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Entrevista


A jornalista Roberta Páffaro fala do livro pioneiro sobre mulheres do agro

Por Redação SafraES
4/06/2019 19h22
Atualizado em 6/06/2019 22h37

Roberta (segunda da esquerda para a direita) entre Mariely, Ticiane e Andréa, todas autoras da publicação. (*Fotos: Divulgação)

Engajadas, participativas e inovadoras. Essas são algumas das caraterísticas das mulheres do agronegócio nos dias de hoje. Cada vez mais, elas vêm ganhando espaço dentro das mais diversas áreas dentro e fora da porteira e exercem suas atividades com competência e maestria. E a novidade é que a história dessas mulheres vai virar livro.

Inspiradas por experiências de superação e liderança de mulheres do agronegócio de norte a sul do Brasil, um grupo formado por outras quatro mulheres resolveu escrever um livro retratando histórias de agricultoras, pecuaristas, profissionais da agroindústria, da política, da comunicação, entre outras, que venceram obstáculos e têm muito a compartilhar e ensinar. Ainda sem nome, a publicação está em fase de finalização e será lançada no 4º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA), em São Paulo.

Por telefone, a revista Safra ES entrevistou uma das autoras, a jornalista Roberta Páffaro, MBA em Economia, cursando MBA em Agronegócios e diretora de desenvolvimento de mercado para a América Latina do CME Group, representando a Bolsa de Valores de Chicago há dez anos no escritório do Brasil no gerenciamento da comercialização de grãos. Confira a entrevista!

Safra ES- Como surgiu a ideia do livro?
Roberta- Não existe um livro escrito anteriormente sobre mulheres que atuam no segmento agro. Pelas minhas andanças e das minhas colegas de MBA e também autoras da publicação (as advogadas Ticiane Figueirêdo e Andréa Cordeiro, esta fundadora do blog “Mulheres do Agronegócio Brasil”, e a administradora Mariely Biff) ministrando cursos e treinamentos, notamos um crescimento da participação da mulher no setor, um movimento que tem crescido nos últimos três, quatro anos. Vemos muitas mulheres envolvidas no mercado financeiro, dentro de bancos diretamente ligadas ao agro (linhas de crédito), encabeçando posições antes só ocupadas por homens; diretoras executivas de associações de exportações de grãos, por exemplo. Mulheres que estão assumindo posições relevantes, mas que ainda lidam com homens- no meu caso, verifiquei que 80% do público na Bolsa ainda são homens. Veja o caso da própria ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que tem uma história correlacionada com o agro muito grande, inclusive na política. Isto está mudando. A mulher está sendo impulsionada por outra mulher, que também pode aprender.

Safra ES- Quem são as mulheres ouvidas para a publicação?
Roberta- Entrevistamos mais de 40 mulheres, incluindo do Paraguai e da Argentina, que atuam no mercado de maneira geral, dentro e fora da porteira. As entrevistas começaram no fim do ano passado e continuaram no início de 2019. Ouvimos de tudo, de mulheres que ficaram viúvas e herdaram propriedades sem saber o que fazer, mulheres que realmente inspiram, trazem lições de vida que podem contribuir para os leitores. São histórias de superação, coragem e determinação e, por isso, decidimos escrever sobre essas mulheres, de modo a trazer novas oportunidades para outras na mesma situação.

Safra ES- O que vocês notaram de mais particular nessas pessoas?
Roberta- Que o movimento feminino no agro está ganhando corpo. Quanto mais a mulher se profissionaliza, busca conhecimento, ela demonstra ser capaz de estar em postos de diretoria, à frente de decisões. Ainda é um caminho que começa a ser traçado, e é isto que o livro quer mostrar, mulheres que chegaram lá mesmo não sendo nada fácil. É um caminho de dificuldades, mas se entender do assunto, da área dela, tem um campo grande a sua frente. Não estamos abordando o assunto de maneira feminista, mas mostrando que a mulher pode trabalhar em sintonia com o homem na administração da fazenda, por exemplo. No cinturão dos grãos nos Estados Unidos, só para se ter uma ideia, homens e mulheres têm bem resolvida essa divisão de tarefas, o que é muito interessante. De modo geral, o que acontece no Brasil e em outros países, é que os homens do campo têm menos medo de esclarecerem suas dúvidas com as mulheres, o que não fariam com outros homens, e conseguem feedback verdadeiro delas.

Safra ES- E qual o maior desafio das mulheres do agro?
Roberta
- Cada região tem sua dificuldade, mas o maior desafio é convencer que juntas somos mais fortes. Quanto mais a mulher se aproximar e dentro da sua realidade participar mais ativamente das atividades, sem receio de se envolver, cada vez mais espaço para elas pode se abrir. Tudo depende da mulher, não adianta bater de frente. É ter conhecimento e utilizá-lo no momento certo para fazer esse acordo. O conhecimento é a chave. Existem maneiras de dividir o tempo pessoal e profissional. A dica é pegar o tempo livre para estudar, é o empoderamento mesmo. Vale compartilhar informações com a vizinha, contar o que está fazendo, se reunir...Quanto mais tiver essa proximidade, elas se fortalecem, servem de exemplo pra outra, aumentam a autoestima. Quanto mais conhecimento você tem, os homens acabam te respeitando, te dando credibilidade. Treino bastante essa dificuldade.



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