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O que é achachairu?

Saiba como o cultivo da fruta originária da Amazônia boliviana tem se tornado um ícone do agronegócio no município de Itarana (ES) da região centro-serrana capixaba

Por Leandro Fidelis
20/03/2021 7h00
Atualizado em 6/04/2021 14h22

Abel Basílio e família comandam os negócios na localidade de Matutina, a 8 km da sede. (*Fotos: Leandro Fidelis)

Itarana já foi destaque no agro com o maior frigorífico do Espírito Santo (o Toniato) e também com o principal fornecedor de peixes de lago em zona rural do Brasil. Mais recentemente, a produção de cafés especiais voltou a projetar o município da região centro-serrana capixaba nesse cenário, mas é uma fruta exótica e doce originária da Amazônia boliviana que está fazendo o maior sucesso atualmente: o achachairu.

Pelo menos três agricultores encontraram na novidade um meio de diversificar a produção e gerar renda. Com teor de polpa e produção elevada, a fruta, que lembra o mangostão e o bacupari brasileiro, chega a custar R$ 30 o quilo. O consumo in natura ainda é o mais difundido, e as propriedades nutricionais são um chamariz. A fruta é rica em potássio, ácido fólico e vitamina C. Além disso, o clima temperado do município é considerado propício para os pomares se desenvolverem.

A ligação de Itarana com a Bolívia é recheada de coincidências. Na família Basílio, a maior produtora do município, há 30 anos um tio-avô de Abel Basílio de Souza Neto (28) trouxe do país vizinho cinco sementes de achachairu para plantar na propriedade. Outro produtor, José Carlos Loriato (56), relata outra história. A prima da sua mulher, Geovana Meneguel (56), é casada com um dentista boliviano que trabalhou em Itarana e trouxe duas sementes para o casal em 1995.

Abel e família comandam os negócios na localidade de Matutina, a 8 km do centro da cidade. Os cultivos comerciais tiveram início há nove anos consorciados com café conilon. Dos 800 pés, 450 estão em produção e outras plantas vão ter a fruta no ponto da colheita dentro de três anos. As plantas levam sete anos até começar a produzir.

A primeira safra na fazenda “Matutina Malavazi” ocorreu em 2020, quando foram colhidas 3,5 toneladas de achachairu. Segundo Abel, a expectativa para este ano é de uma colheita três vezes maior. A safra deve terminar entre o final de março e início de abril.


A produtividade da fruta também chama atenção. Cada pé de achachairu da família Basílio rende três caixas de 20 kg. E o mais interessante. Mesmo colhendo a fruta somente quando está pronta para o consumo, ela fica até quase dois meses no pé sem cair.

Os produtores mantêm parcerias comerciais com supermercados na região serrana do Estado (Domingos Martins, Vargem Alta, Marechal Floriano e Venda Nova do Imigrante), além da Ceasa e São Paulo. As frutas saem embaladas com a marca “Achachairu Matutina”. “Na cidade boliviana considerada a capital do achachairu, a fruta é vendida em beira de estrada. Porém, aqui ela não é ainda tão popular, quando vai para o comércio tentam lucrar três vezes mais, o que espanta o consumidor”, avalia Abel.

Produtores apostam no cultivo enxertado

O casal José Carlos Loriato, o “Cacau”, e a mulher, Geovana Meneguel, vive no Córrego do Bananal, próximo da divisa com Laranja da Terra, logo após a vila de Rizzi, a 9 km da sede de Itarana. Eles começaram os cultivos sem pretensão comercial, há 25 anos, e hoje o filho mais velho, Filipe (29), toma conta dos negócios com o achachairu.

Ao observar o tempo de cinco a seis anos para a planta começar a produzir, Cacau inovou com enxertia. A vantagem é a primeira produção antecipada para o terceiro ano, embora o pé enxertado não cresça proporcionalmente como o de semente. Das 50 plantas do sítio da família, 20 são enxertadas. “Os experimentos foram na base do erro e acerto, uma vez que não existe assistência técnica especializada”, afirma Cacau. Além do comércio local da fruta, os agricultores produzem mudas em viveiro.

Por ser uma planta rústica, o achachairu dispensa a necessidade de poda e adubação e não tem registro de pragas e doenças, mas gosta “muito de água”, conta Filipe. As observações dos produtores são referentes aos últimos 16 anos da produção em nível comercial. “Estamos aprendendo com a própria planta. Alguns produtores adquirem as mudas aqui e plantam em regiões mais frias do Espírito Santo. O que pode acontecer é apenas atraso na floração”.

A média de produtividade é de 150 kg por pé nas plantas de semente. Os pés de enxerto ainda estão na primeira colheita, e a expectativa é alcançar 40 kg/pé. A floração começa em agosto, e as primeiras frutas maduras deverão aparecer no final de dezembro e início de janeiro. O desafio dos produtores é aumentar a divulgação e agregar valor com o processamento. “Busco divulgar o achachairu na internet, onde também faço os contatos”, diz Filipe.


Cacau comenta a possibilidade de Itarana se tornar a “Capital Capixaba do Achachairu”. “Outras cidades capixabas ainda não estão com o mesmo potencial nosso. Vamos correr atrás para ser um dos maiores produtores do Estado. Deus colocou pessoas abençoadas para irem à Bolívia e colocarem esta fruta dentro do município. Quem sabe até o brasão da bandeira de Itarana pode mudar?”.

“Busco divulgar o achachairu na internet, onde também faço os contatos”, diz Filipe Loriato. (*Foto: Divulgação)



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