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Cafeicultores de Ibatiba (ES) testam floresta de mogno no cafezal

Casal aposta em sombreamento para garantir qualidade aos grãos e pretende realizar negócios com a venda da madeira

Por Leandro Fidelis
8/05/2019 9h55
Atualizado em 8/05/2019 15h31

Gilmar de Castro Souza e Maria Luiza Massini querem realizar negócios com a venda da madeira. (*Fotos: Leandro Fidelis)

Um casal de cafeicultores da localidade de Vista Alegre, zona rural de Ibatiba, no sul capixaba, iniciou um plantio de mogno consorciado ao de café Arábica. Além de garantir sombreamento para o cafezal, Gilmar de Castro Souza e Maria Luiza Massini querem realizar negócios com a venda da madeira de lei no Sítio Massini, às margens da BR-262.

Os cafeicultores adquiriram 100 mudas com um viveirista de Minas Gerais e as plantaram no sistema 4x4, a cada oito ou dez pés de café. Os plantios de mogno contemplam uma lavoura em renovação e com bom espaçamento para a formação da floresta, localizada a 830m de altitude e temperatura média de 17º.

As mudas de mogno estão com cerca de 1m de altura, e a previsão do primeiro corte é de 12 a 16 anos. “Choveu novembro, dezembro e janeiro. Em fevereiro, mesmo sem chuva, os pés permaneceram bonitos”, observa o cafeicultor.

Gilmar conta que teve a ideia depois de assistir na TV uma reportagem sobre uma experiência bem sucedida em Minas, onde o metro cúbico de mogno chega a custa R$ 2.300,00. Há 16 anos, ele iniciou o cultivo de cedro australiano, mas não obteve boa aceitação no mercado para a madeira.

Atualmente, o cedro está sendo utilizado apenas para sombreamento. “Ainda não sabemos se o mogno brota igual, tudo ainda é novidade, mas acredito que vai ser bom para o Espírito Santo porque a cada ano que passa o calor está mais intenso e queimando as lavouras. Nos cafezais sombreados, as folhas são enormes e o clima é mais fresco”, diz Gilmar.

Atualmente, a floresta de cedro serve apenas para garantir o sombreamento do cafezal.

Qualidade

A expectativa com o sombreamento do café é obter os mesmos resultados do cedro. Segundo os cafeicultores, a floresta da espécie influenciou a qualidade dos grãos. A maturação mais lenta imprimiu mais açúcar ao café, com notas sensoriais sempre acima de 82 pontos.

As últimas conquistas do casal não deixam mentir. Desde 2005, Gilmar e Maria Luiza ganharam vários prêmios regionais e um estadual de qualidade de Arábica. O último prêmio foi como terceiro melhor café natural no Concurso Municipal de Ibatiba do ano passado.
O Sítio Massini fica no entrocamento entre Ibatiba, Irupi e Iúna, na região do Caparaó, com vista para a pedra conhecida como “Maminha de Moça”. Da área total de 113 hectares, 70% estão ocupados com cafezais.

A cafeicultura na propriedade teve início com o pai da Maria Luiza, Vagner Massini, de origem italiana, mas o investimento em qualidade partiu do casal. “Os outros ganhavam dinheiro na ‘carcunda’ do meu pai porque ele não sabia da qualidade do seu café. Fizemos investimentos em despolpador, estufa com terreiro suspenso e realizamos laudos constantes com a Caparaó Júnior (Ifes de Alegre) para atestar a qualidade da nossa produção”, relata a cafeicultora.

O Café Massini é torrado em equipamento próprio e já foi para o Egito e Austrália. Os especilistas atestaram na bebida notas de doce de leite, melado e chocolate.

Para este ano, o casal pretende investir em sacaria importada para não ter perdas de café com a umidade. “A produção de qualidade mudou muita coisa nas nossas vidas”, finaliza Maria Luiza.


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