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Cafeicultor de Marilândia investe na produção de palmito e diversifica renda

Por Rosimeri Ronquetti
4/02/2020 10h52
Atualizado em 19/02/2020 17h16

*Fotos: Rosimeri Ronquetti

Os Milanesi de Marilândia, região noroeste do Estado, assim como a maioria das famílias do município, sempre tiveram no café conilon sua única fonte de renda. Essa realidade começou a mudar quando o casal Ivan e Ednélia Milanesi viram no cultivo do palmito uma maneira de diversificar a renda na propriedade.

Moradores da localidade de Córrego Seis Horas, interior do município, Ivan e Neia, como é conhecida, sempre trabalharam apenas com café até o dia em que o irmão de Ivan, o engenheiro agrônomo, hoje falecido, Danilo Milanesi, sugeriu o plantio de palmito Açaí para embelezar a propriedade e também para o próprio consumo.

O trabalho começou com o plantio de algumas mudas da espécie Açaí, em uma área de várzea próxima de casa, em 2000. Quando colheram os primeiros palmitos, Neia e Ivan iniciaram então o processo de beneficiamento. Após um longo período de testes, passaram a produzir o palmito em conserva de maneira totalmente artesanal. O que era para ser apenas para o consumo próprio tornou-se o principal negócio da família com rendimento superior ao do café.

“As pessoas foram tomando conhecimento da novidade e as encomendas começaram a surgir. Foi quando percebemos que, se a gente se dedicasse, o negócio daria certo, diz Neia.

A partir dessa certeza, os agricultores aumentaram a área de produção para quatro hectares destinados ao cultivo principalmente do Pupunha. Fizeram um empréstimo, construíram um espaço adequado para instalação da agroindústria e adquiriram os equipamentos necessários para o beneficiamento do palmito.

O casal também foi em busca de conhecimento no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), onde receberam orientações para fazer um plano de negócios, e no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), onde receberam informações técnicas sobre a produção do palmito.

Após todos esses investimentos, o casal ampliou a produção de 400 para aproximadamente 1.200 vidros de palmito por mês, além dos cerca de 500 quilos vendidos in natura. Para dar conta de suprir as demandas, Ivan também compra palmito em outras propriedades da região de Marilândia e em Linhares.

Ivan conta que para eles o palmito é mais vantajoso que o café em vários aspectos, especialmente em relação ao clima.

“Se tiver uma seca, o café não consegue florar e perdemos a colheita de um ano, só no ano seguinte para recuperar. No palmito não é assim, se vier uma seca quando volta a chover em dois meses já podemos colher, você não precisa esperar um ano para recuperar a produção”, explica Milanesi.

O palmito pode ser cortado duas vezes ao ano, de seis em seis meses. Inicia-se a colheita em um talhão, quando colhe o último é hora de recomeçar no primeiro. Toda produção, desde as mudas, passando pelo plantio, cultivo, colheita e beneficiamento é feita pelo casal, em regimento de agricultura familiar, com a ajuda de diaristas dois dias por semana.

Cerca de 90% de tudo que é produzido é vendido para o consumidor final de Marilândia, Colatina, Linhares e Vitória. Apenas 10% são comercializados em restaurantes da cidade.

Incentivo à diversificação

Asim que começaram a produção de mudas de palmito, Ivan e Neia tiveram uma ideia que chamam do “pulo do gato”. Produziram e doaram mudas de Pupunha e Açaí para moradores da região. A ideia era possibilitar aos vizinhos a mesma diversificação de renda que tinham. Ao todo foram distribuídas cerca de 40 mil mudas.

“Nós queríamos um produto que agregasse valor a nossa propriedade e uma renda extra, e por que não fazer isso com os vizinhos? Doamos as mudas e deixamos cada um livre para comercializar a produção com quem eles achassem melhor”, conta Neia.

Aos produtores que receberam as mudas Ivan paga 40% do total da colheita retirada e a forma de recebimento o vendedor é que escolhe: em dinheiro ou em caixas de palmito.

“Vamos até a roça, retiramos o palmito, trazemos para cá e fazemos todo o beneficiamento. O pagamento é o vendedor que escolhe. Alguns querem receber em dinheiro, outros, parte em dinheiro e parte em palmito, e alguns querem receber tudo em palmito”, explica Ivan.

O cafeicultor Carlos Dadalto foi um dos contemplados. Morador do Córrego Seis Horas, Carlos recebeu 800 mudas, 600 de Açaí e 200 de Pupunha. Uma vez por ano, Ivan retira o palmito da propriedade de Carlos e devolve os 40%, cerca de 16 caixas que Carlos mesmo comercializa. Para ele, o palmito é uma renda extra importante. “ O palmito que tem em Marilândia foi todo distribuído por eles e para nós foi muito bom, ajuda muito. É uma renda extra que faz diferença no nosso orçamento”, explica Dadalto.

Renda extra permite formação das filhas do casal

Ivan e Neia falam com orgulho das filhas, Thais e Ana Paula, e a carreira que cada uma delas seguiu. Thais é dentista e Ana Paula, psicóloga. Neia lembra que quando construíram a fábrica e aumentaram a produção as duas filhas estavam em idade de fazer faculdade e formá-las só foi possível com a renda do palmito.

“Era nosso sonho formar bem as nossas filhas, mas não tínhamos condições, só com o café não daria, a renda do café era pouca e os custos eram altos, conseguimos que elas estudassem graças à renda extra da produção de palmito”, comenta Neia.


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