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Resíduos da produção de vinho e café são alvos de pesquisas para gerar mais produtividade no campo

Estudos do Ifes Campus Santa Teresa também visam à sustentabilidade e à diminuição dos custos para o produtor

Por Assessoria de Imprensa Ifes
6/06/2019 12h10
Atualizado em 26/06/2019 19h45

Professora Paola Lo Monaco com a orientanda, Paola Salla, e o resíduo da vitivinicultura utilizado na produção de mudas. (*Fotos: Divulgação Ifes)

Duas bebidas bastante apreciadas em todo o mundo por seu sabor têm recebido um olhar diferente no Campus Santa Teresa, do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). Projetos coordenados pela professora Paola Lo Monaco investigam o aproveitamento dos resíduos da produção de vinho e de café como componentes de substratos para produção de mudas, em um processo que aumenta a produtividade e a sustentabilidade no campo.

Segundo Paola, o aproveitamento da matéria orgânica residual da produção de vinhos (vitivinicultura) ainda é pouco pesquisado no Brasil. Junto com a sua orientanda, a estudante Paola Honorato Salla, do curso de Agronomia, ela vem estudando o tema de forma pioneira. Elas já fizeram os testes com pepino e quiabo e os resultados foram promissores. “Estamos fazendo a análise estatística ainda. Porém, na análise visual das mudas, já vimos que é um excelente resultado em comparação com o uso isolado do substrato comercial”, adiantou a professora.

Quanto ao café, foi pesquisada a moinha, um resíduo oriundo da secagem do grão. O trabalho já está em fase mais avançada: foram feitos testes na própria muda de café, tanto conilon quanto arábica, e em mudas de eucalipto, de pepino, tomate, beterraba e jiló. Com a eficiência comprovada, a Professora e seu grupo de pesquisa – o Grupo de Pesquisa em Manejo Ambiental (GPMA) – já publicaram as proporções ideais de moinha para cada tipo de cultura, em revistas científicas da área.

A fase de produção de mudas é essencial para o sucesso das lavouras. “Mudas de boa qualidade são de suma importância para o sucesso da cultura, uma vez que a formação inicial da planta se reflete por toda a sua fase produtiva. Dentre os fatores que influenciam na qualidade de mudas, destaca-se o substrato utilizado. Se o substrato não contiver as características físicas, químicas e biológicas ideais para o desenvolvimento da muda, não serão plantas vigorosas no futuro e não produzirão o potencial que poderiam. Além disso, as mudas podem permanecer por mais tempo no viveiro, o que implica em prejuízos”, detalhou Paola.

Mudas de pepino em substrato feito com resíduo da vitivinicultura.

Essa é uma etapa que gera despesas para o produtor, já que, em linhas gerais, ele precisa adquirir substrato comercial, fazer a irrigação e realizar o controle climático em viveiro. Assim, as pesquisas com substratos alternativos podem gerar tanto benefícios ambientais quanto econômicos.

“O uso de fontes alternativas de resíduos agrícolas na composição de substratos é uma solução para tornar ambas as atividades mais sustentáveis e ecologicamente corretas, pois visa à eliminação de um problema ambiental da agroindústria, ou de qualquer tipo de propriedade que gere resíduos, pelo fato de serem aproveitados e dispostos de forma harmônica no meio ambiente. Ao mesmo tempo, promove a redução nos custos de produção, beneficiando toda a cadeia, do produtor ao consumidor”, apontou. Para ela, esse tipo de trabalho também está alinhado à proposta do Ifes. “Precisamos fazer pesquisas que efetivamente tragam soluções para a comunidade”, avaliou.

Filtro de flores
Pesquisa anterior coordenada pela professora Paola Lo Monaco, com a participação da estudante Débora Moro Soela, propôs a utilização de duas espécies de flores para fazer o tratamento de água residuária de suinocultura em “sistemas alagados construídos” (SACs). Os SACs são reservatórios preenchidos com materiais porosos, geralmente constituídos por brita, que servem de suporte para o cultivo de plantas aquáticas e que recebem a água a ser tratada.

Nesse meio, entre as plantas, desenvolvem-se bactérias que proporcionam a degradação de parte da matéria orgânica da água residuária, além da remoção, por meio de processos físicos, de sólidos suspensos. “Assim, no sistema que envolve meio poroso, planta e microrganismos, ocorre o tratamento. Ao final do percurso do meio poroso, a água sai mais limpa”, contou a professora.

Além do aspecto ambiental, o sistema também promove um efeito estético, por utilizar plantas ornamentais: lírio-do-brejo e helicônia papagaio. O trabalho venceu o Prêmio Ecologia 2017, na categoria graduação.

Alunas do Campus Santa Teresa realizam trabalho com moinha de café, com aplicação em mudas do próprio café.


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