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Quanto vale um cavalo? – Raça Pampa

Trata-se da mais nova raça de equinos do Brasil. Ela é fruto do cruzamento entre várias raças, destacando-se as brasileiras Campolina, Mangalarga Marchador, Crioulo e Mangalarga. Um dos diferenciais da raça: o cavalo (de sela) é ideal para o lazer – passeios, turismo equestre, cavalgadas e enduros.

Por Animal Business Brasil
8/12/2020 20h45
Atualizado em 11/12/2020 12h01

Das telas do cinema à montaria, lazer, exposição, leilão e pista de competição

Essa é a trajetória do cavalo Pampa, que se caracteriza por possuir bela pelagem malhada que cativa pessoas de todas as idades e atrai compradores de exemplares da espécie e quem pretende investir na criação raça.

O Pampa conquistou fama mundial ao desempenhar papel de “bandido” nos filmes americanos de faroeste e de guerra entre exércitos e índios. Montados pelos índios, geralmente a pelo, esses cavalos coloridos ainda hoje encantam olhares de milhões de espectadores de artes cênicas (cinema e televisão) em todo o mundo, seja pela beleza de sua pelagem, conformação, coragem, velocidade e agilidade.

Como raça, o cavalo Pampa já é mundialmente reconhecido através do “Paint Horse”, o Pampa americano de tipo Quarto de Milha, ou pelo nome de “Pinto” (palavra de origem espanhola). A diferença principal entre ambos é que o “Pinto” não apresenta o tipo morfológico para o trabalho, que caracteriza a conformação do cavalo Quarto de Milha.

A origem do Pampa americano, data de 1519, quando o explorador espanhol Hermando Côrtes trouxe para o continente americano uma tropa composta de 16 cavalos de guerra, entre os quais havia um branco com manchas escuras no ventre. Do cruzamento deste animal manchado com os nativos mustangs (cavalos sem donos) americanos originaram-se os cavalos “Pinto” e “Paint”.

Povoado por manadas de cavalos selvagens, o oeste americano foi desbravado nas patas de cavalos pampas com suas pelagens coloridas, tornando-se as montarias de preferência dos índios e, particularmente, dos índios Comanches, famosos pelas suas exímias habilidades como cavaleiros do oeste americano, mais velozes do que as cavalarias, diligências e trens. Os índios Comanches idolatravam os cavalos Pampas, acreditando serem os favoritos dos Deuses.

No Brasil, não há registro de uma data precisa da primeira introdução de animais pampas, mas acredita-se que a pelagem foi introduzida através de alguns poucos cavalos originários da raça Berbere (nativa do norte da África), trazidos pelos colonizadores portugueses e, principalmente, pelos cavalos holandeses, por ocasião da invasão de Pernambuco. Com estas raças, também foi introduzido no Brasil um tipo de andamento naturalmente marchado, razão pela qual o Pampa brasileiro apresenta, além de suas belas variedades de pelagens, outro relevante fator diferencial de mercado: a marcha. Esta característica funcional qualifica o cavalo Pampa nacional como um equino ideal para o lazer – passeios, turismo equestre, cavalgadas e enduros. No mercado internacional, um Pampa marchador é uma “joia” de inestimável valor, e raridade.

A origem do nome pampa deve-se ao fato de que, em meados do século XIX, o brigadeiro Rafael Tobias Aguiar, vencido na revolta da província de Sorocaba, interior de São Paulo, fugiu com seu exército para o Rio Grande do Sul, onde aderiu à batalha dos Farrapos. A maioria dos soldados montavam cavalos pampas, inicialmente conhecidos no Sul como tobianos. Quando retornaram a São Paulo, estes cavalos passaram a ser gradualmente conhecidos no resto do país como os cavalos dos “Pampas” (codinome do Estado do Rio Grande do Sul).

Ao contrário dos objetivos da APHA – American Paint Horse Association, a ABCPampa – Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pampa, não registra animais descendentes do Quarto de Milha e, praticamente, de todas as raças exóticas, a fim de não descaracterizar o tipo morfológico do Pampa nacional. O cavalo pampa brasileiro está sendo formado com base em um padrão morfológico internacional tipo sela, preservando-se todas as modalidades de andamentos, que exprimem o real significado de um animal destinado a diversas funcionalidades.

Padrão da raça Pampa

O cavalo Pampa é oriundo do cruzamento interracial entre reprodutores e reprodutrizes, das raças Anglo-Árabe, Campeiro, Campolina, Crioulo, Mangalarga, Mangalarga Marchador e Puro Sangue Inglês (PSI).

Aparência geral

Pelagem: Pampa conjugada com as pelagens sólidas contidas no regulamento, sendo que o animal deverá ter no mínimo uma área de pelos brancos sobre pele despigmentada medindo em torno de 100 cm 2 ,podendo ser composta de, no máximo, duas manchas formando a área total. As despigmentações de crina e cauda podem ser de qualquer forma e tamanho expressivo.

Porte médio a grande, estrutura e musculatura forte, proporcionada e bem distribuída, com ossos resistentes, articulações e tendões bem definidos, expressão vigorosa e sadia, temperamento altivo, brioso, enérgico e dócil. Pele e pelos finos.

Altura: mínima de 1,45m para os machos e de 1,40m para as fêmeas.

Cabeça

De tamanho médio, harmoniosa, fronte ampla e plana, ganachas afastadas
Perfil: retilíneo na fronte e chanfro;
Olhos: afastados, expressivos, grandes, salientes, com pálpebras finas e flexíveis;
Orelhas: proporcionais, de tamanho médio, paralelas, bem implantadas e bem dirigidas;
Narinas: grandes, flexíveis e afastadas;
Boca: de abertura média, lábios finos, justapostos e firmes.

Pescoço

Leve em sua aparência geral, obliquo, proporcional, de boa musculatura, apresentando equilíbrio e flexibilidade, de inserções bem definidas e harmoniosas, com sua borda superior ligeiramente rodada e retilíneo na borda inferior. Bem unido à cabeça por uma larga e limpa garganta, com inserção ao tronco no terço médio superior do peito. Crinas com cerdas (cabelos) finas e sedosas.

Tronco

Cernelha: bem definida e musculada;
Peito: amplo, profundo, bem musculado e não saliente;
Costelas: longas e arqueadas;
Tórax: amplo e profundo;
Dorso: de comprimento médio, proporcional, de boa direção, musculado, bem unido a cernelha e harmoniosamente ligado ao lombo;
Lombo: curto, reto, largo, coberto por forte massa muscular, harmoniosamente ligado ao dorso e à garupa;
Flancos: curtos e cheios;
Garupa: longa, ampla, musculada, levemente inclinada com a região sacral não saliente e de altura não superior à da cernelha;
Cauda: de inserção média, bem implantada, móvel, dirigida para baixo quando do animal em movimento, cerdas finas e sedosas.

Membros

Espáduas: longas, amplas, obliquas, de musculatura forte e bem distribuída;
Braços: longos, musculosos, de boa angulação e bem articulados;
Antebraços: longos, retos e musculosos;
Joelhos: fortes, secos, bem articulados, e na mesma linha dos antebraços:
Coxas: longas, amplas e musculosas;
Pernas: fortes, longas e musculosas;
Jarretes: fortes, secos, lisos, bem articulados e aprumados e livres de taras;
Canelas: retas com tendões nítidos, sem estrangulamentos, sem taras duras ou moles.
Boletos: definidos e bem articulados;
Quartelas: médias, fortes, de boa angulação e bem articuladas;
Cascos: médios e resistentes;
Membros no conjunto: bem aprumados vistos de frente, de perfil e por trás, tolerando-se desvios parciais, porém penalizando aqueles considerados graves, tais como: anteriores – transcurvos, ajoelhados, cambaios, sobressi (debruçados), acampados, emboletados e arriados de quartela; posteriores – jarretes muito fechados, com as pinças dos cascos excessivamente voltados para fora, acampados, excessivamente acurvilhados, emboletados e arriados de quartela.

Andamento

Qualquer modalidade de andamento natural a exceção da andadura nos machos.

Desclassificação

Pele: pseudo-albino;
Olhos: íris albinóide a exceção da íris de cor azul;
Temperamento: vícios considerados graves e transmissíveis;
Orelhas: mal dirigidas(acabanadas);
Perfil: excessivamente convexilíneo ou concavilíneo;
Lábios: com relaxamento de suas comissuras(belfo);
Arcada dentária: assimetria com menos de 50% de contato entre as mesas dentárias (prognatismo);
Pescoço: borda inferior convexa (invertido ou de cervo);
Dorso e lombo: (concavilíneo) lordose , selado; (convexilíneo) cifose, dorso de carpa e (escoliose) desvio lateral da coluna;
Garupa: demasiadamente inclinada (derreada), mais alta do que a cernelha (menso) tolerando-se uma diferença de até 2,0 cm nas fêmeas;
Membros: defeitos graves de aprumos congênitos ou hereditários e taras ósseas;
Aparelho genital: anorquidia (ausência congênita dos testículos), monorquidia (ausência congênita de um testículo), criptorquidia (um ou dois testículos retidos na cavidade abdominal); assimetria testicular ou escrotal acentuada (hipo ou hiperpalasia), anomalias congênitas do sistema genital das fêmeas;

Pelagem sólida, à exceção de animais que tenham comprovação genética tobiana, persa, apaloosa, oveira e bragada (área de pelos brancos sobre pele despigmentada somente na região do ventre).

Surgimento do cavalo Pampa

Os primeiros animais da raça Pampa começaram a surgir no país com a criação da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pampa (ABCPampa). Fundada em 2 de agosto de 1993 pelo selecionador e estudioso de cavalos Márcio de Andrade, juntamente com colaboradores, ela tem por finalidade fomentar a criação do cavalo Pampa em todo o país, congregando criadores, proprietários e usuários,

Além disso, tem a incumbência de realizar e supervisionar o Serviço de Registro Genealógico e promover exposições e leilões e apoiar pesquisas, simpósios, congressos e seminários em torno do cavalo Pampa.

Considerada ainda “jovem” no Brasil, a ABCPampa, com apenas 27 anos de existência, já tem quatro mil associados, sendo dois mil criadores ativos, principalmente na região Sudeste. Atualmente ela ocupa o posto de segunda maior raça de sela de cavalos em número de novos associados e número de novos animais registrados por ano.

Segundo s ABCPampa, em todo o país já são 25 mil animais registrados. A maior parte deles concentra-se nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.

Características da raça e valorização

A raça pampa se diferencia das outras raças nacionais por aceitar cinco tipos de andamento: o trote e quatro marchas: trotada, batida, centro e picada. A diferença entre elas está nas trocas de apoio.

Outro diferencial da raça são os tipos de pelagem. Pode ser pampa de preto, pampa de baio, pampa de castanho, castanha pampa, que é quando predomina a coloração sólida, pampa de tordilho e muitas outras cores.

Para a ABCPampa, “não tem quem não se encante com o Pampa brasileiro; ele é único, até porque não existe dois pampas com a mesma pelagem”, diz, acrescentando: eles têm a mescla de duas ou três cores e são sempre únicos”. E chama a atenção para outro diferencial do animal:

“O cavalo pampa é uma das raças mais valorizadas da equinocultura devido a características, como a variedades de pelagem e sua marcha, que o torna ideal para atividades de lazer, passeios, turismo equestre, cavalgadas e enduros”.

De acordo com a empresa carioca Canal Business, que atua na realização de leilões de animais, entre eles equinos, atualmente os preços para um cavalo Pampa de passeio variam entre R$ 5 mil e R$ 20 mil reais.

Quanto aos animais considerados de elite, utilizados para reprodução e em competições, a leiloeira acrescenta que podem chegar a um milhão de reais, sendo que o preço varia de acordo com fatores genéticos e conclui: no caso de animais de competições as premiações desempenham papel importante na formação do preço.


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