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CNA quer mais prazo para empréstimos rurais e alerta para desafios do coronavírus

Por Reuters
25/03/2020 18h39

Agricultor ordenha vaca em Rio Pardo (RO). (Foto: *Nacho Doce)

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que medidas para combater o coronavírus, como o isolamento social e o fechamento de bares e restaurantes, têm impactado severamente produtores de bens perecíveis, como hortaliças, frutas, pecuária leiteira e flores, e enviou nesta quarta-feira ao governo solicitação para prorrogação de parcelas de financiamentos.

“O objetivo das medidas (pedidas pela entidade) é dar um fôlego para o pessoal conseguir se manter na atividade, eles terão queda de receita e os custos continuarão elevados”, disse o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, à Reuters.

Segundo ele, a entidade, uma das principais do agronegócio, enviou ofício aos ministérios da Agricultura e da Economia com as reivindicações, que incluem a prorrogação automática de parcelas, o que evitaria que produtores pequenos e médios tenham que ir aos bancos.

A confederação pede a prorrogação de parcelas de financiamentos vencidas e vincendas em 2020, além de adiamentos dos contratos de custeio por seis meses, sem incidência de juros e correção monetária. Quer ainda a suspensão da necessidade de produtores registrarem em cartórios operações de crédito, para que eles não tenham de se deslocar até as cidades.

A entidade não detalhou o montante total das parcelas que poderiam ser prorrogadas.

Mas as prorrogações seriam automáticas para produtores cuja soma de contratos totalizem 1,5 milhão de reais, e as medidas não deveriam comprometer os limites de crédito para a safra 2020/21.

A CNA ainda quer prorrogação do prazo para entrega do imposto de renda para a atividade rural, entre outros pedidos tributários.

DESAFIOS


O superintendente técnico da CNA disse que produtores de grãos, cujos preços estão historicamente elevados —a categoria trabalha com produtos que podem ser armazenados por mais tempo— têm outro problemas, como a contratação de transporte e manutenção de equipamentos, uma vez que muitas lojas de autopeças fecharam em função da medidas contra a doença.

Ele comentou ainda que entidade conversa com governos locais para evitar problemas operacionais ao produtor, além de eventual falta de mão de obra para colheitas.

“Os problemas deles são outros— produtores de grãos, café, açúcar, o problema é escoar a produção. No caso de grãos, está tendo dificuldades, tem algumas barreiras para a contratação de transporte”, disse.

“Peças, as lojas de autopeças estão fechadas... no caso de café e cana, tem a questão do transporte dos trabalhadores”, disse ele, lembrando que a colheita de cana já começou e a de café terá início brevemente.

“Temos conversado com prefeituras para reduzir a densidade nos ônibus e para não proibir o transporte, alguns estão colocando ônibus extras, ampliando refeitórios e dormitórios, mas precisamos ter diálogo com autoridades municipais, principalmente para que a gente consiga dar fluidez para a colheita.”


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