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Entrevista


Secretário Paulo Foletto fala sobre novo olhar para agricultura capixaba

Por Redação SafraES
26/02/2019 9h15
Atualizado em 22/03/2019 21h59

A Revista Safra ES foi recebida na sede da Seag (Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca), em Vitória, no dia 14 deste mês, para uma entrevista com o novo secretário de Estado da Agricultura, Paulo Foletto. Um bate-papo descontraído com um profissional animado em colocar a agricultura no centro da questão. Com o cuidado de não criticar diretamente gestões anteriores, Foletto pontuou, com muita clareza, a intenção com as novas diretrizes da Seag. O secretário disse que o momento de investir em infraestrutura foi importante, mas que a partir de agora um novo olhar virá para a valorização da agropecuária, por meio de programas e intervenções que ressaltem mais o lado social e econômico da atividade, principalmente dos pequenos produtores. Questões como agroecologia, parcerias com institutos tecnológicos e universidades fazem parte desse novo plano.

Safra ES- Como o nome do senhor surgiu para assumir a pasta da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca?

Foletto- Quando o governador Renato Casagrande me chamou para trabalhar no governo, não sabia que iria ser na Agricultura. Ele sabia do meu desgaste viajando para Brasília e tentou me fazer permanecer mais no Espírito Santo, apesar da reeleição no mandato de deputado federal. Me senti honrado até pela confiança que ele demonstrou, mesmo eu sendo médico, embora minha relação sempre tenha sido muito voltada para a agricultura. Sou da roça mesmo, do interior, na época Colatina era de porte médio. Depois que virei político descobri o valor da agricultura para o Estado.

Safra ES- O que vai mudar na Agricultura do Estado com o senhor à frente da Secretaria?

Foletto- Sem fazer julgamentos a administrações anteriores, os programas movimentavam muito dinheiro, sendo que o equilíbrio da Seag foi deixado para trás. Nossa missão é recuperar pessoas da equipe que conseguem montar os programas de agricultura (citou o nome do pesquisador Pedro Carvalho, presente na sala), que trazem bons resultados, por exemplo, para que a Revista Safra ES tenha boas reportagens para publicar. Pretendo recuperar a autoestima dos três órgãos ligados à Seag (Ceasa, Incaper e Idaf). A Seag vive do conhecimento científico do Incaper e da capacidade de organização do Idaf. A Ceasa praticamente caminha com as próprias pernas. Tem que fazer investimento tecnológico nas autarquias parceiras. O componente humano está ficando tão espremido nesta questão da Responsabilidade Fiscal dos governos, cada vez mais difícil. O Incaper tem atualmente uma defasagem de pelo menos 400 técnicos.

Neste processo, as unidades produtoras do conhecimento são fundamentais, a exemplo do Ifes, que tem muitos braços, e a Ufes. Já temos um capital científico muito grande, muitos profissionais se aposentando, alguns continuando no órgão voluntariamente até concluir suas pesquisas. Nós temos que aproveitar ao máximo essas cabeças, o tempo que puderem estar conosco, pois são pessoas em franca capacidade produtiva, mas é necessário renovar também, colocar gente nova para dentro, quem está concluindo mestrado, doutorado... Esse povo mais ligado desse mundo acelerado. Nossa missão aqui, além de resgatar a autoestima das autarquias e organizá-las, é trazer aporte tecnológico e condições de trabalho. Nós vamos cuidar disso aqui!

Alguns núcleos de universidades privadas começam a despertar melhor para a pesquisa. Quem estiver ao nosso alcance, estamos abertos a parcerias, convênios... Com tudo isso funcionando, o foco principal é a agricultura familiar. É a agroindústria, a agroecologia, a produção orgânica, a silvicultura, a saúde no campo, a mulher no campo...

*Foto: Divulgação Governo do ES

Safra ES- No caso específico da agroecologia, que tipo de ação está prevista?

Foletto- Nós temos uma legislação já vigente da rastreabilidade, mas falta a prática. Nós chamaremos para discussão, que será aberta. Virá mais como oportunidade para discutir e argumentar. Quando a gente caminhar com isso, o produtor terá acesso a um computador, estará cadastrado e colocará o nome dele, o que produz... O Incaper já está preparado para orientá-lo do ponto de vista técnico e com orientação prática. Estamos nos preparando para essa realidade. Uma mensagem que estamos levando ao público é que é a hora e a vez da agropecuária capixaba.

Safra ES- Existe algum setor que terá um olhar especial nos próximos anos?

Foletto- Estamos demonstrando boa vontade no setor de pesca. O governador pediu para a gente olhar para a pesca, no que nós pudermos contribuir no processo de organização, missão... Os problemas são grandes. Existe muita informalidade na área. O Ifes de Piúma e a Ufes devem nos ajudar na execução de ideias, aproveitando o que nós temos e trazendo conhecimento das unidades produtoras de conhecimento.

Importante ressaltar que nosso Estado é admirado e admirável. É um Estado organizado. Tivemos um processo de reorganização da Seag provocado pelo Pedeag (Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura). A partir de 2002, nós capixabas optamos por um novo modelo de organização e continuamos com ele porque tem dado certo: responsabilidade fiscal, valorização de estruturas... A Seag fez parte disso, é exemplo pra isso. Temos que relembrar nomes de pessoas que fizeram parte deste processo, é difícil até citar.

Safra ES- E o que tem programado para a cafeicultura?

Foletto- No sul, vamos dar atenção à cafeicultura da região. Se comparar a produção de norte e sul, existe uma disparidade grande. Já foi feito estudo, e nós faremos novamente um trabalho voltado para reorganizar a cafeicultura do sul do Estado, do ponto de vista técnico, da facilidade de acesso a crédito...

O norte cobra da gente solução para perdoar a dívida do financiamento por conta da última seca. Isso não depende de mim. É um trabalho que deve envolver a bancada federal. Sabemos que o café conilon está em um nível alto de produtividade e caminha para o novo desafio, que é a qualidade.

Safra ES- O atual governo pretende manter as feiras da agricultura familiar?

Foletto- Não teremos tanto orçamento neste primeiro ano, mas a aplicação financeira será crescente na agricultura familiar, em todas as suas nuances. Vamos manter e estimular as feiras agroecológicas, expandir da região metropolitana para grandes centros regionais. Atualmente são 24 e nós queremos que nossos técnicos que cuidam disso consigam espalhar este conceito nos escritórios regionais do Incaper. O desafio é quebrar certos mitos, de que o produto orgânico é mais caro.

Safra ES- Quais ações estão previstas para minimizar os efeitos de uma possível crise hídrica?

Foletto- Vamos dar continuidade à política de barragens implantada pela Secretaria no período anterior. Encontramos muitos problemas para resolver. Vamos retomar de forma racional e com calma. Tinha nove obras paradas aqui. Não vamos começar obras novas enquanto houver questões a resolver. Há recursos guardados do Fundo de Barragens para tocar essas obras. Resolvendo isso, vamos dar sequência à política de barragens com um novo olhar. É necessário conviver com a crise hídrica.

Queremos incluir nessa política uma chance de podermos financiar pequenas barragens dentro das propriedades para o Estado ou as prefeituras irem lá e fazer uma barragem dentro da propriedade, de portes maiores, com licenciamento, desapropriação e uso de quem é vizinho dela. A ideia é desenvolver a política das barraginhas. Pretendemos conseguir recursos para financiamentos, carência boa para pagar e juro zero ao agricultor. Estamos falando de R$ 10 mil, R$ 20 mil. O agricultor proprietário vai conseguir baratear o custo, vai lutar pelo preço da hora-máquina e estará agindo legalmente. Ele mesmo vai correr atrás para pagar por isso, mas vamos dar uma condição muito paternalista. O objetivo é aumentar a lâmina d’água e fazer infiltração de lençol freático numa proporção muito maior do que na construção de uma barragem de milhões. Vou discutir muito com o governador Renato esse orçamento. Não tem hoje, mas que vai aparecer vai.

Safra ES- E na questão das estradas, quais serão consertadas primeiramente?

Foletto- Este ano o recurso é para recuperar trechos sem manutenção do ‘Caminhos do Campo’. Ainda estamos na fase de estudo para relicitar a manutenção destes trechos. Alguns estão totalmente detonados, teremos que praticamente refazê-los. Só começaremos trechos novos quando recuperarmos estes. A política do ‘Caminhos do Campo’ vai continuar. O governador está muito animado.

Além disso, é da nossa competência a telefonia rural, que vive momento de instabilidade. No governo anterior, 50 novas unidades foram implantadas e feito leilão de mais 50, sendo que poucas localidades foram contempladas. Neste período aconteceu uma insegurança jurídica, e está sendo necessária a intervenção direta do governador para restabelecer esse projeto. A frase do governador é: “não gostaria que no final dos meus quatro anos de mandato que um palmo de terra no sul não consiga falar com o norte”. Por isso, vamos dar continuidade e uma atenção especial ao programa de internet e telefonia móvel rural.


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