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Fruticultura


Único produtor de maçã do ES espera colher 20 toneladas este mês

Produção da fruta típica de regiões frias está em teste há cinco anos em Montanha, no Norte do Estado, com resultados positivos

Por Edson Sodré
1/10/2019 10h15
Atualizado em 9/10/2019 0h13

*Fotos: Edson Sodré

Mesmo sob forte calor, que chega a ultrapassar os 35 graus na maior parte do ano, o produtor rural Aldair Menezes Anacleto, de 45 anos, espera colher mais de 20 toneladas de maças na próxima safra, que inicia em outubro. O pomar, de 1.600 plantas distribuídas em 1 hectare, fica na localidade de Córrego do Limoeiro, em Montanha, extremo Norte do Estado.

A cultura, tradicionalmente cultivada nos Estados do Sul do país, em locais de temperaturas mais amenas, foi introduzida no Norte capixaba há cerca de cinco anos. Por enquanto, seu Aldair é o único produtor do Estado que cultiva a fruta para fins comerciais. Na propriedade foram plantadas as variedades Eva, Princesa e Julieta, mais resistentes ao clima tropical.

“Essas variedades foram desenvolvidas pela Embrapa e pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e se adaptam muito bem a locais quentes. Há cinco anos, verificamos que o município de Petrolina, em Pernambuco, já estava produzindo maçãs com bons resultados, e decidimos copiar a ideia. Desde então, estamos trabalhando para adaptar a cultura a nossa região também”, ressalta o produtor.

As mudas foram adquiridas do Sul do país, com um ano de idade, por R$ 20 cada, e foram plantadas em fileiras de 4 metros e espaçamento de 1,5m entre plantas. O produtor recebe a consultoria de um agrônomo sobre os tratos culturais e afirma que a plantação ainda está em teste. “Apesar da boa adaptação à região, as plantas são pouco resistentes às doenças, e por isso estamos estudando novas variedades para testar aqui”, afirma.

Aldair ressalta que a principal doença que acomete a fruta é a Glomerella, também conhecida popularmente como “Podridão Amarga”, que aparece em condições de climas quentes e úmidos, e chega a comprometer grande parte da produção. Os frutos infectados apresentam uma mancha, que se aprofunda na polpa, e apodrecem ainda na pré-colheita e durante o armazenamento.

Contudo, o clima quente favorece a colheita duas vezes ao ano. Conforme o produtor, no Sul do país a safra só ocorre uma vez por ano, porque as macieiras hibernam durante o inverno. Já em regiões quentes, as plantas podem ser estimuladas a produzir a cada 4 meses, por meio da técnica de florada contínua. Na propriedade do seu Aldair, a estimativa é que as colheitas ocorram sempre em maio e outubro.

Frutas da última safra. (*Fotos: arquivo produtor)


“Para evitar grandes problemas com pragas e doenças, a gente programou a colheita antes do período chuvoso, entre novembro e dezembro, que é um grande inimigo da maçã por conta das doenças fúngicas, e dos períodos de migração dos pássaros, que devastam todo o pomar”, explica.

Após cinco anos driblando as dificuldades para adaptar a cultura à região, o produtor sonha alto. O objetivo é aumentar a área plantada nos próximos anos e adquirir uma câmara fria para armazenar a produção. Hoje, as caixas com as frutas são comercializadas em média a R$ 30 para supermercados e hortifrutis de municípios do Norte do Estado.

“Até hoje muita gente não acredita que nós produzimos maçãs aqui na região, porque o pessoal relaciona a fruta só com clima frio, mas estamos provando o contrário. Os pesquisadores brasileiros já desenvolveram essas variedades que permitem plantar maçã em clima quente, que é predominante em nosso país, e isso é uma grande oportunidade para diversificar ainda mais nossa agricultura”, completa.

Produtor teve que erradicar 900 plantas

No ano passado, o único produtor de maçã do Espírito Santo teve que erradicar 900 plantas da fruta. O pomar foi todo infectado pela Glomerella (Podridão Amarga), que torna a fruta sem valor comercial por conta de manchas na polpa com gosto amargo. Aldair Menezes Anacleto ressalta que o problema ocorreu devido à falta de conhecimento sobre a cultura.

“Foram as primeiras plantas que adquiri. Elas produziram por quatro anos, cheguei a colher 40 toneladas em 2017. No entanto, por conta da falta de experiência, má condução e tratos inadequados, no ano passado tivemos que erradicar a plantação, e perdemos tudo”, conta.

Ainda em 2018, o produtor plantou mais 1.600 pés de maçã e mudou o trato cultural, com acompanhamento técnico, que tem surtido efeitos positivos. “Nós plantamos as mesmas variedades da fruta, mas mudamos a condução, o manejo e o equilíbrio nutricional do solo, onde conseguimos reduzir o uso de defensivos químicos, resultando em plantas saldáveis e frutas com o mínimo possível de resíduos químicos”, diz.

Para quem quer começar a cultivar maça em regiões quentes, o produtor afirma que é fundamental procurar consultoria técnica com um profissional que tenha conhecimento de causa com a cultura, e buscar variedades mais resistentes ao clima tropical e doenças. “A maçã precisa de mais de uma variedade para fazer a polinização. Aqui utilizamos a Julieta como polinizadora”, enfatiza.

As mudas são adquiridas já grandes, com um ano de idade, a R$ 20 em média, e o gasto chega a R$ 40 mil só com mudas para 1 hectare, além dos gastos com preparo de solo, irrigação e defensivos. As plantas começam a produzir um ano após serem plantadas no solo. No entanto, o produtor aconselha interromper a primeira florada.

“Com 30 dias de plantadas, as plantas já começam a florar, mas essa flor a gente não deixa porque a planta ainda não desenvolveu o sistema radicular. Tem que esperar ela formar, e depois de um ano pode induzir ela para produzir”, explica.


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