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Agroindústria orgânica é aposta para produtores de Nova Venécia

Valor agregado maior e melhor aproveitamento da produção são os principais motivos para criação das agroindústrias no município

Por Rosimeri Ronquetti
25/09/2020 14h00
Atualizado em 14/10/2020 12h09

*Fotos: Rosimeri Ronquetti

Nova Venécia, na região norte do estado, é o segundo maior produtor de orgânicos do Espírito Santo. A lista de itens produzidos inclui os mais variados. Entre eles: hortaliças diversas, frutíferas e café. Mas, nos últimos anos, o que vêm se destacando no município são as agroindústrias de produtos feitos a partir do que os produtores cultivam na propriedade.

Criada em 2010 inicialmente com seis ou sete associados, a Associação Veneciana de Agroecologia Universo Orgânico surgiu da necessidade de um grupo de produtores de orgânicos se organizar. Atualmente são cerca de 30 associados, que cultivam de forma orgânica os mais variados produtos.

Mas, se antes os produtores de orgânicos tiravam os produtos da horta ou do pomar e os levavam para vender na loja própria da associação ou na feira livre da cidade, agora parte desses itens se transformam em doces, compotas, molhos e queijo. Primo Dalmasio, presidente da associação, diz que esse é um movimento crescente e bastante oportuno.

“A expectativa do mercado é crescente por produtos limpos. A demanda por produtos orgânicos cresce de 30% a 35% anualmente e agora entra em uma nova fase, a de industrializar o que se produz. É um bom negócio, tanto para a produção de alimentos, quanto para a agroindústria derivada desses produtos orgânicos. É um negócio bastante oportuno”, afirma Dalmasio.

O presidente da associação, Primo Dalmasio, diz que o movimento é crescente e bastante oportuno.

Ainda segundo o presidente, a associação é uma grande incentivadora do processo, mas as parcerias são fundamentais. “Tanto o Incaper, quanto o Ifes campus Nova Venécia, a prefeitura e o Banco do Nordeste nos apoiam, seja com projetos ou canalizando recursos para fazer as agroindústrias de orgânicos acontecerem”.

Segundo dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), no Espírito Santo 300 produtores rurais já possuem a certificação orgânica. Cerca de 1.300 não utilizam produtos químicos nas lavouras, e outros 300 estão em fase de transição, deixando o cultivo tradicional e adotando as práticas de agroecologia. Em Nova Venécia são 30 agricultores certificados e oito em processo.

Valor agregado e aproveitamento da produção estimulam produtores

Pecuarista há 22 anos, Adenilson Rodrigues da Silva (48), do Córrego Água Preta, comunidade São José do Campo Real, é proprietário da única queijaria orgânica, organizada e certificada do município. Todo leite produzido na fazenda é orgânico.

Mas, o que caracteriza um leite orgânico? Adenilson explica: o que torna o leite orgânico é o trato diferenciado com os animais.

“A propriedade é autossustentável. Não usamos adubo químico. Os piquetes de pasto são adubados com dejetos dos próprios animais. A alimentação é feita com milho plantado com semente crioula- sem alteração genética ou utilização de produtos químicos-, e o controle dos parasitas, por meio de homeopatia. Tudo isso faz do nosso leite um produto orgânico”, salienta o pecuarista.

A opção pela fabricação do queijo, em vez de vender o leite, foi tomada levando em consideração o alto valor agregado do produto. Denilson explica que o valor do quilo do queijo na cidade gira em torno de R$ 22, enquanto o queijo orgânico feito por ele é vendido por R$ 30, 35% a mais que o comum. “Do ponto de vista econômico é muito bom, agrega valor ao produto que fazemos e a renda é maior”.

A produção, de 600 kg por mês, é toda comercializada na loja de orgânicos e padarias de Nova Venécia. Há cerca de dez anos o pecuarista decidiu trabalhar com produção orgânica em busca de uma alimentação saudável.

No assentamento Rodeio, comunidade São João do Boto, Sítio Floresta, encontramos Vitorina Maria Ortelan Colonna (60), o marido, Pedro Colonna Neto (65), e o filho, Pedro Paulo Colonna (39), todos envolvidos com orgânicos. A produção foi iniciada assim que a família conquistou o direito à terra e nunca mais parou. São sete hectares, certificados desde 2016, cultivados com as mais variadas plantações.

Há sete anos, após participar de cursos de capacitação e visitar outras agroindústrias, Vitorina percebeu que podia agregar valor aos produtos que colhiam e, ao mesmo tempo, complementar a renda de casa. Foi assim que começou transformar as frutas do pomar em produtos orgânicos. Amoras, abacaxis, morangos, tomates, entre outros, são agora matéria-prima de compotas, geleias e molhos.

Vitorina é quem cuida dos doces. Ela conta que, além da renda extra, o processamento dos frutos garante aproveitamento e durabilidade maiores.

“Tem coisa que não conseguimos vender, frutas muito pequenas, com algum defeito, aquelas que amassam, mas para os doces e molhos conseguimos aproveitar. Sem contar que estamos falando de um produto que era vendido só in natura e agora vai para prateleira e fica em exposição maior, dura mais. O desperdício praticamente não existe”, conta a produtora.

Para o filho Pedro Paulo, a agroindústria é muito importante no desenvolvimento da agricultura familiar, da propriedade e por envolver o trabalho da mulher.

“A agroindústria dos produtos orgânicos chega como um fator de desenvolvimento da agricultura familiar e o da propriedade como um todo. Nós conseguimos agregar valor ao que não é vendido, gerou renda para minha mãe e a aceitação é muito boa”, destaca Colonna.

De acordo com a extensionista do Incaper de Nova Venécia, Jozyellen Nunes da Costa, existem vários produtores de orgânicos que processam seus produtos. No entanto, o que falta, em muitos casos, é o interesse pela legalização dos negócios. Em Nova Venécia, por exemplo, são vários empreendimentos, mas apenas três se legalizaram. Jozyellen elenca o motivos pelos quais acredita que isso acontece.

“Agroindústria orgânica muita gente já faz, não só aqui no norte, mas em todo o Estado, envolvendo especial as mulheres. O que vejo de empecilho nesse tipo de produção é a legalização. Os produtores têm medo da burocracia, lhes falta conhecimento, daí vendem de porta em porta e os consumidores compram. Falta ainda um olhar empreendedor do produtor para entender que tem retorno e que é possível transformar algo doméstico em negócio”, explica Jozy.


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