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Como é feito um berrante?

Artesão de Venda Nova do Imigrante (ES) transformou em negócio o ofício, fez fama entre sertanejos e vende instrumentos até para outros países

Por Leandro Fidelis
6/05/2019 9h21
Atualizado em 11/05/2019 12h07

O berrante é uma corneta feita com chifre de boi ou outros animais que ajuda os vaqueiros a chamarem o gado em extensas fazendas criadoras principalmente no Centro-Oeste do Brasil. Bastante ligado à cultura sertaneja, acredita-se que a tradição chegou ao Brasil por influência dos escravos africanos.

É um instrumento bastante eficaz para os pecuaristas orientarem, alarmarem e comandarem rebanhos. O berrante é feito unindo-se partes do chifre que melhor se encaixem. As emendas podem ser de couro ou anéis de chifre. Através de um orifício menor na ponta, o tocador sopra até atingir o som certo que pode ser ouvido a distância pelos animais.

A prática foi popularizada pelo Tropeirismo no Brasil Colônia. E na terra onde a Rota Imperial foi o caminho utilizado pelas tropas já na época do Império, é onde se produzem alguns dos berrantes mais famosos do país.

Estamos em Venda Nova do Imigrante, na região serrana do Estado, onde o artesão Geraldo Agrizzi transformou o quintal de casa em uma fábrica de berrantes. Ele é considerado o único capixaba no ofício iniciado há 20 anos.

Fotos: Leandro Fidelis


Os berrantes são de tamanhos, espessura e sons diferentes, mas o objetivo é único. “É um instrumento de conhecimento do sopro e transmissão de mensagem. Com ele, o peão boiadeiro vai tocar até fazer os bois se enfilarem para entrar no curral”, explica Geraldo Agrizzi.

Apesar da dificuldade para obter matéria-prima, o artesão mantém uma rede de contatos com frigoríficos em Rondônia e Mato Grosso para os quais encomenda chifres com seis meses de antecedência. “Viajo de uma a duas vezes por ano para fazer entregas em lojas, cooperativas agropecuárias e acabo retornando com matéria-prima também”.

No sótão da loja, Agrizzi lixa e poli os chifres, unindo parte a parte as peças que melhor se encaixam na busca pelo melhor resultado e acabamento. Os chifres mais usados são de bois Caracu e Guzerá, que apresentam “tortura e emendas boas”, atesta o artesão.

Geraldo Agrizzi produz de 120 a 140 unidades por ano, com preços que podem chegar a R$ 5 mil, dependendo do modelo. Ele diz já ter perdido a conta de quantas unidades fez desde 1998.

Queridinho dos famosos
O trabalho do artesão ficou conhecido no meio artístico. Fotos de cantores sertanejos com o instrumento estão espalhadas nas paredes da loja mantida aos fundos da casa. Ele conta que o cantor Sérgio Reis “que conheceu nos palanques da vida” é um dos maiores divulgadores dos berrantes Agrizzi e inclusive já foi presenteado em diferentes ocasiões com o instrumento produzido em Venda Nova, sendo um deles o primeiro do Brasil folheado a ouro.

A divulgação e a venda dos berrantes são garantidas na internet. Com isso, Agrizzi já comercializou o instrumento com pelo menos dez países, dentre eles Canadá, Bélgica, França, Estados Unidos, Itália e Portugal. “Os clientes compram para diversos fins, desde enfeitar o escritório e usar mesmo nas boiadas”.


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