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Revista Safra ES convida o Rio

Entrevista Eduardo Lopes
Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Rio de Janeiro (Seappa)

Por Redação SafraES
10/04/2019 16h23
Atualizado em 2/05/2019 22h50

O secretário Eduardo Lopes recebeu a Revista Safra ES para uma conversa minutos antes de participar do Painel de Desenvolvimento Sustentável, realizado na UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro), em Campos dos Goytacazes, no último dia 3 de abril.

Ele falou de metas, parcerias, convênios, união, consórcio de municípios, tecnologia e inovação e, principalmente, de sua grande missão: aumentar a participação econômica da agricultura fluminense no PIB do Estado. Dividimos a entrevista em tópicos para você aproveitar ainda mais a leitura.

Aumento da participação da agricultura no Estado e redução das importações

Completamos os primeiros 100 dias de trabalho à frente da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Rio de Janeiro. A primeira meta que recebi do governador Wilson Witzel foi trabalhar para aumentar a participação do agronegócio no PIB (Produto Interno Bruto) fluminense. E do agronegócio em todas as suas cadeias, seja na agricultura, pecuária, pesca, aquicultura e fruticultura. E agora, conhecendo e estudando o setor, percebemos que o Rio de Janeiro vive mais um dos seus paradoxos e que dificulta muito a vida do próprio Estado.

O Rio de Janeiro não tem, por exemplo, uma vocação de agricultura de precisão e grandes commodities, até por conta do seu relevo e geografia, mas para a agricultura familiar e pequenos e médios agricultores. Tanto que 70% do que é consumido no Estado do Rio é produzido por essa parcela: pequenos agricultores familiares. E importamos 70% do que consumimos, em sua maior parte, de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Precisamos mudar essa relação.

Se na agricultura a proporção é de 30% produzido e 70% importado; no leite é de 25% produzido e 75% importado; ou seja, o Rio produz 500 milhões de litros de leite e consome 2 bilhões e 500 milhões de litros. E essa relação já foi de 50/50. O produtor perdeu espaço aqui, seja por questões jurídicas, de legislação, de impostos e incentivos a grandes empresas. Na carne, acredita-se que a dependência é de mais de 80% de importação. Em Campos dos Goytacazes, norte fluminense, importante polo sucroalcooleiro no passado, atualmente a dependência de importação é ainda maior: aproximadamente 95%.

Aí vem um outro paradoxo do Rio de Janeiro, o ICMS do derivado do combustível: é cobrado no destino, e não na origem, ‘em cima’ dos 95% do álcool que consumimos e importamos. Então, importando grandes percentuais de alimentos, leite, carne, combustível, a equação/situação financeira do Rio não fecha."

Aumento de produtividade: parcerias, inovação e tecnologia, certificações para pequenos produtores.

"Não há como equacionar essa relação financeira do Estado do Rio apenas criando barreiras na legislação, tirando incentivos ou mudando impostos, se não pudermos ofertar a produção e abastecer o mercado. É fundamental buscar o aumento da produtividade, seja por meio de convênios de cooperação técnica com universidades, instituições como a Emater-RJ, a Pesagro e a própria Secretaria como um todo. E valorizar a extensão rural, técnica e a qualificação.

Estamos empenhados na secretaria com a questão de selos e certificações, voltados principalmente aos pequenos produtores. Não há como tratar apenas o setor primário, que é produzir e colher, sem agregação de valor. É importante pensar na agroindústria, onde se tem o beneficiamento, a produção realmente industrial, onde se agrega valor. Temos o selo orgânico e também o selo agroecológico, este que tem um consumo ainda maior que o orgânico e que atende a legislação ambiental no que se refere a defensivos, por exemplo."

União: consórcio de municípios, convênios e qualificação

"No momento em que vivemos é importante desenvolver economicamente as cadeias agroalimentares do Estado do Rio por meio de consórcios de municípios, a fim de dinamizar o desenvolvimento humano, econômico e social de forma sustentável. Isso já é realidade no norte fluminense, e estamos finalizando a formalização do Consórcio de Desenvolvimento da Baixada Fluminense, que é muito importante.

Atualmente, o maior produtor orgânico do Estado é Petrópolis, mas a Baixada Fluminense tem toda a condição de ser outro grande produtor. Além da goiaba, manga e outras frutas, também café, leite e derivados, há várias possibilidades no município e na região. Cupuaçu, cultivo tradicional do norte do país, está presente no município. É necessário desenvolver ainda mais.

Dia 29 de março fizemos importante entrega em Xerém (Duque de Caxias), grande produtor de goiaba, e que, inclusive, exporta para o Japão. Foram entregues máquinas do Kit Patrulha, um programa da Emater.

Note que todos os subprojetos que foram apresentados à Emater para extensão e questão de qualificação e tecnologia da agricultura foram implementados, o que gerou um convênio do Rio Rural com investimento de R$ 1,7 milhão na área de Caxias-Xérem, e que gastaria um retorno para os produtores e para o município da ordem de R$ 45 milhões. Isso mostra o quanto é importante investir na qualificação e no desenvolvimento agrícola. É um grande negócio.

Há também boas notícias em várias áreas. Na aquicultura, uma empresa espanhola está investindo em Cabo Frio para produzir grande quantidade de mexilhões. Ao longo de três anos, o investimento será da ordem de R$ 500 milhões. Em Petrópolis, já foi aprovada a cadeia para produção do lúpulo, insumo importante da cadeia de cerveja artesanal. E também de Petrópolis, recebi, experimentei e gostei do primeiro vinho tinto produzido no Rio de Janeiro. Há muito a fazer. Vamos trabalhando!”.

UENF recebe Painel de Desenvolvimento Sustentável

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), em Campos dos Goytacazes, recebeu o “Painel de Desenvolvimento Sustentável”, no dia 3 de abril, com a presença do secretário estadual de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Rio de Janeiro, Eduardo Lopes. Também estiveram presentes os presidentes da Emater-Rio, Sergio Lemberck; e da Pesagro-Rio, Nilton Leal; além de produtores rurais, técnicos e representantes do setor agropecuário.

O painel foi direcionado aos prefeitos, secretários de Agricultura, presidentes das Câmaras Municipais e demais representantes da região. O objetivo foi apresentar as ações da secretaria estadual e abrir oportunidade de atuações conjuntas, parceiras e cooperações com os municípios e entidades representativas da região, visando ao desenvolvimento sustentável do agronegócio com o apoio, inclusive, de instituições de ensino como a UENF.

Em recente depoimento sobre as metas da sua gestão à frente da secretaria, Lopes também declarou:

"Não tenho dúvidas de que a grande demanda dos municípios é o programa Estradas da Produção. Não adianta produzir se não tivermos como fazer o escoamento. Temos o apoio do Governo do Estado para alcançarmos nossas metas nos municípios, disponibilizando o número de equipamentos e insumos necessários para a agropecuária. Contamos com o apoio de nossas empresas vinculadas nessa empreitada, desde a Emater à Fiperj, Pesagro e Ceasa.

Quanto aos créditos rurais, temos a parceria do Banco do Brasil, que por meio dos correspondentes bancários, oferece facilidades para estes empréstimos aos agricultores familiares. E não podemos esquecer do projeto Rio Genética, que estamos tratando com o prefeito para que se torne uma realidade. Tenham certeza de que, como secretário de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento desta gestão, o trabalho e a dedicação serão uma constante para que juntos sejamos mais fortes e voltemos a ver o nosso Estado do Rio de Janeiro crescer”, concluiu.

(*Com informações do G1 Norte Fluminense e do site da Seappa).


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