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Stefany Sampaio Silveira

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O papel do jovem do lado de dentro da porteira em tempos de Covid

23/06/2020 13h58

Muito se comenta sobre inovações tecnológicas no campo e a importância da modernização das propriedades rurais. De fato, esta realidade estará cada vez mais presente no cotidiano da Agricultura 4.0 que temos vivenciado. No entanto, a pergunta é: quem serão os protagonistas dessa mudança pós-Covid?

Sendo o setor da economia menos afetado pela crise mundial do novo coronavírus, as exportações do agronegócio foram responsáveis por amenizar a queda de 7,2% nas exportações totais do Brasil no acumulado em 2020, segundo dados do Ministério da Agricultura.

O agronegócio tem se consolidado como um segmento confiável, rentável e de alta inovação. Todo este novo dinamismo nos processos produtivos do campo tem atraído cada vez mais jovens interessados em fazer parte dessa “revolução”.

É importante destacar que o movimento não se dá exclusivamente pelo contexto de pandemia. Nos últimos anos, percebeu-se que, em virtude da baixa de outros setores e constante alta do setor agro, o jovem notou um cenário de prospecção a longo prazo para a carreira, bem como inúmeras possibilidades que o campo oferece para quem quer fazer a diferença.

Um fato comum é que não apenas sucessores têm se destacado no segmento, mas pessoas de outras áreas têm visto na agricultura uma oportunidade de negócio. Não acredito que haja necessidade de lembrar à nova geração os recordes superados no agronegócio e como ele salvou o Brasil dos estados de crise pelos quais passamos.

Como jovens, devemos buscar oportunidade de levar ciência e inovação para quem já produz e não tem acesso, trazendo um novo olhar para os processos. Utilizando a tecnologia a favor do campo, dos produtores e da sociedade. E, sobretudo, usando a terra que Deus deu para produzir alimento, assunto que tem se intensificado com a pandemia e a maior consciência da importância da alimentação.

Contudo, gostaria de ressaltar que, além de considerar a agricultura como fonte de renda, precisamos olhar para os detalhes. Talvez seja uma crítica para aqueles que veem oportunidade no agro apenas como mercado lucrativo. É justo lembrar que do lado de dentro de cada porteira existem histórias, famílias e tradições.

Por isso, é preciso usar o conhecimento e a evolução tecnológica em prol de um trabalho mais produtivo e consciente. Assim, poderemos levar suporte e resultados mais eficazes aos produtores, desde a enxada, passando por animais, tratores, drones e tudo o mais que têm surgido para somar.

Acredito que o diálogo ativo entre gerações no agro seja a principal ferramenta de modernização agrícola. Para, assim, encontrar harmonia entre a experiência dos veteranos e o vigor dos jovens. Entendendo de forma flexível como são realizados o processo e a experiência adquirida pelos mais velhos, somados à capacidade inovadora dos jovens, em prol de um bem comum, o desenvolvimento do agro através do diálogo entre as gerações.

A agricultura brasileira precisa de mais protagonistas da própria história do lado de dentro da porteira. Mas, precisamos parar de pensar que, como jovens, somos o futuro, porque não somos. Somos o presente e devemos agir hoje.

Muitos têm uma visão equivocada de que quem sai do campo e vai para a cidade vence na vida. Boa parte desta visão, infelizmente, nós mesmos ajudamos a construir por conta de raciocínios de inferiorização da agricultura brasileira e exaltação do urbano.

Nossa geração tem o papel de transformar as redes sociais, que tanto usamos para expor a vida, e mostrar o que acontece do lado de dentro da porteira com responsabilidade. Isto porque a comunicação mudou muito e continuará mudando e, assim, precisamos utilizar as mídias sociais para expor o que defendemos por meio da apresentação de dados coerentes.

A pandemia apenas evidenciou a necessidade de transformação. Ora, quando se trata de modernização, não se diz respeito apenas à utilização de tecnologia de ponta ou ao uso de maquinário agrícola. Fala-se, sim, em modernizar no sentido de demonstrar ao mundo que a nova geração, que está chegando ao agronegócio, tem objetivos, linhas de pensamento e tendências de atuação diante dos novos mercados.

A sucessão familiar nas fazendas e a capacitação dos jovens são fundamentais. Por isto, precisamos nos organizar e cooperar, identificando a necessidade de renovação, a importância cívica da transformação do campo, o bem coletivo gerado dessa ação e a abertura de mercados, aumentando gradativamente o poder econômico e a importância do meio rural nacional. Precisamos nos posicionar cada vez mais em meio à sociedade. Não podemos mais achar que isto não é para o agronegócio, pois a nova realidade já está aí.

Portanto, precisamos fazer com que os olhos brilhantes dos nossos antepassados, que falavam com amor do que era produzido no campo, possam contagiar os filhos dos filhos deles, os meus filhos, os seus... Pois só assim sempre teremos alimento para consumir e estaremos fortes para quaisquer desafios.

*Stefany Sampaio Silveira (@stefany.agronomia). Técnica em Agronegócio e estudante de Agronomia. Nasceu em Linhares, “Terra do Cacau”, e é apaixonada por agricultura, negócios e viagens. Acredita que o futuro é agro.


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