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Digitalização, capacitação e redução de custos são desafios para os produtores, diz especialista

Algumas mudanças organizacionais serão de fundamental importância para a conectividade no campo.

Por Sociedade Nacional de Agricultura
6/01/2020 13h07

(Foto: *Divulgação)

As perspectivas para o agronegócio em 2020 são animadoras na opinião do professor Marcos Fava Neves, especialista em planejamento estratégico do setor. Segundo ele, a Peste Suína Africana na Ásia, o câmbio favorável para a agricultura brasileira, com juros baixos, e a retomada da economia são fatores que deverão contribuir para um ano melhor.

No entanto, para Neves, é preciso estar atento às principais preocupações dos produtores, entre elas, a questão da digitalização. “Há muitas soluções no mercado que não se conectam e não geram resultados”, advertiu o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em seu canal no YouTube.

Diante desse cenário, o especialista afirmou que é necessário “preparar melhor o produtor para os dados gerados, integrar as soluções, reduzir os custos das plataformas e maquinário, filtrar as informações que se aplicam ao negócio e gerar soluções que permitam a interatividade entre todos os dados”.

Sucessão


Outro desafio para o produtor apontado pelo especialista é a garantia e a capacitação na sucessão do negócio, o que envolve fatores como governança e profissionalização da gestão. “É preciso unir o conhecimento da geração anterior com essa nova que está chegando, muito mais conectada, formar sucessores e integrar cada vez mais os produtores com outros setores da economia”.

Metas e expectativas


Um terceiro aspecto mencionado por Neves se relaciona à imagem do agro brasileiro para a sociedade nos aspectos sociais e ambientais. Nesse sentido, o especialista disse que é preciso “unir os produtores para que as políticas do meio rural tenham equilíbrio, utilizar novos canais de mídia para falar sobre o agro e promover eventos em benefício da imagem do setor”.

Neves também destacou como próximos desafios a qualificação e retenção da mão-de-obra, com treinamentos, bolsas de estudo, plataformas digitais para formação, entre outros; redução permanente dos custos de produção, com centros de distribuição integrados, agregação de atividades, etc.; maior resistência a pragas e doenças, com o aumento do uso de defensivos; logística na entrega de produtos, com pontualidade e segurança, e elaboração de novas tecnologias de químicos e genética, com o aceleramento do processo de aprovação de patentes.

O professor da FGV e da USP disse ainda que é necessário padronizar o processo de produção de sementes, solucionar a questão da rotatividade de profissionais no campo, o que, segundo Neves, “dificulta o desenvolvimento de relacionamentos”, agregar valor à produção (“um desafio constante”), e entender melhor as necessidades do produtor – neste caso, “mensagem direcionada principalmente às empresas de insumos”.


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