões de pessoas passaram a ficar confinadas em casa.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o consumo no gigante sul americano aumentou em 35% em meio a correria dos consumidores para obter produtos para armazenar durante a quarentena.

“Na segunda quinzena de março, houve uma corrida de consumidores para supermercados para armazenar produtos em casa. Por isso, tivemos esse aumento nas vendas no mercado de varejo”, disse o presidente da ABIC, Ricardo em entrevista à Efe. de Souza Silveira.

O líder sindical acrescentou que o aumento da demanda das famílias brasileiras compensou parte das perdas sofridas pelo fechamento de bares, restaurantes e cafés, que representam cerca de 34% do mercado doméstico, embora tenha alertado que “consumo geral” do grão pode sofrer uma queda nos próximos meses devido ao endurecimento das quarentenas.

No entanto, exceto por alguns “problemas específicos” ou “logística”, Silveira garantiu que haverá “problemas de suprimento” dentro ou fora do Brasil e que “o mundo pode ficar calmo”.

Na mesma linha, o diretor do Conselho de Exportadores de Café (Cecafé), Nelson Carvalhaes, destacou à EFE que o aumento do consumo das famílias é um fenômeno global e levou a alguns dos principais clientes comerciais do Brasil, como o União Européia e Estados Unidos, para levantar suas ordens.

Em abril, o Brasil embarcou 3,3 milhões de sacas de café de 60 quilos para o exterior, um aumento de 2,5% em relação ao mesmo mês do ano passado e com os Estados Unidos, Alemanha e Itália liderando a lista dos principais compradores.

Da mesma forma, “o seleto grupo” de multinacionais, operando dentro e fora do Brasil, “intensificou” as compras para garantir a revenda aos supermercados e, assim, suprir a crescente demanda no mercado doméstico de vários países.

Segundo Carvalhaes, os dados de abril foram uma “surpresa positiva”, estavam “acima das expectativas” e, pela primeira vez, “os estoques estavam praticamente esgotados”.

O Brasil responde por cerca de 40% da oferta global de café, com mais de 49,3 milhões de sacas produzidas somente em 2019.

Carvalhaes destacou que o setor cafeeiro brasileiro é “muito maduro”, “bem estruturado” e “interessante”, por isso consegue “atender à qualidade” dos “mais diversos mercados” do mundo.

Ele acrescentou que, apesar da crise de saúde do coronavírus, “o mercado continuará consumindo” porque o “hábito de beber café é muito forte” e sempre esteve presente em “momentos difíceis da crise”.

“O café é muito democrático, muito popular. O prazer de beber faz com que as pessoas, em tempos difíceis, procurem uma xícara de café”, reiterou.

Para o analista-chefe de café da consultoria INTL FC Stone, Guilherme Ferreira, os “problemas” enfrentados por outros produtores mundiais de grãos, como a Colômbia e os países da América Central, que o impactos da pandemia em suas culturas e produções.

O analista acrescentou que a forte desvalorização da moeda brasileira, que já depreciou cerca de 47% em relação ao dólar em 2020, beneficia os exportadores do país, uma vez que o grão é vendido em dólares.

Ferreira avaliou que, após a “euforia” das primeiras semanas de março, que levou milhares de consumidores ao mercado, espera-se um aumento mais modesto no consumo de café, impulsionado principalmente pela chegada do inverno do sul, período em a bebida mais consumida.

“Há um grande esforço de todas as autoridades cafeeiras para trazer tranqüilidade para a colheita, distribuição e produção, do agricultor ao depósito”, então “acho que faremos bem”, acrescentou.


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