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Caparaó conhece potenciais para cultivo de oliveiras

Em reunião com produtores, frente parlamentar destaca a importância de outras culturas na região, que tem como principais produtos o café e o eucalipto

Por Assessoria de Imprensa
29/08/2019 15h18
Atualizado em 13/09/2019 19h15

Fotos: Divulgação

As condições ideais de solo, clima e altitude garantem ao Caparaó capixaba, no sul do Espírito Santo, o potencial para o cultivo de oliveiras. A afirmação foi feita em Iúna, durante reunião realizada pela Frente Parlamentar em Defesa e Apoio à Diversificação Agrícola, da Agricultura Familiar e Orgânica da Ales. Produtores rurais, prefeitos, secretários municipais e outros interessados no assunto lotaram, na noite desta quarta-feira (28), o auditório da Secretaria de Agricultura do município para conhecer mais sobre a possibilidade de produção de azeitonas e azeite nas regiões Serrana e do Caparaó do Espírito Santo.

O extensionista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Carlos Sangali afirmou que o Estado tem 150 mil hectares vocacionados para a cultura de oliveiras, distribuídos em 25 municípios. Sangali faz parte da equipe do escritório do Incaper de Santa Teresa responsável por orientar a plantação das primeiras mudas no município da Região Serrana, em 2012.

“A olivicultura para a Região Serrana do Estado é a redenção da agricultura de montanha. Vem trazer autoestima e dignidade ao produtor rural. Não só pelo prazer de cultivar, mas pela rentabilidade que vai trazer qualidade de vida para as pessoas”, pontuou o técnico. Sangali disse que a produção de azeitonas rende ao produtor R$120 mil líquidos por hectare quando a cultura estabiliza sua produção, a partir de 10 anos.

O presidente da frente parlamentar, deputado Dary Pagung (PSB), falou da importância de outras culturas na região do Caparaó, que tem como principais produtos o café e o eucalipto.

“Não tenho dúvida de que aqui nessa região, onde tem clima e altitude para plantar oliveiras, vamos, daqui a alguns anos, colher os frutos para o Espírito Santo. É mais renda para o produtor, mais imposto pro Estado e para os municípios”, disse.

Atualmente o Espírito Santo conta com 115 produtores de oliveiras, distribuídos em 15 municípios. Cada propriedade tem em média 1,62 hectares. Os dados são da Associação dos Olivicultores do Estado do Espírito Santo (Olives). Constituída em 2018, a Olives conta com 55 associados.

Arquivo Safra ES

Indústria

Segundo o presidente da entidade, Marcos Aurélio Subtil de Castro, o grande desafio para os produtores é construir a agroindústria para processar oliveiras e produzir azeite. De acordo com Subtil, o terreno para a construção da indústria de beneficiamento já foi doado pela Prefeitura de Santa Teresa e o projeto também já foi feito, restando agora o aporte de recursos para a obra.

Prefeitos se mostraram animados com a proposta de diversificação da agricultura na região. Cristiano Spadetto (PMDB), de Conceição do Castelo, sugeriu que o governo subsidie a aquisição das mudas de oliveiras, que ainda têm um custo considerado elevado, em torno de R$12,00 cada.

“Por que a gente não propõe ao governo, dentro do Projeto Reflorestar, alguns programas de implantação da oliveira? Devido ao custo alto, se a gente tem esse incentivo de melhorar nossa região, de trabalhar esse reflorestamento, seria muito bacana pra nossa região”, disse. Também participaram o prefeito de Iúna, Coronel Weliton (PV), e os chefes do Executivo de Irupi, Edmilson Meirelles (MDB); de Divino São Lourenço, Eleardo Brasil (MDB); e de Ibatiba, Luciano Pingo (MDB).

Produção no Caparaó

O distrito de Santa Cruz de Irupi, no município de Irupi, vizinho a Iúna, foi o pioneiro na região do Caparaó a apostar na olivicultura. São duas mil mudas distribuídas por 7,2 hectares que começaram a ser plantadas em dezembro de 2018. A perspectiva é que em 5 anos seja realizada a primeira colheita para comercialização de azeite orgânico com 0% de acidez.

“Nossa região do Caparaó consegue produzir com quantidade e qualidade as oliveiras. Temos a incidência de frio, temos praticamente oito meses com chuva. Os principais desafios são o custo inicial do plantio, que é alto. Então, o produtor não tem condição financeira de adquirir as mudas em grande escala. Por isso, a gente precisaria de subsídio para as mudas. Outro desafio é o beneficiamento e a venda do produto”, avalia o responsável pela propriedade Virgínia Reflorestamento, José Carlos Nunes Moreno.


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